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O meu coração anseia gritar baixinho para que não permitas
Senhor dos Céus e Terra,
que os ventos não mais agitem as folhas das árvores,
que não deixes quebrarem-se as nuvens em torrentes,
que as pétalas da pequena flor não revelem o quase imperceptível perfume,
perfume e cor que magoa com tanta beleza,
que parasse o vaivém constante das ondas que beijam a areia…
que…

Não posso pedi-lo…. não posso… seria não amar-Te,
Seria não Te amar com todas as minhas forças,
Senhor dos Céus e Terra

Encontrar-Te, Senhor Deus, em todos os espaços,
em todos os tempos e lugares,
em todos os corações,
em tudo que acontece, ou permites? É um desafio…
Tu aí estás… e em que beleza exuberante Te revelas
a olhares mais atentos
Mesmo em espaços tão cheios de vazios…
…em que nada mais lá cabe…
nem a esperança… ainda assim aí habitas Tu, sempre

Um dia esperei, talvez em vão, que palavras,
e cantos, e cores fossem cantadas também para mim,
alma sedenta de Ti, só…
e encontrei nas cores das tuas melodias, um eco triste do meu grito…
mas, assim como veio, assim se vai… ténue, esbatido e cruel grito
que vivo, vendo-o tantas vezes em cores de
medos e angústias
Leva, Senhor, essas cores, para junto de Ti…
ama-as… em harmonias de arco-íris

temo que as andorinhas voltarão a voar para longe…
poderão nunca mais voltar
por instantes de tempo preenchem, ousadas e atrevidas, os Teus Céus, Senhor
com danças a preto e branco
voam rente ao solo, sem medo de quase o tocar, a velocidades incríveis
e logo estão no ar, rodopiando.
Contaram-me os ventos, em segredos,
que elas anunciam muitas vezes a chegada da chuva como benção
em tempos improváveis de chuva

partirão um dia, sim, talvez a missão destas criaturas não seja mesmo
andar muito tempo à vista dos nossos olhares.
mas que importa? Outras virão, e preencherão os ares

Lembram-me a alma que tem saudade do que nunca existiu...
Só se pode ter saudade, do que já se conheceu e viveu, e amou e chorou…
talvez por isso viva a alma a nostalgia da Tua suave Presença…
Quererá isso dizer… que um dia Te conheci, Senhor dos Céus e Terra?
…que um dia, o meu coração já esteve realmente conTigo, meu Senhor Jesus?
Tenho saudades de Ti, meu Senhor e meu Deus…

melodia incompleta...
















Um dia alguém me perguntou porque é que, às vezes, orava eu assim…
repetindo o nome d’Ele…
- O nome daquele ou daquela que amas, e com quem partilhas a tua vida… o nome desse coração, não é belíssimo? E todas as pessoas que depois encontramos com esse mesmo nome parece que já nem nos são indiferentes…


Há homens e mulheres que vivem nos desertos da vida, que saboreiam esse suspiro que tanto também eu anseio… que respiram e expiram o “Nome que está acima de todo o nome, para que, ao nome de Jesus…” (Fl 2,9), se ajoelhem todos os corações…


Jesus, é o nome do Esposo da minha alma…
Aquele com Quem escolhi partilhar a vida inteira, o coração inteiro, a alma inteira, o corpo inteiro… esse nome não me pode ser indiferente… esse nome é uma Pessoa… …esse Nome é o que eu repito, chamando, quando a alma mergulha na escuridão da vida….
…esse Nome é o que eu repito, a gritar de alegria por tanta cor, tanta melodia alegre ou triste
…esse Nome é o que eu repito, a sussurrar docemente, quando a alma sente outros corações a pulsar dolorosamente a vida que fere
…esse Nome é o mais belo barco de papel… é transporte para águas profundas em que, quando aí chegamos, no profundo Coração d’Ele, ainda que imperfeitamente, por breves, breves, efémeros momentos, já não precisamos de repetir esse doce Nome (Jo 16,23) , chamando sempre por Ele, porque estamos verdadeiramente com Ele…
Só aí é que tudo se cala, tudo silencia,
depois de tanto chamar…sem desanimar…
depois de tanto chamar pelo Amado,
Ele faz-nos sentir a Sua Presença, ainda que sempre presente…
e tudo se cala…
num breve, dolorosamente efémero, tocar de olhares…



…que queima amorosamente a alma


fica tu
aí um pouco também,
e chama por Ele, comigo…


A Saga continua.......?

definitivamente... vamos neste mesmo...