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Parece que só se pode anunciar assim

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O que era desde o princípio,
o que ouvimos,
o que vimos com os nossos olhos,
o que contemplámos e
o que as nossas mãos tocaram


            acerca da Palavra da Vida


é o nosso anúncio


1Jo1





Um "era" e um "princípio" de um Tempo que já chegou, que rompe qualquer tempo
Um "ouvimos" que tem a ver com a escuta da "brisa" que não se ouve
Um "vimos com os nossos olhos"... porque de facto viram
Um "contemplámos" que é muito mais do que "olhar para"
é ter experimentado,
ter presenciado,
ter convivido,
Um "tocar com as mãos" como "Tomés" que querem com as mãos fazer da sua fé carne e vida e toque

Um anúncio que é, afinal de contas, mais do que palavras
Parece que só se pode anunciar com mãos de Tomé, querendo tocar nas feridas de todos os "Cristos"
Parece que só se pode anunciar como quem experimenta, presencia, convive
Parece que só se pode anunciar com o imenso desejo de mais que tudo ver
Parece que só se pode anunciar escutando a brisa que não faz ruído
Parece que só se pode anunciar um Tempo tão diferente, que rompe os nossos pequenos tempos

Deus Bom,
Deus Verdade,
Deus de cada manhã que se ergue
Deus de cada entardecer que convida ao descanso
Deus a Quem chamamos Pai, Papá, porque a palavra Deus sempre foi tão ambígua
bendito sejas por permitires que sempre possamos
ser com,
ouvir,
ver,
contemplar,
experimentar,
presenciar,
conviver,
e tocar a imensa riqueza desconcertante que é o teu e nosso Yeshu

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A vida é tão rara

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“A vida não pára”
cada fibra do nosso ser morre e nasce em cada instante
tão previsivelmente imprevisível
a vida é um lugar onde só se pode esperar
ou desesperar

que nunca a loucura nos faça concordar que o mal é normal
o mundo espera tanto de nós
nós esperamos pouco ou nada do mundo
com um pouco mais de calma
é preciso ESPERAR porque “a vida é tão rara”
ESPERAR… ESPERANÇAR… ESPERANÇADOS…

Que não se apague em nós esse desejo
de viver a valsa da Esperança Ressuscitada
que não pára
parece que não espera por ninguém
porque a vida não pára
estende o braço e agarra a mão ressuscitada
estende o braço e deixa-te apanhar
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Maturidade

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Que pena
quando perdes mais uma oportunidade de te superares,
quando perdes mais uma oportunidade de deixares de seres SÓ tu no “teu” mundo,
quando perdes mais uma oportunidade de ser mais gente…

Ceder nem sempre é perder,
é muitas vezes dar espaço ao outro e deixar que o outro enriqueça a relação mútua.

Tem o cuidado de reparar se andas sempre a ter razão em tudo.
Desconfia de ti se isso acontece, porque muitas vezes todos têm as suas razões, do ponto de vista de cada um.
Entre duas ou mais pessoas quase nunca há “razão” absoluta só de um lado. Por isso é que é tão importante ceder algumas vezes, para que não esteja sempre o “meu lado da razão” a prevalecer.
E é tão importante aquele treino na capacidade de nos colocarmos no lugar do “outro” também, para não perdermos de vista o que ao outro dói, o que sofre, e o que o alegra também.
Com esta atenção não nos vão passar despercebidas as vezes em que falhamos com o outro.

Reconhecer que falhamos é um grande sinal de maturidade.
Como gente a caminho, todos caímos.
Levantamo-nos com esse movimento de reconhecer/pedir desculpa/memorizar/avançar onde cada uma destas partes não pode faltar.
Sim, é importante que o não esqueçamos de todo (memorizar), para não andarmos sempre a cair na mesma poça que teima em surgir, sabendo que ela está no meio do caminho encontremos uma forma de a contornar. Esse reconhecer/pedir desculpa/avançar sem a memória pode acabar por nos esgotar de tanto cair no mesmo e romper-nos de tal maneira no caminho que já se torne impossível a relação mútua.

Procurar ajuda não é fraqueza, é muitas vezes o sinal de que te dás conta de estares a caminho.
Procurar alguém que já vai um pouco lá à frente por ter percorrido um caminho semelhante ao teu pode ajudar-te a caminhar com mais serenidade, com mais autenticidade, talvez até com menos "dor" (porque todos os caminhos são de nascimento/crescimento, todos implicam dores/crises)

Ter a iniciativa de criar momentos que favoreçam a comunhão também não é sinal de fraqueza, nem sinal de se estar a forçar ou a pedir a atenção do outro para si. Menos ainda devemos esperar que esta iniciativa parta sempre e só do outro.
Usar a criatividade, imaginação, a atenção e iniciativa para cuidar da relação mútua é um grande sinal de maturidade, é sinal de que a pessoa não está centrada em si própria, fechada no seu pequeno mundo só seu (como é comum e normal nas crianças), e é alguém com quem se quer ser construído e ajudar a construir também.

