Anawîm Yeshuah

O vazio gigantesco que antes estava preenchido

Domingo, Novembro 08, 2009
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“É comum, quando sofremos uma perda, seja ela qual for, ela tornar-se o centro das nossas vidas. «Tínhamo-lo e agora foi-se.»
Há um vazio gigantesco que antes estava preenchido, tornando-se na única coisa que pensamos o tempo todo. O que acontece neste processo é que a nossa vida se foca naquilo que não temos e esquecemos o que temos.
O teu Coração, o meu Coração há-de recuperar. Nunca mais seremos os mesmos, mas havemos de recuperar (…)

Nunca te esqueças que Jesus chorou,
nunca te esqueças que os teus sentimentos são válidos,
nunca te esqueças que podes escolher não te tornares amargo e fechado, mas aberto
nunca te esqueças que Deus senta-se ao teu lado, absolutamente presente, a lamentar a tua perda, mas também a restaurar-te, a recompor-te.
Que desta maneira possamos encontrar a esperança.”

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Publicado por Anawîm

Gracchus

Quinta-feira, Novembro 05, 2009
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«Senhor, eu não sou digno de que estejas debaixo do meu tecto; mas diz uma só palavra e o meu servo será curado. Porque eu, que não passo de um subordinado, tenho soldados às minhas ordens e digo a um: 'Vai', e ele vai; a outro: 'Vem', e ele vem; e ao meu servo: 'Faz isto', e ele faz.»
Mt 8,8-9

Eu tinha falado ao meu centurião deste homem. Chamavam-no de nazareno, os chefes deste povo, era quase sempre em tom irónico, como quem revela a sua origem “saloia”. Mas, para o povo sem nome, ele era carinhosamente chamado por muitos de Yeshu… eu mesmo vi o jeito encantado com que pegava nas crianças ao colo ou qualquer catraio que corresse ao seu encontro… via-se bem como ele não estava nada preocupado em seguir essa lei absurda que os judeus têm sobre a impureza das crianças.
É. Estou há tantos anos destacado aqui neste fim de mundo, que começo a saber de que se ocupa esta gente, que deuses são os deles, e que regras e leis têm entre eles.
Demorei algum tempo até conseguir dominar a língua dos hebreus, mas, talvez por ser tão tagarela, acabei por aprender. Parecia que o meu pai já adivinhava a minha inclinação para a conversa espontânea, dando-me o nome de Gracchus…

Foi por causa de João, a quem conheci primeiro, que soube deste Yeshu. Estive tantas vezes sentado na margem daquele rio, a tentar perceber do que falava com tanta persistência aquele homem, João, até que me fiz baptizar por ele. É, deixei que ele me agarrasse e me fizesse mergulhar ao mais profundo de mim, dentro daquele rio de águas douradas, cor de terra, e deixei que ele me ajudasse a erguer de novo, firmando bem os pés no chão que não via, na terra que não conhecia nem entendia, numa pátria que não é a minha, por alguém que não era da minha cor, em nome de um Deus que só nesse momento desconfiei que era meu também. Este homem tinha palavras que eram como fogo, faziam queimar por dentro tudo o que eu queria lavar, limpar, purificar.
Este João dizia sempre que é preciso estar preparado, eu entendia bem o que ele dizia, porque eu fui treinado para estar sempre preparado… ele falava para estarmos atentos ao que estava para vir.

Já te falei que a vida de um soldado romano como eu, por aqui, é dura demais?
Tenho saudades do lugar onde nasci e cresci. Tenho saudades do abraço da minha Pérola… e sei que já nem conheço os meus filhos, nem eles tão pouco se lembrarão de mim, tão pequenos os deixei.
Aqui, todos nos desprezam, o ambiente entre “colegas” não é propriamente animador, ninguém vem para este fim de mundo por querer, fomos destacados para aqui e tivemos de obedecer aos nossos superiores. Grande parte de nós já sente que esta guerra é absurda.
Obviamente somos odiados por estas gentes daqui, só nos respeitam ao olhar o punhal que sempre trazemos connosco. E, das crianças um bocado mais atrevidas e educadas desde cedo neste ódio mortal pela nossa presença, é chuva de pedritas e insultos que nem sabemos de onde vêm.
Tenho saudades de casa, onde me respeitavam pelo que sou, onde me chamam pelo meu nome e nunca me apelidam de “cão” num dialecto estrangeiro.
Sou o Gracchus, só de João ouvi o meu nome, e parece-me que nasci de novo, ainda que só por instantes.

