Anawîm Yeshuah

O Deus que “parte” tudo em favor de alguém

Sábado, Fevereiro 06, 2010
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O povo de Israel, um povo de sangue nómada, desprendido de tudo, de maneira permanentemente se agarra à família, à história da sua família e às suas tradições, porque tudo isto são os “bens” e a sabedoria que lhes permitem sobreviver em qualquer deserto ou cativeiro que atravessam.

- Lêem o seu passado vivido, experimentado, gravado nas suas vidas, para avançarem para o futuro.
- Esperam o futuro com as certezas do passado vivido.

É por este motivo que, no duro cativeiro do povo de Israel na Babilónia (muito tempo depois da escravidão e saída do Egipto), acontece um tempo propício para olhar para trás, para o tempo em que o povo havia sido escravizado no Egipto, e como o seu Deus não se conformou, como Ele Viu, Ouviu, Compadeceu-Se, Desceu para os fazer Subir.
“Deus tirou Israel do Egipto” é a expressão, como que uma profissão de fé, que se vai repetindo ao longo de todos os escritos deste povo, relatos das suas memórias sentidas mais do que propriamente relatos históricos do povo.
Se Deus tirou Israel do Egipto, não o deixará sucumbir no exílio.
É a certeza, a esperança, a promessa do Deus sempre presente que os faz viver cada dia.

E é recordado aquele rosto… Moisés.
É recordado aquele rosto que apascentava o rebanho do sogro, apascentava um rebanho que não era seu, até que Deus “Se meteu” com ele.
É recordado aquele rosto que conversava face a face com o próprio Deus, como fazem os amigos.
Que grande revelação já aqui se dá!

Há um homem capaz de se colocar diante do olhar de Deus!
Há um Deus capaz de se colocar diante do olhar de um homem!

Nesta relação Moisés pede a Deus o Seu Nome. Não é o que fazem os amigos? Os amigos chamam-se familiarmente pelo nome.
A resposta de Deus é qualquer coisa parecida com isto:
“Eu Sou Aquele que está sempre presente contigo”
É difícil a tradução da palavra que traduz esta ideia: YAHVEH, ou YAH abreviado, tal como encontramos, por exemplo, na exultação Alelu – Yah.

É importante perceber que, para este povo que é semita, o nome próprio é a definição da pessoa que o tem.
É, então, para bem do seu povo que Deus lhe revela o Seu Nome. Não tanto para que se saiba como Deus é, mas sim como Ele actua a favor do povo.
Deus não tem propriamente um Nome, tem sim um Agir. Podíamos talvez dizer que Deus é permanente Ser que está presente a agir em favor de alguém.

Este Deus não se manifesta nos fenómenos naturais de um ciclo de estações, como os deuses sedentários da fecundidade e da vegetação, mas é um Deus que se revela nos acontecimentos que se sucedem no tempo e que ele dirige para um fim:
A salvação e a libertação de cada pessoa.
(…)
Conhecer a Deus é tomar parte activa nessa mesma obra de libertação e salvação. Deus revela o Seu Nome quando se põe a libertar o povo oprimido e humilhado.
José Maria Castillo

É Moisés o homem convocado por Deus para a missão de salvar o povo da escravidão do Egipto.
O relato da saída do povo conta como Deus concedeu poder a Moisés para realizar prodígios, sinais, diante do faraó para que este deixasse sair o povo. Esses estranhos acontecimentos, como as águas convertidas em sangue, as rãs, a peste, etc. não foram acontecimentos “naturais” (tal como são descritas as “desgraças” há incongruências, se o gado, por exemplo, morria todo com alguma das pragas, como voltaria a morrer novamente com a praga que se seguia?)
Os estudiosos mais documentados concordam que é uma composição literária, com a qual (como é hábito na literatura semita) se pretende dar um ensinamento religioso.
Deus está a agir, está empenhado em tirar o seu povo da escravidão. Dar a entender como Deus está “metido” nisto, é a finalidade do relato destes sinais fantásticos.