Respeito mútuo é coisa absolutamente fundamental.
Em qualquer relação é como água, terra e sol sem os quais nada sobrevive.
E é coisa que não se aprende em 2 ou 3 dias ou anos… tem tanto a ver com o cuidado, às vezes com vontade ou sem ela, de ir “regando”, cuidando a árvore todos os dias sem excepção alguma.

Que triste seria o mundo apenas com a cor da nossa “super-razão” pessoal…




Vive bem este resto de "dia" de Páscoa do nosso Jesus!
Um abraço forte forte

Saíste do Tempo

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Saíste dos tempos rotineiros dos trabalhos e preocupações de todas as gentes naquele momento.
Nada sabemos de ti, antes dos teus 30 anos. Eras somente um de nós, trabalhador operário, responsável pelo teu próprio sustento e ajudando ao sustento da tua própria família. Participavas activamente na construção da sociedade do teu tempo.
Onde estiveste esses 30 anos, desde que nasceste, senão no lugar onde todos estamos… no Tempo.
30 anos nada nada extraordinários,
30 anos iguais a tantos 30 anos de vidas com as quais nos cruzamos todos os dias.

Parece que “saltaste” fora desse Tempo quando te fizeste discípulo.
Esse encontro com alguém que despertou no teu Coração e no teu Olhar uma incrível ESPERANÇA, CORAGEM, uma insaciável SEDE de saber e dar a conhecer esse Jeito de Actuar segundo Deus (mais conhecido como Reino de Deus), e talvez mais que tudo uma enorme INQUIETUDE, uma inconformidade diante de tudo o que não estava bem.

Acreditaste que era possível viver com outra lógica, com outro horizonte.
Acreditaste que era possível a todos serem livres e felizes. E não permitiste que te parassem nesse permanente caminhar acreditado.

Quero dizer de ti as mesmas palavras que Isaías escreveu. Acredito que foram o teu próprio sentir.

O Senhor deu-te a graça de falar como um discípulo,
para que soubesses amparar, com uma palavra, os que andam exaustos.
Todas as manhãs, Ele desperta os teus ouvidos,
para escutares, como escutam os discípulos.

O Senhor Deus abriu-te os ouvidos, e tu não resististe, nem recuaste um passo.
Apresentaste as costas àqueles que te batiam
e as faces aos que te arrancavam a barba,
e não viraste a cara diante dos insultos.
O Senhor Deus veio em teu auxílio,
por isso não ficaste envergonhado.
Tornaste o teu rosto duro como pedra
acreditando que não ficarias desiludido.
Está perto quem te vai fazer justiça.
Se alguém duvida disso que se coloque diante de ti.
O Senhor Deus está contigo. (adapt Is 50,4-9)

Desde esse “salto” inicial que deste como discípulo de João, o Precursor, viveste cerca de 3 ou 4 anos (e o que é isso diante de toda a tua vida?!) nesse “salto” maior, mais ousado, mais radical, absolutamente entregue mais que um discípulo… viveste como um filho, até Deus te receber e, ao querer ter Ele mesmo a última palavra, levantando-te da morte, confirma-te diante dos nossos olhos, esses olhos que a Humanidade inteira tem, e chamando-te, Ele mesmo, de FILHO.


Yeshuah de Nazaré,
deixa-me ficar contigo

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no meio de todos os olhares

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Entrar em “Jerusalém” é coisa de poucos…

No calor da festa, no meio de alguma exaltação quase se podem ouvir os ecos:
“Olha, o profeta…”
“Olha, é alguém importante, certamente…”
“Olha, o ‘labrego’ nazareno armado em não sei quê”
“Olha, é aquele que me salvou da escuridão em que sobrevivia eu”
“Olha, mas… quem é este?”
“Olha, parece o tal filho do operário José, é preciso cuidado com ele pois ‘envenena’ o povo com o que diz e faz.”
“Mas… quem é este, sabes?”
“Olha, finalmente chegou aquele que nos vai livrar dos cães romanos.”
“Olha, é o Yeshu…”
“Olha, que se passará aqui?”

E no meio de todos os olhares daqueles que vêem e dos que fecham os olhos,
quantas vezes passas
quantas vezes entras em Jerusalém?
entre nós poderíamos pensar que vais direito à “boca do lobo”
e sabendo bem que não eras um qualquer adivinho do futuro,
sabemos bem também que nada na tua decisão de “entrar” ali é ingénua ou inconsciente…
… o mal podia tocar-te, sim
podia até matar-te se não pactuasses, confortavelmente, com ele.