Mas João foi apanhado e assassinado, como acontece com todos aqueles que são perigosos para os grandes de qualquer terra.

Foi depois que João foi preso que o vi pela primeira vez, ao Yeshu. Houve breves momentos em que não me sentia longe de casa… era quando me sentava discretamente, no meio da multidão para escutá-lo.

A ele o povo chamava-o de “moreh” (homem sábio) porque ele não falava da religião, de leis ou de obrigações a cumprir segundo o culto dos hebreus. Nada disso. Ele falava de coisas que até eu entendia, da minha terra… da semente no campo, da vinha, do salário, da casa feita na areia ou na rocha, da mulher que com fermento faz o pão, da candeia no melhor lugar, da pérola preciosa e do tesouro.
Que homem apaixonado pela vida!...

Calhou-me em sorte um centurião bom. Também ele desejoso de regressar ao calor do seu lar partilhava comigo e os outros subordinados a dureza desta missão que parecia nunca mais terminar. É um homem bom que cuida dos servos como gente da sua própria família, como seus próprios filhos. Quando o pequeno Bali caiu de cama tão enfermo, o meu superior não largava a sua cabeceira, e então falei-lhe do Yeshu, como eram bálsamo as suas palavras, de tal modo docemente poderosas dentro de cada ouvido que o escutava, que toda a escuridão do desespero serenava para só reinar o sol da esperança e da paz.
Fiquei espantado quando o vi, de um salto, perguntar-me por onde andaria esse tal Yeshuah, que correria ao seu encontro.
Que grande foi a festa!... No mesmo momento em que o meu centurião falava com o moreh Yeshu, o pequeno Bali ergueu-se da cama, como se nada fosse, com um sorriso nos lábios e uma fome de bradar aos céus. Não sei a que deuses agradeci eu naquele momento, mas certamente Aquele a quem o Yeshu chama de Pai tantas vezes não me saiu do pensamento.
Mas que homem é este?!

A última vez que o vi estava a ser julgado. É que as palavras dele não eram como as de João… as dele queimavam por dentro e por fora também.
Ninguém que se aproximasse dele poderia continuar a viver indiferente à sua presença. A uns “levantava”, erguia… outros sentiam-se ameaçados, rebaixados. Colocar os olhos nele era como contemplar um lago de águas límpidas e profundas, nele vemos inteiramente aquilo que não somos, vemos o que somos, e o que seremos.
Nunca conheci ninguém que me provocasse assim, que me impelisse com tamanha força a dar um salto para o alto. E sem jamais querer fazê-lo sozinho, mas ligado por laços que não entendo, a outros.

Assassinaram-no aqueles que não queriam ver-se nele…
Derrubaram, arrancaram-lhe a vida que ele tanto amou
Atiraram-no ao chão… e o Pai dele levantou-o

Yeshu… Yeshu… o teu Pai tem-te vivo, levantado,
quero ver-me em ti
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Publicado por Anawîm

Por onde...?! Porquê...?!

Quarta-feira, Outubro 28, 2009
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"Vamos por onde nos levas...
por onde subtilmente nos empurras nas escolhas...
por onde crescemos por nunca estarmos sós.
Vamos por todos os lugares onde andas connosco.
Vamos pelos caminhos onde o escuro e o branco se tocam como que por magia.
Vamos...
porque nos empurras, puxas e seguras...
porque vais à nossa frente a indicar-nos o caminho,
atrás de nós para os percalços e sempre ao nosso lado de mão dada...
Vamos porque és a cor de todos os caminhos.
Vamos porque és... connosco!"

Ni
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«"Só quem sobe à montanha toca o Céu!
Em terra chã ninguém se transfigura!"

Quem me dera ser poeta!
e subir cada montanha...
e ultrapassar cada dúvida...
e calar cada certeza...
acreditando sempre
que mesmo que escorregue
e que os meus passos
sejam inseguros, ouvirei um Pai que me diz, também a mim: "filha amada!"....»

Glória
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"As montanhas podem-nos parecer ao longe intransponiveis,
mas as consegimos sempre derrotar!...
É só acreditarmos na Esperança!"

Mila
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"Caminhar com as dificuldades e,
com a necessidade de a cada passo,
alimentar-se na confiança em QUEM segue junto,
fortalecendo e guiando a direção, sempre para o Alto,
passo a passo.
Para onde e por onde formos...
com as forças que cultivamos,
nunca só, e unidos ,em oração,e em cada ação."