No sinal da morte dos primogénitos dos egípcios é importante saber como é que os pastores nómadas celebravam a páscoa. Era uma festa que os pastores faziam, antes ainda de se terem fixado no Egipto.

A “páscoa” era a noite que marcava o fim do Inverno e o início da Primavera. A festa acontecia durante a transumância, ou seja, quando os pastores levavam os seus rebanhos das pastagens de Inverno para as pastagens de Primavera, era também o tempo em que as ovelhas e as cabras davam à luz as suas crias.
A festa fazia-se à noite porque não havia ocupações com o rebanho. Era feita na noite de Lua Cheia porque era a noite mais iluminada.
O ritual principal baseava-se no sacrifício de um cordeiro escolhido de entre o rebanho, que fosse perfeito. Era uma oferta a deus, para que deus lhe concedesse protecção ao rebanho, para afastar os espíritos maus, ou para pedir aos espíritos bons a fecundidade do rebanho.
Era uma festa fora de qualquer santuário.
Sem sacerdotes.
Sem altares.
O cordeiro era degolado e era assado no fogo para ser comido por toda a família. O seu sangue era derramado na terra, junto da tenda do pastor, para pedir a fecundidade do rebanho, era derramado também nas estacas que seguravam a tenda, para afastar os maus espíritos.
Os pastores vestiam o seu traje habitual de pastoreio, rins cingidos e sandálias nos pés.
Era uma festa que durava apenas uma noite, ao contrário da “páscoa” celebrada pelos povos sedentários, agricultores, que durava uma semana, nesta mesma época.
Para estes era a Festa do Pão Ázimo, em que se ofereciam as primeiras colheitas de cevada, para atrair fecundidade sobre os campos. E destruía-se tudo o que estivesse ligado ao fermento do ano velho, para não “misturar os espíritos” do pão antigo com os do pão novo. Era uma festa celebrada com pão “puro”, sem fermento.

Esta era uma festa familiar, era o chefe de família que presidia à festa. Mais tarde, com a centralização do culto no Templo de Jerusalém a Páscoa judaica deixou de ser aquela festa de família para passar a ser uma festa nacional de peregrinação pois era necessária a deslocação até ao Templo para aí poder celebrar.

Aqui estão todos os sinais que conhecemos da Páscoa.
É este o argumento usado pelo povo para conseguir a permissão de sair do Egipto: Era preciso ir ao deserto para celebrar a “páscoa”, em honra do seu deus.
O faraó não permite e o sangue dos cordeiros que os israelitas imolam é usado para marcar as suas portas, em vez das estacas das tendas do deserto. Esse sinal salva os primogénitos do povo israelita, e torna-se na desgraça dos que não possuem este sinal, os primogénitos dos egípcios.
É este sinal que faz com que sejam os próprios egípcios a suplicar aos israelitas para que saiam do país.

E assim “Deus tirou Israel do Egipto”.

Tal como acontece com qualquer escravidão, a liberdade total implica uma dura caminhada que na história deste povo, só aqui começa. Há um caminho a fazer, a partir de dentro.


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Publicado por Anawîm

O medo da liberdade

Quinta-feira, Fevereiro 04, 2010
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"A liberdade é o bem mais apetecido do mundo, e também o mais temido. Porque ser livre é não estar atado a nada nem a ninguém. A experiência diz-nos que os nossos apegos são muito gratificantes.
Assim, o alcoólatra, o fumador, o toxicodependente se sentem atados e como que escravos do álcool, do tabaco, da droga, e não querem livrar-se destes apegos porque são muito gratificantes. Mas não é preciso recorrer a estes casos especiais.