Yeshuah de Nazaré…
que coragem absurdamente enorme é precisa para assumir aquilo em que se acredita?!
Sabias bem onde estavas a “entrar”…
… e quase ouço o eco de Isaías, que acredito que tenhas lido muitas vezes, dizer:
“não desviei o meu rosto…
… tornei o meu rosto duro como pedra” Is 50,6.7











Yeshuah de Nazaré…
deixa-me ficar contigo…

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Vi-te no centro

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Vi-te no centro da minha humanidade meio perdida
onde estás senão no centro de mim
o fruto que deste debaixo da terra,
o teu Deus, fez levantar mais alto que todos os céus
para que ninguém deixasse de te Ver

Vi-te… mas desejo os teus olhos…

o círculo da vida gira a essa velocidade estonteante
tudo é novo e tudo envelhece
umas vezes inebria e anestesia
como outras vezes enjoa nesse “ram-ram” dos dias todos iguais

Vi-te… mas desejo os teus olhos…

tu, que te encorvaste no meio dos encorvados anawim
tu, que foste arrancado das garras de todas as mortes
tu, que foste vivo e és agora o mais vivo dos vivos
tu, Yeshu,
dá-me desse teu olhar que vê bem,
para que me diga onde começa a vida
onde acaba a morte

onde hei-de viver
onde hei-de morrer

como se vive e morre?
de olhos abertos ou fechados?

acredito que o teu maior salto foi de olhos fechados
e que, ainda assim, te doeu mais que tudo

quero os teus olhos de esperança no meio de mim
e, aí, quero as tuas mãos, as que arrancam da morte também
para seres sempre tu, no meio de mim
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Já é DIA

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"Já é Noite
e o frio está em tudo que se vê
lá fora ninguém sabe
que por dentro há vazio
e que em todos há um espaço
que por medo não se deu
onde a ilusão se esquece
do que o medo não previu


Já é Noite
e o chão é mais Terra para Nascer
a Água vai escorrendo
entre as mãos a percorrer
todo o espaço entre a sombra
entre o espaço que restou
para refazer a Vida
no que o medo não matou


Mas onde tudo morre tudo pode Renascer


Em Ti vejo o Tempo que passou
vejo o Sangue que correu
vejo a Força que moveu
quando tudo parou em Ti
a tempestade que não há em Ti
arrastando para o Teu Lugar
e é em Ti que vou ficar


Já é Dia
e a sombra está em tudo que se vê
lá fora ninguém sabe
o que a Luz pode fazer
porque a Noite foi tão fria
que não soube acordar
a Noite foi tão dura
e difícil de sarar


Mas onde tudo morre tudo pode Renascer


Em Ti vejo o Tempo que passou
vejo o Sangue que correu
vejo a Força que moveu
quando tudo parou em Ti
a tempestade que não há em Ti
arrastando para o Teu Lugar
e é em Ti que vou ficar


Eu já descobri a Casa onde posso adormecer
eu já desvendei o mundo e o Tempo de perder
aqui tudo é mais Forte e há mais cor no céu maior
aqui tudo é tão Novo tudo pode ser Amor


E onde tudo morre tudo volta a Nascer


Em Ti vejo o Tempo que passou
vejo o Sangue que correu
vejo a Força que moveu
quando tudo parou em Ti
a tempestade que não há em Ti
arrastando para o Teu Lugar
e é em Ti que vou ficar


Já é Dia
e a Luz está em tudo que se vê
cá dentro não se ouve
o que lá fora faz chover
na Cidade que há em Ti
encontrei o meu Lugar
é em Ti que vou ficar"
Tiago Bettencourt


Entre o “Já é Noite” vazio e frio
Chega Já o Dia ainda que cheio de sombras
Enquanto a Noite se vê como o chão que é mais Terra para Nascer
nela a Água que sacia e refresca e limpa, essa que nos mares também mata
nela se pode Renascer
quando não se deixa que o medo mate
quando a Água é sinal de vida, e vida sempre a renascer
é que
“onde tudo morre tudo pode Renascer”
E quando ninguém sabe o que a Luz já presente pode fazer
há quem saiba pegar Nela, para fazer acordar da Noite
aqueles que deixam que a Noite continue a ferir e a matar

És Tu, meu Nazareno…
… é em Ti que vejo todo o Tempo que passou
todo o Teu Sangue-Vida que correu
toda a Tua Vida-Água que me lava, cura, salva
Em Ti vejo toda a Força impetuosa e serenamente suave da Ruah
que é esse outro nome do Amor
e vejo-a com o Abba, em Ti, quando Tudo parou
naquele Dia que ainda não acabou
o Dia em que o Teu e nosso Deus Te suscitou de novo
não te devolveu a vida
deu-ta de maneira tão Nova,
ainda que eu não possa entender como isso é

E essa Força-Ruah-Amor derramou-se para todos os lados do Tempo
e quem não Te conheceu antes, foi lavado por Ti, pela Tua Vida Nova
e quem Te tocou no início desse Dia
esse Dia em que rasgaste todos os tectos dos Templos onde queremos fechar o Teu Pai,
foi lavado por Ti, pela Tua Vida Nova
e quem não Te viu depois, foi lavado por Ti, pela Tua Vida Nova
O que é para Ti o Tempo senão essa Terra, esse chão para Nascer

O Dia começou
O DIA COMEÇOU
com que jubilo tenho eu vontade de o gritar!!!

O DIA COMEÇOU!

