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Se Deus e o seu Reino se parecem com o dono da vinha que quer pão para todos, uma vida digna, mesmo para aqueles que ficaram sem trabalhar, se ele foi insensato ao ponto de não estar preocupado em perder dinheiro com o salário que paga ao que pouco trabalhou… então terá que acabar a exploração que fazem os grandes proprietários, os grandes empresários, os líderes, os governantes…

Terão que acabar as rivalidades entre os jornaleiros (os que trabalhavam por um dia), entre os operários, entre colegas de trabalho… para se procurar construir uma vida mais solidária e mais digna para todos.

É o que Yeshuah proclama e repete vezes sem conta, de várias maneiras.

Não é preciso ir para o deserto e criar nele uma comunidade austera e “limpa”, “santa”, como era a dos essénios na época, ou que sirva para fugir ou isolar do mundo visto como fonte de distracção das coisas de Deus.
Não é preciso fechar-se num grupo que procure seguir com todo o rigor a Lei como faziam os fariseus ou as Doutrinas, muitas delas inventadas só por nós.
Não é preciso planear revoltas violentas contra a ocupação romana da época, nem extremismos políticos contra qualquer modo de governar de qualquer época.
Não é preciso centralizar e tornar exclusiva a religião do templo de Jerusalém, ou criar grupos paroquiais ou não, onde apenas são admitidos os “perfeitos”, os “ideais”, os “válidos”.
Não é preciso revoltas contra estruturas de qualquer tipo de poder, ainda que fundadas na verdade, mas que não funcionam porque não são fonte de libertação, de igualdade, de promoção da dignidade.
Não é preciso viver dentro de Templos de Jerusalém ou outros templos quaisquer de qualquer tempo em danças rituais e na repetição até à exaustão de palavras que se gastam até já ninguém lhes conhecer o sabor, porque não é isso que dá pão, água, o que vestir, um tecto, dignidade, ou simplesmente um ouvido disponível e sossegado para a escuta e a comunhão nas suas angústias.

Era uma vez um pastor…
Era uma vez um pastor absolutamente insensato…
Era uma vez um pastor louco porque ao perder uma ovelha do seu rebanho, insensatamente larga as outras no monte desértico, porque resolve ir à procura da única que se perdeu.
Era uma vez um pastor que, como todos sabem, é a imagem do próprio Deus.

Yeshuah revela-nos a face do seu Abba insensato, que não sabe fazer contas quando chega o momento de escolher entre guardar de modo seguro as 99 ou 1 única ovelha que se perdeu.

Que Deus é este que vai, Ele mesmo, ao encontro?
Essa ovelha única que se perdeu não anda à procura do pastor.
O pastor corre todos os riscos, pode perder até todo o seu rebanho, ainda assim sai à procura daquela única.
Encontra-a e a alegria do pastor é imensa.
Encontra-a, muito provavelmente assustada e ferida porque sozinha não soube escolher os caminhos certos… e perdida, magoou-se, feriu-se e estará assustada, e estará incapaz de regressar… talvez nem queira regressar.

Que Deus é este que não hesita em correr atrás de nós, em pegar-nos ao colo?... Leva-nos de volta, aos ombros, FELIZ!
Que insensatez! Que escandaloso é o nosso Deus! E as outras ovelhas, se se perdem?
Não importa mais zelar e manter bem unido o grupo dos fiéis, para que não se percam, do que arriscar a perder-Se Ele mesmo por buscar as prostitutas, os doentes, os pobres, os revoltados, os desprezados, os angustiados, todos os “impuros”, os “sujos” de todos os tempos…?

Como pode o nosso Deus… o Deus de Yeshuah nazareno, ser um insensato na medida do Amor sem nele conhecer uma medida, um limite, uma regra… sem que eu e tu o desejemos ser também?...

3 comentários:

Inês Monteiro disse...

É por este Deus ser tão insensato que sou tão feliz... se Ele não fosse insensato o que veria em mim para me querer tanto bem?!!!

Anawim OBRIGADA por esta caminhada bonita que tenho vindo a fazer por aqui!
Um Abraço

José A. Vaz disse...

A propósito de Lei convido-o a visitar o meu blog (bereshit) e se possível deixar um comentário ao post de hoje sobre judaísmo e cristianismo. se não o quiser fazer fica na mesma o convite à visita. aprecio a serenidade dos seus posts. shalom.

anawîm disse...

Olá Inês...
muito feliz fico eu por te ver a caminhar! À procura deste Deus insensato que não entende nada das nossas contas e das nossas regras do que é certo ou errado! QUE BOM!...
Um abraço bom para ti, e para a marianinha...

José...
Agradeço muito esta tua visita!
Sê bemvindo...!
Gostei muito de conhecer o teu espaço e agradeço também a tua resposta simpática ao meu comentário!...