A sociedade moderna tem o poder de nos escravizar de mil maneiras diferentes. O mecanismo diante do qual a sociedade nos escraviza é a criação de necessidades: através da propaganda e da publicidade, o sistema cria constantes e novas necessidades nas pessoas, de tal modo que os cidadãos chegam a sentir-se apertados nos tentáculos do sistema.
Encontramo-nos então diante dos novos escravos da sociedade de consumo:
As pessoas habitam em edifícios de apartamentos e têm automóveis privados com os quais já não podem escapar a um mundo diferente.
Têm enormes arcas frigoríficas cheias de alimentos congelados.
Têm dezenas de jornais e revistas que expõem os mesmos ideais.
Têm inúmeras possibilidades de escolha, inumeráveis aparelhos que são todos do mesmo tipo e os mantêm ocupados e distraem a sua atenção do verdadeiro problema que é a consciência de poderem trabalhar menos e apesar disso determinar as suas próprias necessidades e satisfações.
No fundo, trata-se de compreender que os indivíduos, em troca das comodidades que enriquecem a sua vida, vendem não só o seu trabalho, mas também o seu tempo livre. A vida melhor é compensada pelo controlo total sobre a vida. Eis aí o novo “Egipto”, a nova “casa da escravidão”.
Por isso as pessoas precisam cada dia mais de dinheiro. Daí também as angústias económicas, os pluriempregos, as horas extraordinárias, o trabalho esgotante, que a todos embrutece.

A raiz do problema é sempre a mesma: o sistema de vida que a nova sociedade nos impôs. E é justamente isso o que as pessoas querem deixar, mas, por outro lado, têm medo de perder.
O medo da liberdade confunde a nossa imaginação, petrifica as nossas capacidades, torna-nos incapazes de mudar de vida.
Daí a necessidade de um novo “êxodo”, sair do sistema, para empreender o caminho da libertação."


José María Castillo


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Publicado por Anawîm

O Deus que vê, ouve, Se compadece, Aquele que desce para nos fazer subir

Terça-feira, Fevereiro 02, 2010
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A caminhada deste povo livre com o seu Deus, um povo nómada, um povo de pastores, é feita com gente. É uma caminhada cheia de rostos que verdadeiramente quiseram intuir, sonhar e esperar os mesmos sonhos do seu Deus e quiseram pôr mãos à obra como companheiros deste Deus meio rebelde, tão diferente de qualquer outro Deus, incapazes de, como Ele, ficar indiferentes a tudo aquilo que os impedisse de ser…
… LIVRES.

Já falámos, no post anterior deste tema, daquele primeiro chamado, o Abraão, a quem Deus pede para se “desinstalar” e se colocar a caminho.
Abraão é o primeiro a quem o povo israelita chama Pai, Patriarca, é talvez, para compreendermos melhor, como o Grande Chefe de uma tribo índia.
Entre os israelitas ele é um Pai de tribos de pastores.

Abraão é o primeiro rosto com quem podemos começar a traçar um esboço do rosto de Deus.

Isaac, o filho gerado da Promessa de Deus é outro rosto, outro Pai, Patriarca das tribos nómadas.

Jacob, filho de Isaac, é outro grande Pai, Patriarca.

Destes três rostos iremos ouvir falar em todo o tempo nos escritos da Bíblia, de maneira muito especial com a expressão “o Deus de vivos e não de mortos, o Deus de Abraão, Isaac e Jacob”.
São eles os grandes Patriarcas do Povo de Israel.
São estas vidas que dão à luz um povo, o povo livre do Deus Livre.

A memória deste povo é tão viva, o passado é tão entranhadamente presente na carne do povo, que é olhando para o passado que caminham para o futuro.

A vida deste povo é como todas as vidas das gentes,
é impressionante como é o espelho da vida de cada um de nós,
cheia de encantos e desencantos,
expectativas e desilusões,
descobertas,
entusiasmos e fraquezas,
cheia de escravidão e liberdade,
sonhos,
esperanças,
tentações,
amor,
iras,
desesperos,
em permanente queda e reerguer-se do chão,
sempre num caminho de alianças e infidelidades com o seu Deus que nunca lhes falta,
é Aquele que anseiam conhecer sempre mais,
Esse que lhes revela o Seu próprio Nome…