O Dia começou e até posso dizer que
ainda que não houvesse espaço na Noite para que o Dia chegasse
ainda que não houvesse lugar dentro de Jerusalém para Te crucificarem
ainda que não houvesse lugar para nasceres
o Amor rompe todos os esquemas,
todos os impossíveis,
todas as ausências de lugar
porque TU ÉS O LUGAR

É conTigo que eu fico
É em Ti que eu fico
na Tua Casa
fazendo também eu chegar esse Dia que és Tu
esse Dia que começou
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Como flocos de neve que fecundam a terra

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A neve é daqueles fenómenos que sempre encanta
esse cair leve ou forte de água em flocos brancos
E se a Ruah estende os braços de vento
quando brinca com eles sorrindo
já não se conhece o destino desses flocos leves leves

Nem o olhar mais aguçado se apercebe dos preciosos tesouros que viajam assim pelo ar
São um efémero espelho da Beleza da Tua Família
Tudo na Natureza não é senão um efémero Hino à Tua Beleza
É coisa Tua, Divino Ourives
Só Tu poderias fazer reflectir assim o Rosto do Amor
na Beleza escondida de um alvo floco de neve
São Cristais delicadamente esculpidos
nenhum deles igual
nenhum deles menos belo, ainda que durem um instante

É como uma chuva de diamantes
que deixas cair assim, suavemente, naquela que fizeste Tua rainha
… a Humanidade inteira
e esses “diamantes”, neve, gelo, água, a tornam fecunda e isso gera mais vida

É incrível como a beleza pode matar ou dar vida assim…

Não há beleza que perdure
senão aquela que faz abraçar com toda a força da verdade a quem se ama



O Amor
esse, não tem cor
esse, o tempo não traz ou leva
esse, não tem pátria
esse, tem a voz da Verdade e a melodia da Paz
esse, é gratuito, totalmente dado
aí está a Beleza que não passa
que permanece
aí estás Tu, Deus Belo
Deus meu
Deus nosso
Traz-nos sempre aquele que geras Filho
Traz-nos sempre Jesus
como neve que cai, que ele se derrame na nossa vida inteira
e com a Ruah, a fecunde de Ti

Vem,
vem sempre,
tu que és o Senhor, o Jesus de Nazaré
vem e fecunda-nos sempre com o anúncio e a vivência aqui e agora do teu Reino
da tua Família

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UM SANTO NATAL DE JESUS DE NAZARÉ QUE VEM,
para todos os que por aqui passam
Um Abraço enorme
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O que há-de ficar

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“E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente.
Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros.
Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram.
Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre”
Miguel Sousa Tavares, in "Não te deixarei Morrer David Crocket", 2005



“Nada do que é importante se perde verdadeiramente…”
No final, diz Paulo, só resta o amor, essa palavra tão gasta e tão mal dita, tão maltratada, tão distorcida do seu autêntico sentido.
Se eu escolhesse ser uma palavra… “amor” como tantos dizem, não quereria ser, certamente.
Devia ser proibido dizer a palavra Amor em vão,
como quem fala do ar vazio sem consistência, que mal se pode palpar, perceber, sentir.

Posso ter Toda a Sabedoria do mundo,
se eu não o tiver,
sou como um piano tão desafinado

Posso ter o dom de prever ou pressentir todos os bons ou maus acontecimentos,
e até ter uma fé tão forte, tão forte, que seja capaz de arrasar montanhas
se eu não o tiver,
sou um nada, absolutamente inútil

Posso ter a generosidade de um Coração enorme
e dar tudo o que tenho e sou
até ao extremo de morrer mártir por boas causas
se eu não o tiver,
tudo isso não serve para nada de nada

E ele, o Amor
só sabe existir com a paciência,
com o cuidado atento,
muito longe da inveja,
não sabe ser arrogante,
não tem mania que é “o maior lá do sítio”,
esquece-se de si próprio,
nem imagina o que é andar a tramar coisas para seu benefício
ninguém o vê irritado
não guarda “coisas”, ressentido, amuado
Não pactua com nenhum tipo de injustiça
Exulta de alegria com a verdade
Desculpa tudo
Acredita em tudo
Tem uma viva esperança
Aguenta com tudo
(1 Cor 13,1-8)

É o Amor!
E o Amor és Tu, meu Rei,
meu Deus a quem quero sempre chamar Meu Dono
porque é a Ti, que és O Amor, que eu quero pertencer
sempre

É em Ti, que és O Amor, que eu quero caminhar
É contigo que eu me quero parecer
É de Ti que eu quero que falem,
é a Ti que eu quero que vejam, cada vez que eu estou presente
sempre
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É uma arte

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É uma arte que demoramos a aprender essa de Saber Esperar, sobretudo quando as coisas não correm bem.

Todos temos coisas que doem e ferem os nossos dias, não é? Mas, se calhar é importante aquela capacidade de nos centrarmos naquilo que é verdadeiramente importante, naquilo que nada poderá apagar, naquilo que é eterno…

E falar em eternidade é intuir o aroma da presença do Deus de Jesus

Aí está tudo o que esperamos

Um Jesus de Nazaré, levantado daquela morte que havia sido combinada entre os “religiosos” chefes poderosos do seu próprio povo, levantado por Deus para uma vida que se torna minha vida e tua.

