
E ali estava ela, de uma beleza suavemente discreta…
no meio daquela festa de cores e luz e cânticos de dança.
Por um breve momento cruzou o seu olhar com o d’Ele:
“Eles não têm vinho”
Era ela uma convidada,
como tantos outros que ali estavam que riam, cantavam, dançavam, comiam, bebiam… mas o coração desta Mulher estava bem desperto e ao seu olhar nada passaria despercebido… a certo momento faltava o vinho,
e ela dirige-se para Ele.
No fundo, nada Lhe pede, só Lhe diz, com o olhar e as palavras, o que Ele já sabe:
“Eles não têm vinho”
Falta o ESSENCIAL DA FESTA, ela repara, e di-lo ao Mestre.
Ele só poderia mesmo dizer:
“Ainda não chegou o momento”. Ainda não está na hora! No “querer” de Deus, parece ainda não estar na hora
Só ela poderia quebrar essas horas… para ela não há tempo, porque ela já vive fora dele, ela ACREDITA!
Pode Ele sentir: “Ainda não chegou a Minha hora!” Mas ela nada responde, como se soubesse que há muito essa hora já havia chegado.
Chegou para ela quando segurou nos braços um menino tão pequeno, doce, tão frágil como toda a criatura acabada de nascer… e foi a primeira a chamá-l’O:
“Yeshouah!” (Jesus em hebraico)
E tantas, tantas, tantas vezes o repetiu
e viu-O crescer, e ajudou-O a dar os primeiros passos, ensinou-O a falar,
e tantas vezes O ouviu chamar:
“Amma! Amma!” (mãe em hebraico)
riu com Ele, e com Ele chorou,
curou-Lhe os joelhos esmurrados das brincadeiras com os amigos,
escutou as peripécias d’Ele,
viu-O crescer forte e tornar-Se um homem…
“Yeshouah!” tantas vezes o repetiu…
Hoje continua a olhar nos olhos d’Ele:
“Eles não têm vinho”
Ela olha para ti, discretamente, nem reparas, e vê. Olha então nos olhos d’Ele:
“…não tem vinho”
Ele transforma então toda essa água da tristeza, do desânimo, da solidão, da ausência de paz, da revolta…..
Ele transforma toda essa água em vinho, o vinho da alegria, da esperança, da harmonia, da paz, da serenidade…..
Deixa que Ele, a pedido dela,
te transforme, deixa!