Aqueles tempos vividos no Egipto ficaram gravados na carne do israelita daquele tempo e de todos os tempos que se seguiram até hoje.
Um dos filhos do Patriarca Jacob foi vendido pelos próprios irmãos, por causa de ciúmes, a uns comerciantes que passavam numa caravana, era José que, assim, foi parar ao Egipto.
Curiosamente José deu-se muito bem no Egipto, a vida correu-lhe tão bem que lhe foi confiado o cargo de vice-rei de todo o reino.
Algum tempo depois, toda a família de seu pai Jacob se irá instalar no Egipto, e o povo israelita ali se multiplicou muito.
Muitos anos depois de José ter morrido um faraó, que não o havia conhecido, começou a governar fazendo escravos todos os estrangeiros habitantes do seu país. Os israelitas começaram a ser tratados do mesmo modo que os prisioneiros de guerra quando se tratava de recrutar mão-de-obra para os trabalhos pesados de construção de obras públicas.

É claro que um povo com fortes raízes nómadas, um povo habituado à liberdade, ao experimentar a dureza da escravidão, sem direito a nenhum salário, quer voltar a ter a sua liberdade, quer voltar para o pastoreio no deserto.
É claro que os egípcios não querem perder esta mão-de-obra gratuita.

É então o momento em que Deus não Se “cala”.

“Deus quer libertar o povo da escravidão. Não se trata directamente de uma finalidade religiosa ou espiritual. Trata-se de um projecto sócio-político.
Para isso elege um homem que será o mediador desta empresa.” (José Castillo)

Este homem, este outro rosto que será mais um traço do esboço do rosto de Deus, é Moisés.
É Moisés que, enquanto pastoreava um rebanho que não era seu, se sente interpelado pelo mistério de Deus que o chama e lhe diz:

“VI a opressão do meu povo no Egipto,
OUVI as suas queixas contra os opressores,
COMPADECI-ME dos seus sofrimentos.
por isso
DESCI para os libertar dos egípcios,
para tirá-los desta terra, para fazê-los
SUBIR para uma terra fértil e espaçosa,
terra que transborda leite e mel” (Êxodo 3,7-8)



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Publicado por Anawîm

Amor todo-poderoso

Domingo, Janeiro 17, 2010
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«Quem ama, fala assim:
“Tu és a minha alegria”;
o que significa:
“sem ti, sou pobre de alegria”.
Ou:
“Tu és tudo para mim”;
o que exprime:
“sem ti, não sou nada”.

Amar, é querer ser pelo outro e para o outro.
Pelo outro:
Acolhimento;
para o outro:
Dom.

Aquele que mais ama é por isso o mais pobre.
Aquele que ama infinitamente – Deus –
é infinitamente pobre.

Aquele que ama, depende do outro, diz:
“quero depender de ti”.
Amor e vontade de independência não são compatíveis,
a não ser à superfície.

Aquele que mais ama é por isso o mais dependente.
Aquele que ama infinitamente – Deus –
é infinitamente dependente.

Quem ama, diz:
“não posso olhar-te de ‘cima’, sem faltar ao amor”.
Se quem ama é, de qualquer modo, superior ao amado, o seu amor não é amor senão no acto em que nega a sua superioridade e se faz igual ao amado.

Aquele que mais ama é por isso o mais humilde.
Aquele que ama infinitamente – Deus –
é infinitamente humilde.

Deus é infinitamente rico;
mas rico em amar, não em “ter”
(riqueza em amor e pobreza são sinónimos).

Deus é soberanamente livre;
mas livre de amar e de ir até ao fim do amor
(a Sua vontade, que é o Seu próprio Ser, é vontade eficaz de Se dar).

Deus é a imensidade sem limite,
a potência infinita;
mas é o amor que é imenso, amor todo-poderoso…
capaz de se abaixar até ao aniquilamento.

Deus…
não pode ser traduzido, expresso e revelado,
a não ser pela pobreza, a dependência e a humildade de Jesus de Nazaré.»