E então este Jesus não foi engolido pela morte, porque vive para mim e para ti

E então este Jesus não há-de voltar para mim, porque vem para mim e para ti

É o Rei da Esperança, porque foi ressuscitado, levantado da morte, por Deus para mim e para ti

Porque para Deus, nem Jesus nem eu, nem tu, Lhe somos indiferentes



E todos os dias podemos descobrir momentos para “curtir” o que a vida tem de verdadeiramente importante, porque podem ser um ténue reflexo deste Deus que nos levanta de todas as nossas “mortes”, com Jesus

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Llovizna

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… feliz como um pássaro, sempre quero eu ser
e uma flor que rasga a terra, acordando-a
essa terra feita de morte e vida sem alcatrão
essa que cheira a vida quando cai a chuva miúda

Nascer
e nascer
e nascer
eu quereria vezes sem conta
tantas vezes quantas o sol se ergue no meu céu
esse que se veste de luz, devagar
e devagar faz envergonhar o verde ou o branco das montanhas

Quereria nascer
e nascer
e nascer
e erguer-me nesse sol que és Tu
e descer como chuva miúda
“que cai despertando a terra”
para nunca a deixar secar, esquecer, ou adormecer para sempre nos tempos

E nascer
e nascer
nascer sempre de novo
numa liberdade que me fizesse voar
e da terra erguer um voo mais alto que os das águias
e olhando a minha terra ver como a minha sombra passa sem deixar rasto

“… sentir-me raiz da maior das árvores
a que, com seus ramos desnudados, toca a mais alta montanha, toca nas nuvens, e as faz chorar”
sim… queria provocar
arrasar todas as muralhas
essas que calam a voz de quem tem mais garra para fazer chorar do que para fazer sonhar
mas é igual
o chuvisco há-de sempre entrar e despertar a terra
com a frescura da sua permanente novidade de cada dia

Sou feliz, e quero sempre mais
Torna-se verdade mais autêntica a felicidade que traz consigo felicidade à sua volta

Quereria ser pássaro
Mas sou Coração maior que qualquer árvore
Sou do Coração cuja morte não fere nem mata

“Eu queria morrer num dia de inverno
Para sentir a chuva molhar-me o rosto uma última vez
Como se sentisse a Tua boca tocando a minha
E ainda que só por um instante pensar que não era este o meu último adeus
Que morrer é como este chuvisco
Que cai despertando a terra
Com a frescura, a claridade do amanhecer”
e nunca morre
só desperta…









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Espreitei...

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Queria espreitar um bocadinho do que é isso de viver o Teu Reino, Deus Bom,
espreitar por entre as cercas que ainda não me deixam ver tudo claro dentro ou fora de mim.
Espreitei e olha o que eu vi hoje…

Acho que entre pessoas que se amam não existem direitos, deveres ou obrigações.
Entre patrões e empregados, é comum e normal que assim seja, mas entre pessoas que se amam não.

Deus Bom, Pai de Jesus,
Tu não tens o direito de exigir nada de nós,
não tens o dever de nos cuidar
não tens a obrigação de nos amar, ou simplesmente estar connosco nos bons e maus momentos
Se assim fosse, não serias o Pai de Jesus, mas sim um ídolo qualquer…
Tudo o que em Ti acontece e que de Ti brota é Amor doado Gratuitamente

Nós, Humanidade, não temos o direito de exigir nada de Ti
não temos o dever de Te ser fiel, de Te escutar, de nos tornarmos cada vez melhores para sermos dignos de estar na Tua presença (como se fossemos uma caderneta de cromos que é preciso completar para estarmos aptos a entrar em Tua Casa)
não temos a obrigação de Te amar, ou aderir àquele que é a Tua Voz e o Teu Rosto, Jesus

Se duas pessoas se amam, seja em que relação for, o amor é gratuito
é doação gratuita de parte a parte
é acolhimento gratuito de parte a parte
é abertura fecunda gratuita que se volta para outros

És Bom, ó Deus Bom
Tudo em Ti é Oferta, Dom, Gratuidade… Amor pleno

Quero tanto aprender a ser assim também, com aquele que é o Teu Rosto, Jesus,
só assim não correremos o risco de ser Teus “funcionários”, ou fazermos de Ti nosso “funcionário”, com direitos, deveres e obrigações
e aprendemos a ser gerados uns pelos outros, gratuitamente, como irmãos do nosso Irmão Jesus
e saberemos o que é ser gerados por Ti, Deus Bom, como filhos teus,
será isto o Teu Reino, ó Deus Bom, Gratuito e Livre?
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Relva fresquinha

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Oh Papá...
Às vezes é tão bom só querer estar assim...

Como que deitar-me em relva fresquinha,
como quem se deita no teu colo,
e pensar em como estás mais aqui, na frescura verde e tão perto,
que me toca e onde eu toco, do que no céu que lá está tão longe.

Estás aqui no "chão" de mim!
Gosto da maneira como estás sempre, sem magoar, sem nunca Te impores à força...
sempre meigo e atento, mas sempre a "mexer",
sempre a acontecer como coisa muito Boa.