Anónimo
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"Para Deus em ti, no outro, em todos...
esse é o caminho de quem busca o Senhor..."

andarilho
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Publicado por Anawîm

Llovizna

Sábado, Outubro 24, 2009
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… feliz como um pássaro, sempre quero eu ser
e uma flor que rasga a terra, acordando-a
essa terra feita de morte e vida sem alcatrão
essa que cheira a vida quando cai a chuva miúda

Nascer
e nascer
e nascer
eu quereria vezes sem conta
tantas vezes quantas o sol se ergue no meu céu
esse que se veste de luz, devagar
e devagar faz envergonhar o verde ou o branco das montanhas

Quereria nascer
e nascer
e nascer
e erguer-me nesse sol que és Tu
e descer como chuva miúda
“que cai despertando a terra”
para nunca a deixar secar, esquecer, ou adormecer para sempre nos tempos

E nascer
e nascer
nascer sempre de novo
numa liberdade que me fizesse voar
e da terra erguer um voo mais alto que os das águias
e olhando a minha terra ver como a minha sombra passa sem deixar rasto

“… sentir-me raiz da maior das árvores
a que, com seus ramos desnudados, toca a mais alta montanha, toca nas nuvens, e as faz chorar”
sim… queria provocar
arrasar todas as muralhas
essas que calam a voz de quem tem mais garra para fazer chorar do que para fazer sonhar
mas é igual
o chuvisco há-de sempre entrar e despertar a terra
com a frescura da sua permanente novidade de cada dia

Sou feliz, e quero sempre mais
Torna-se verdade mais autêntica a felicidade que traz consigo felicidade à sua volta

Quereria ser pássaro
Mas sou Coração maior que qualquer árvore
Sou do Coração cuja morte não fere nem mata

“Eu queria morrer num dia de inverno
Para sentir a chuva molhar-me o rosto uma última vez
Como se sentisse a Tua boca tocando a minha
E ainda que só por um instante pensar que não era este o meu último adeus
Que morrer é como este chuvisco
Que cai despertando a terra
Com a frescura, a claridade do amanhecer”
e nunca morre
só desperta…









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Publicado por Anawîm

Espreitei...

Segunda-feira, Outubro 19, 2009
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Queria espreitar um bocadinho do que é isso de viver o Teu Reino, Deus Bom,
espreitar por entre as cercas que ainda não me deixam ver tudo claro dentro ou fora de mim.
Espreitei e olha o que eu vi hoje…

Acho que entre pessoas que se amam não existem direitos, deveres ou obrigações.
Entre patrões e empregados, é comum e normal que assim seja, mas entre pessoas que se amam não.

Deus Bom, Pai de Jesus,
Tu não tens o direito de exigir nada de nós,
não tens o dever de nos cuidar
não tens a obrigação de nos amar, ou simplesmente estar connosco nos bons e maus momentos
Se assim fosse, não serias o Pai de Jesus, mas sim um ídolo qualquer…
Tudo o que em Ti acontece e que de Ti brota é Amor doado Gratuitamente

Nós, Humanidade, não temos o direito de exigir nada de Ti
não temos o dever de Te ser fiel, de Te escutar, de nos tornarmos cada vez melhores para sermos dignos de estar na Tua presença (como se fossemos uma caderneta de cromos que é preciso completar para estarmos aptos a entrar em Tua Casa)
não temos a obrigação de Te amar, ou aderir àquele que é a Tua Voz e o Teu Rosto, Jesus

Se duas pessoas se amam, seja em que relação for, o amor é gratuito
é doação gratuita de parte a parte
é acolhimento gratuito de parte a parte
é abertura fecunda gratuita que se volta para outros

És Bom, ó Deus Bom
Tudo em Ti é Oferta, Dom, Gratuidade… Amor pleno

Quero tanto aprender a ser assim também, com aquele que é o Teu Rosto, Jesus,
só assim não correremos o risco de ser Teus “funcionários”, ou fazermos de Ti nosso “funcionário”, com direitos, deveres e obrigações
e aprendemos a ser gerados uns pelos outros, gratuitamente, como irmãos do nosso Irmão Jesus
e saberemos o que é ser gerados por Ti, Deus Bom, como filhos teus,
será isto o Teu Reino, ó Deus Bom, Gratuito e Livre?
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Publicado por Anawîm