François Varillon




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O Deus dos Nómadas

Sexta-feira, Janeiro 15, 2010
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Olá Amigos!
É bom estar de volta!
Um abraço grande para todos!




















Naquele “Princípio”, em que Deus queria revelar-Se, dar-Se a conhecer, Ele já era o Deus Caminhante, o Deus desejoso de Se pôr a caminho com a Humanidade.

Diferente dos deuses dos povos fortes, este já era o Deus daqueles que não tinham tecto, dos que não tinham casas, cidades ou terras para cultivar…

Naquele “Princípio”, já era o Deus Peregrino, o Deus dos Nómadas. Era, por isso, o Deus Livre, Ele não tinha Templo, Santuários, não Lhe eram prestados cultos por sacerdotes, para este Deus os tempos não se repetiam como acontece no cultivo e colheita dos frutos da terra… Este Deus dos Nómadas era já o Senhor da História muito mais ainda do que Senhor da Natureza.
O povo que começou a amá-l’O, com quem Ele fez Aliança, nada mais possuía senão a sua história passada como domínio, sempre voltada para a esperança no futuro, totalmente empenhada na descendência que mantivesse essa história comum e que continuassem a ter pés para caminhar.

Naquele “Princípio”, Deus chamou pelo seu nome um homem que vivia “instalado” na sua civilização.
Esse homem desinstalou-se, pôs-se a caminho, ainda que não soubesse para onde caminhava. Então este Deus prometeu-lhe o que todos os povos nómadas mais anseiam… uma Descendência e uma Terra. Garantiu-lhe ainda que daí em diante Ele seria o seu Deus, ele e o povo da sua descendência seriam o Seu Povo.

Chamava-se Abraão.

Fez-se assim um homem livre, com o Deus Livre, desamarrado de qualquer “sistema”… sem casas, sem cidades, sem terras, só com uma Promessa nas mãos, uma Esperança num Futuro.
Foi cerca de 2000 antes de Jesus de Nazaré ter nascido e desde que Ele chamou Abraão, Deus foi sempre fiel à Promessa feita.

Abraão e Sara, já velhos e estéreis, deram à luz o impossível. Deram à luz a Promessa de Deus no rosto de um menino chamado Isaac para que ninguém duvidasse que ele era o Dom de Deus, era a Promessa de Deus que começava a cumprir-se.
Do mesmo modo, aquele Jesus de Nazaré que nascerá 2000 anos depois será o nascimento “impossível”, será a Promessa de Deus a realizar-se não já num “Princípio”, mas numa “explosão” de Salvação que se espalha para todos os lados da História, passada e futura, naquele dia em que Deus ressuscita Jesus, esse Jesus que nasceu, viveu e morreu como o Dom de Deus, será a Promessa de Deus a cumprir-se não num povo só, mas na Humanidade inteira de toda a História.

Na história de Abraão a provação é inevitável. Não sei quem mais foi provado, se Abraão ou Deus, quando Abraão subiu ao monte com Isaac, de cutelo na mão, para fazer o que todas as divindades que se conheciam “exigiam” naqueles tempos: o sacrifício humano, a oferenda do primeiro “fruto” da terra.

Mas…
… o Deus dos Nómadas não é igual aos outros “deuses”.

Na Sua Promessa, na Aliança que estabelece, a única coisa que pede a Abraão e à sua descendência é Fidelidade e Liberdade. Deixando que o Deus da Liberdade seja a sua Segurança, a sua Companhia, a sua Protecção… a sua Salvação.
Desde estes dias, a Humanidade que confia na Promessa do Deus Caminhante vive em tensão permanente em relação ao Futuro, enquanto vai caminhando e construindo a sua História… sempre de olhos cheios de Esperança.

O Deus Peregrino é o Senhor da História, Dono do Passado permanentemente a caminhar para o nosso Futuro. É neste “entretanto” da História que vamos fazendo, que o Deus Livre Se dá a conhecer.
Só quem se compromete, disponível, a levar o “Cajado” da Esperança conseguirá “persegui-l’O”.
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Publicado por Anawîm