Dou conta dos lugares onde não estás, ou melhor, nas coisas com quais não concordas nada...
aí o "chão" magoa e dói.
Queria que todos os "chãos" fossem relva verde e fresquinha...
eu quero plantá-los conTigo, está bem?

Sabe-me bem olhar para Ti
És BOM.
E gosto de Ti.


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Se assim, por mim, alguém passa

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És o meu Mar…
Se me deixo moldar por Ti, docilmente, em pequeninos grãos me faço
Se resisto à doçura da tua água fico pedra dura que nada quebra
e se, assim, por mim alguém passa, corre o perigo de escorregar e magoar-se

És o meu Mar…
Se olho para Ti, nenhuma onda Tua, mansa ou forte, me arrasta sem que eu queira
nenhuma água forte me apanha sem que eu me dê conta

Se deixo de Te contemplar, estar tão perto de Ti é perigoso
porque as Tuas águas podem chegar a ser violentas, se não Te olho nos olhos…
… se não Te recebo, onda após onda, que nunca páras

És o meu Mar…
Se me deixo moldar por Ti, docilmente, nunca poderei estar só
serei uma praia com mil grãos de areia
e se, assim, alguém passa por nós, seremos caminho seguro que não fere os pés
seremos lugar sereno onde, quem passa, pode sossegar e contemplar-Te
olhar-Te nos olhos e dizer:

És o meu Mar…
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Está perto de ti o teu Deus

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Queria falar-te como quem anuncia…
… como aquela voz, a voz que em nome de Alguém grita em todos os “desertos”

Acolhe a proximidade do teu Deus!
É o eco que hoje se desenha tão nítido dentro do meu ouvido…

Recebe, abraça, acolhe em ti, a proximidade do teu Deus…
… a proximidade da Família que permanentemente te está a gerar no silêncio.
Diz-lhe: “Vem!” se assim O desejas dentro de ti.
Diz-lhe: “Maranatha!”

Não te deixes ficar na plateia, salta de uma vez para o palco da tua própria vida,
pega no teu “papel”, agarra a tua missão…
… o que podes entregar tu ao teu Deus, senão o que tens nas mãos?

Está perto de ti o teu Deus
Está perto
Está junto de ti
Aquele que te ama está contigo

Está perto de ti A Família…
… Família tecida com as veias da Ruah
que une
de maneira misteriosa esse número incontável de rostos de vidas na Vida dO Filho
essa Vida ressurgida pelas Suas próprias Mãos
essa Fonte nazarena de onde faz brotar uma “seiva” luminosa
uma Fonte que jamais secará
dá de beber a toda a Árvore que está no centro do “Jardim”
A minha Família…
Ousa dizê-lo, sim: “A minha Família é a Família de Deus!”

Humanidade minha
acorda dos teus sonos
e sonha dos mesmos sonhos que o teu Deus sussurra ao ouvido do vento
Humanidade minha
agarra de uma vez a Mão que te desenhou, moldou e amou mais que tudo
Humanidade minha
entrelaça os teus dedos nos dedos da Mão do teu Deus
para que nunca te percas do Seu Olhar
para que possas correr com Ele
Humanidade minha
recebe, abraça, acolhe em ti, a respiração do teu Deus…

Não deixes de respirar o mesmo ar que o próprio Deus exala
Não deixes de respirar a mesma vida que o próprio Deus vive
Não deixes desatar os dedos entrelaçados dessa Mão que sempre “trabalha”
… sempre “constrói”
… sempre “molda”
Mãos Redentoras
Salvadoras
que nos justificam
que nos restauram
que nos amam como ninguém

Está perto de ti o teu Deus
Está junto de ti Aquele que te ama

No meio de todas as tuas exultações, de todas as tuas festas
nunca Ele deixa de festejar e sorrir contigo.
No meio dos teus abandonos
nunca Ele te abandona.
No meio de todos os teus “gritos”
nunca deixa Ele de Se baixar para te escutar.
No meio de todos os teus ruídos, divisões, juízos, venenos e pedras que atiras
nunca Ele te julga
mas
Humanidade minha, bem sabes como o teu Deus não sabe fazer outra coisa senão
tomar partido pelo mais fraco, pelo injustiçado e caluniado, pelo encurvado
(pelos anawîm…)
decide bem de que lado queres ficar, por quem verdadeiramente tomas partido
No meio de todo o teu sofrimento
está Ele contigo e contigo sofre
mas Humanidade minha, bem sabes como o teu Deus vê mais longe
É um Deus que acredita em ti
que conhece o enorme Bem, a profunda Paz, a imensa Alegria
a porta da Casa da tua Família escancarada para te receber
pronta
expectante
só por ti

Está perto de ti o teu Deus
Está junto de ti Aquele que te ama
anseia ver no teu rosto, Humanidade minha, os reflexos da Alegria
do Seu próprio Olhar sobre ti
tal e qual quando o teu rosto é iluminado pelos raios de sol
ou iluminado pela ténue luz das estrelas
ou iluminado pela presença de alguém

Deixa-te tecer, Humanidade minha, com os fios dos teus sonhos
a Vida inteira tingida da Alegria de todos os teus irmãos
tecida com todos eles numa Família
a da Ruah
a tua Família

Acolhe o Deus que está tão perto de ti
Acorda do sono
sonha esse sonho da verdade de já estares a ser gerada, Humanidade minha,
a cada instante que passa estás a ser gerado como filho querido
a cada instante que passa estás a ser gerada como filha querida
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Isra-El

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“Lembras-Te daqueles muros que construi?”
agora parece que quase desabam
Dei-te luta, sim… não é sempre assim com Isra-El?
Sou Isra-El há anos e anos a fio.

