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Cá estou



Perdoa-me, tu que por aqui passas,
Por este repentino mergulho meu no silêncio…
…outros mergulhos podem acontecer, sem aviso prévio…
Os tempos do Espírito de Deus também não são como os nossos
“ Mil anos a Vossos olhos são como o dia de ontem que passou…”
Mas, cá estou de novo, enfim…





Encontrei aquela estranha figura carismática, de novo, com quem ninguém consegue reagir indiferentemente… umas vezes bem e tantas vezes mal. Ousar dizer-lho é coisa de gente tola, seria como enfrentar um animal bastante selvagem e arriscar-se a ficar sem um bocado de si…como já vi acontecer. Seria loucura, sim, porque apontar directamente a alguém os erros que comete dizendo: “Fizeste mal” absolutamente nada faz de positivo… ao contrário da belíssima intervenção “Porque fizeste isto?”= Diálogo, escuta, compreensão, respeito pelo outro.
É, sim. Faz lembrar aquela passagem do Evangelho em que Maria e José buscavam o Menino Deus, em Jerusalém, aquela cidade imensa naquela época do ano. “Porque fizeste isto? Teu pai e eu andávamos preocupados à tua procura!”
Quando se ama cada ser, vendo nele uma imagem ténue do Deus-Amor então se consegue desvendar parte do mistério desta ou daquela figura mais…difícil. Tenho constatado sempre que há sempre uma história de pouca maturidade afectiva… sim, carência de afecto, mais ainda naquelas almas que parecem rudes, agrestes, secas… essas almas são como uma pequena planta a quem faltou a água e o sol feitas carinho. E o que é isso do carinho, do afecto… do amor?... É Deus. Poucas foram talvez as pessoas, nos caminhos da vida, que lhe deram amor, que lhe deram Deus. Ele está em tudo, mas é preciso que alguém eduque o nosso olhar para O “ver”, e aprender a deixar-se amar por Ele. Será talvez a principal missão de todos nós, uns com os outros.

Hoje quero ficar ali, no alto do monte, para onde vai o meu Senhor Jesus, para falar com o Pai… Porque será que tinha o hábito de subir a um monte…?
O alto de um monte é o limite, aquele espaço onde acaba a terra e começa o céu… em todos os sentidos. Será bem difícil estar embrulhado nas coisas da terra e daí erguer os olhos para o céu, seria óptimo, mas nem o nosso Jesus o conseguiu ou quis fazer assim… de vez em quando, lá ia Ele subir o monte, não vivia lá, mas para lá subia muitas vezes. Neste mundo é sempre possível “subir ao monte” de alguma maneira, basta querer.

Santa Caminhada Quaresmal
PORQUÊ, AFINAL, CONFESSAR-SE?

(de uma reflexão do arcebispo Bruno Forte)

Apesar de tudo, não me atrevo a dizer que o mundo é mau e que fazer o bem é útil. Estou , pelo contrário, convencido de que o bem existe e é superior ao mal, que a vida é bela e que viver rectamente, por amor e com amor, vale verdadeiramente a pena.
A razão profunda que me faz pensar assim é a experiência da misericórdia de Deus, que faço em mim próprio e eu vejo resplandecer em muitas pessoas humildes: é uma experiência que vivi muitas vezes, quer concedendo o perdão como ministro da Igreja, quer recebendo-o.

Há muitos anos que me confesso regularmente, várias vezes por mês, e com alegria o faço. A alegria nasce do facto de me sentir amado num modo sempre novo por Deus, todas as vezes que o perdão me é concedido pelo sacerdote que age em Seu nome. É a alegria que vi tantas vezes no rosto de quem vinha confessar-se: não o fútil sentido de leviandade de quem "despejou o saco" (a confissão não é um desafogo psicológico nem um encontro consolatório, ou pelo menos não o é principalmente), mas a paz de sentir-se bem "por dentro" tocados no coração por um amor que cura, que vem do alto e que nos transforma.

Pedir com convicção, receber com gratidão e dar com generosidade o perdão, é fonte de uma paz sem preço: por isso é justo e belo confessar-se.
Quereria tornar participante das razões dessa alegria todos aqueles que conseguir alcançar com esta carta.

E PORQUÊ CONFESSAR-SE A UM SACERDOTE?

Perguntam-me então: porque é preciso confessarmos a um sacerdote os nossos pecados e não podemos falar directamente com Deus?

Com certeza, é sempre a Deus que nos dirigimos quando confessamos os nossos pecados. Mas é o próprio Deus que nos faz entender que é necessário fazê-lo a um sacerdote: escolhendo o Seu Filho na nossa carne, Ele demonstra querer encontrar-Se connosco mediante um contacto directo, que passa através dos sinais e das linguagens da nossa condição humana.

Como Ele saiu de Si mesmo por nosso amor e veio "tocar-nos" com a Sua carne, assim nós somos chamados a sair de nós mesmos por seu amor e ir com humildade e fé, ter com quem pode dar-nos o perdão em Seu nome, mediante a palavra e o gesto.

Somente a absolvição dos pecados, que o sacerdote nos dá no Sacramento, pode comunicar-nos a certeza interior de sermos verdadeiramente perdoados e acolhidos pelo Pai que está nos Céus, porque Cristo confiou ao ministério da Igreja o poder de ligar e desligar, de excluir e de admitir na comunidade da aliança (cf. Mt 18,17).
Foi Ele que, ressuscitando da morte, disse aos Apóstolos: "Recebei o Espírito Santo; os pecados daqueles a quem perdoardes, serão perdoados. Os pecados daqueles a quem não perdoardes, não serão perdoados" (Jo 20,22ss).

Por isso, confessar-se a um Sacerdote é completamente diferente do que fazê-lo no íntimo do coração, exposto a tantas inseguranças e ambiguidades que povoam a vida e a História.

Sozinhos não poderemos jamais saber verdadeiramente se foi a graça de Deus que nos tocou ou a nossa emoção, se fomos nós que nos perdoámos a nós mesmos, ou se foi Ele pelo meio que Ele mesmo escolheu.

Absolvidos por alguém que o Senhor escolheu e enviou como ministro do perdão, poderemos experimentar a liberdade de que só Deus concede, e compreenderemos porque é que a confissão é fonte de paz.

(...) A Igreja jamais se cansa de nos propor a graça deste Sacramento durante a inteira caminhada da nossa vida: através dela é Jesus, verdadeiro médico celeste, que toma sobre Si os nossos pecados e nos acompanha, continuando a sua obra de cura e de salvação.

Como acontece em todas as histórias de amor, também a aliança com Deus deve renovar-se continuamente: a fidelidade é o compromisso sempre novo do coração que se oferece e acolhe o amor que lhe é oferecido, até ao dia em que Deus será tudo em todos.

VIA CRUCIS NA BLOGOSFERA

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Da Elsa recebi a Cruz e nos braços do Migalhas de Deus a entrego...e também ao pequeno Tiago, e à eremita e ao Andarilho dos caminhos de Deus