Procurei-Te
Procuro-Te
Procurar-Te-ei

fora de mim,
em tudo o que sou,
em tudo o que toco,
na beleza contemplada
no olhar de horror que grita por algum socorro
no simples abraço e sorriso da criança
na dureza da maioria de tantos dias de tantos…

Procurei-Te
Procuro-Te
Procurar-Te-ei

Já não o sei fazer de mim para mim
Não será isto “rezar” por alguém?
Procuro-Te e Procurar-Te-ei para a Ti levar quem por mim passar e me der a mão

Procurei-Te
Procuro-Te
Procurar-Te-ei
Segui-Te
Sigo-Te
PERSIGO-TE

De alguma maneira me seduziste
e Te foste tornando meu Dono, o meu Senhor
como quem não quer perder de vista aquele Rumo,
aquele Caminho, aquela Casa, aquele Reino, aquela Família
Meu Dono, o meu Senhor, não como Quem me possui
mas como Quem permite que eu me deixe possuir assim

Às vezes parece-me sentir na pele a Tua Graça
Às vezes parece-me que os meus olhos alcançam a infinitude da Tua Graça
Sempre, através de cada traço, cada pedaço de vida deste nazareno

Oh! Meu Dono…
Às vezes parece-me ter o Coração tão endurecido da aspereza dos rostos de tantas vidas amargas
e o que sou e vivo em cada dia tem-se tornado para mim Sinal
Sacramento vivo da Tua misteriosa, louca, inesperada, amante Presença na minha vida.

Quereria mil vezes agradecer-tO, Deus da minha vida,
mas como se faz isso?

Oh Graça… Doçura… Ternura… Serena Força… Eterna Dança… Inefável Beleza
Tantos nomes tem o Teu “Hálito”,
o Teu “Sopro”,
o Teu “Respirar”,
o Teu… “Viver”…
a Tua Ruah
mil vidas minhas não chegariam para Te louvar como mereces

Quero tanto pedir-Te a Unção dessa Luz e dessa Cura,
como óleo precioso derramado em todo o Corpo
em toda a minha Humanidade
em toda a minha Isra-El
pedir-Te essa Graça…
essa Doçura…
Ternura…
Serena Força…
Eterna Dança…
Inefável Beleza…

Seja como um raio de sol que em todas as madrugadas me trespassa
Como um dourado fio dourado de luar em todas as noites iluminadas
e assim queimes e aqueças todas as frias escuridões do nada sem sentido

Quero ser cada vez mais parte de Ti,
quero tanto levar todos os que por mim passam
a fazerem-se cada vez mais parte de Ti também.
Vais-me soprando ao ouvido como se faz isso?

Viver…
Tenho fome de viver?
Queres viver comigo?
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Um Acto de Co...............ração

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Do lado de dentro…
ou
do lado de fora…?

Dentro da vida
ou
fora dela?

De sorriso aberto
ou
de Coração fechado?

De abraço pronto
ou
de costas voltadas?

Com a pronta palavra de acolhimento
ou
com pronto e sempre injusto julgamento?

Com um silêncio pronto para a contemplação ou escuta?
ou
com aquela simples ausência de ruído exterior, e nada mais, estéril de vida?

Com vontade de ser verdadeira Comunhão com o outros
ou
com o naturalmente humano mal entendido que mina as relações mas ainda assim se teima em não esclarecer, num amuo imaturo durante tempos tão longos que qualquer réstea de respeito e carinho desaparece de parte a parte?

Com aquela audácia de querer ser mais, para mais poder dar
ou
no conformismo de “velhos” que se resignam depressa demais ao que são?

Com aquela atenção ao que se cruza comigo todos os dias, porque já faço parte dele
ou
com tanta atenção ao meu próprio umbigo que nem sei por quem passo, com quem vivo?

Com alegria cheia de esperança de saber que já faço parte da Humanidade ressuscitada
ou
deixo antes que a tristeza permanente me invada, e o desânimo constante, com desespero, o mesmo daqueles que não conhecem o rosto de Jesus?

Sei que cada minuto é menos um que falta para aquele momento de passagem
ou
os minutos e os dias passam por mim sem que eu os agarre e os encha de mim

Do lado de dentro da vida
ou
fora dela, como quem não se compromete a vivê-la muito a sério?
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O meu Mar



Sentia o ruído… todo o barulho do mundo
era como poeira colada na minha pele
era como uma congestão de todo o pensamento
uma saturação de todo o som vazio e esvaziador
e o meu silêncio gritava mais alto
suplicava uma água que me lavasse desta poeira
uma água que me fizesse morrer

Queria mergulhar como fazem os sequiosos de beleza
aqueles que mergulham e encontram no fundo da morte uma passagem
ali no meio da rocha
passam e vêm a uma superfície que nada tem que ver com a anterior
e o que a dura rocha esconde, ali se revela, no mergulho dado
são grutas, galerias daquela beleza que não se descreve
e nenhuma câmara fotográfica sabe prender os seus permanentes dinamismos,
esse movimento constante gerador de uma beleza que não se diz
e é como morrer e viver de novo
de um novo verdadeiramente novo

Yeshuah… Yeshuah…
tu quebraste a rocha

Yeshuah…
quebraste a rocha do Mistério
rasgaste esse véu de uma vez para sempre
mas agora és tu o meu Mar
e é em ti que mergulho
e é pela passagem de ti, minha Rocha quebrada, meu Mar,
que vou percebendo como é tão importante nunca deixar de ser
um desses sequiosos de beleza
um desses famintos de Verdade
um desses denunciadores da injustiça que esmaga o pequeno, os anawîm,
um desses que sangram mais por ser do que por dizer

um desses que são… discípulos

um desses que são discípulos unidos a todos os discípulos teus.

Sê o meu Mar
Quebra todas as rochas que carrego
Lava-me, Salva-me, Envia-me

Pertenço-te
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Gosto de viver

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Gosto de viver
de respirar um pouco e, nesse trago de ar, perceber o Deus maior que eu
e sentir que foi Ele o primeiro a respirar sobre mim

Gosto do cheiro da terra quando caiem nevoeiros onde nada se vê
ou quando a chuva cai miúda e leve
e tudo refresca
e a terra agradece e retribui com um delicioso cheiro a verde

Gosto de gostar
numa tranquilidade que sossega tudo à volta
e de saborear porque, desconfio, sem saborear nada se vive

Gosto de amar
embora tantas vezes me custe tanto perdoar aos que magoam quem mais eu amo
e os que me viram as costas

Gosto quando me estimam pelo que sou,
e quando não me tentam mudar de acordo com padrões de comportamento mais adequados às suas ideias
e quando não me querem assim como quem toma posse de alguma coisa que não pode ser de mais ninguém
Gosto de saber em quem vivo eu com absoluta verdade sem rancores nem ciúmes.

Gosto de ser livre
e assim escolher aqueles e aquelas com quem eu quero moldar-me a partir de dentro
como alguém cada vez mais pessoa
como alguém que está sempre a caminho
como alguém que se sabe sempre sempre discípulo

Gosto de saber qual é o meu lugar e os meus lugares
e se não os conheço aceito o desafio de os descobrir em cada momento

Gosto de sonhar
e sonhar o impossível
desconfio que tudo começa de novo quando um sonho é sonhado

Gosto de ti
e de saber que, de tantas maneiras, muitos de nós estamos ligados

Gosto de saber, Deus Bom… que és “Deus de Vivos e não de mortos”…
que és sempre o meu Dono
que és o Dono da minha vida, eu assim Te declaro
que me desejas assim, semelhante a Ti…
que eu seja cada vez mais o Teu rosto vivo

Gosto tanto de viver!
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Senhor meu

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Queria cantar-te um poema que nunca tivesse sido desenhado
Queria desenhar-te sonhos que nunca tivessem sido criados
Queria criar e recriar a palavra “amo-te” com uma intensidade que nunca tivesse sido dita
Queria dizer-te tanto... mais do que toda esta linguagem limitada, de um jeito encantador
Queria semear estrelas de prata em cada Coração, luzes de esperança, luzes de pão
Queria chamar-te Senhor… meu Senhor… meu Senhor
Queria fazer-te, proclamar-te, designar-te Dono… meu Dono
… Dono absoluto da minha vida
Queria e quero
Quero tudo isto e nada disto me sacia os poemas desenhados
nem os sonhos criados
nem um “amo-te” sempre novo e sempre mais
tudo é pequeno contigo… Senhor meu
tudo é pequeno e tão grande que não cabe dentro de mim
Porque nunca sufocas nem abafas o que somos
De alguma maneira nos cantas connosco aquele poema
De alguma maneira desenhas connosco aquele sonho
De alguma maneira crias e recrias a palavra “amo-te”
De alguma maneira queres dizer tanto
De alguma maneira semeias estrelas de esperança e pão

De alguma maneira me dizes ao ouvido
“pertences-me”…
és “de mim”
“pertenço-te”
“sou teu”
E hoje só quero ficar assim a chamar-te Senhor… Dono de mim…
Entregar-te cada vez mais as rédeas dos meus caminhos
Acolher o teu “lança as redes para o outro lado”
Aceitar que és tu que percebes do “assunto”
e ir
ir sempre
contigo, Senhor Jesus

Senhor da minha vida

Senhor da minha vida

Senhor da minha vida
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