Conheço uma pedra...
Conheço uma pedra,
conheço-lhe a veste, em sonhos, dessa pedra….
… é um manto de folhas de Outono, de outras estações….
folhas escritas em
tons de vermelho… sangue
tons dourados… vida
tons amarelos… sol
tons castanhos… morte
Conheço uma pedra,
sem nome
quereria ela habitar
o fundo do lago mais profundo e escondido
lá, onde nada se agita
ao sabor das tempestades…
… porque se vive no centro delas
Conheço uma pedra,
sem nome
sem veste
que quereria ser
… sangue
… vida
… sol
… morte
… tempestade
… fundo escondido do lago sereno
dentro daquelas outras paredes,
as do Teu Coração-Amante,
Amado Esposo da minha alma!
Conheço uma pedra
que arde, sem teimosamente
se reduzir a grãos de poeira como estrelas.
Porque é que tudo o que ela toca
morre e cala?
Raras vezes a vejo quebrar-se e sorrir,
se acontece, só Tu lhe conheces o gesto,
Senhor, Criador das pedras e das folhas de Outono,
só Tu…
É que estranho sempre
o inquietante desejo de saber e conhecer a forma,
as texturas que deverá ter a tosca pedra…
Senhor, meu Deus,
onde se poderá encontrar um hábil artesão,
capaz de corajosamente ferir,
em Teu Nome Santo,
todas essas folhas de tons de…
vermelho
dourado
amarelo
castanho…
… um pobre, mas hábil, paciente artesão,
que saiba e possa, em Teu Nome,
assim burilar essa pedra
que tanto desejaria habitar o fundo do lago,
lá, onde no meio da noite,
se reflecte e entra a ténue luz das estrelas como areia,
lá, onde se dança
ao som de aromas comparáveis aos do incenso,
onde, Senhor, se poderá encontrar?
A alma vagueia pelas ondas,
e não sabe navegar sem uma rota segura.
Conheço uma pedra,
por mais que o fogo a queime
teima em não se reduzir a pó…
… nesses grãos de poeira
que voam livres,
que se baloiçam, rindo como crianças, nos raios de sol
A alma vagueia pelas ondas,
e não sabe navegar sem uma rota segura.
Conheço uma pedra…
penso eu…
… mas não conheço
vejo-a tremer no tempo…
hoje, desta pedra, apenas sei
que o monge, sem viver no tempo,
no tempo só pode viver, hoje e agora, a eternidade…
com letras de ouro
gravadas com fogo ardente
em mim vais esculpindo as Letras Santas
como poderei fugir do teu Olhar
se o Teu Olhar tocou, queimando, o meu coração
que arde sempre que Te escuta
nessas Letras Santas
gravadas com fogo ardente
que reconheço escritas… esculpidas…
em todos os corações, meus irmãos
«Passei a noite a dialogar com o meu coração,
queria meditar e o meu espírito perguntava:
Continuará o Senhor para sempre ausente (…)?
Ó Deus, santos são os Vossos caminhos (…)
Abristes o caminho através do mar…
e ninguém descobriu os Vossos vestígios…»
Sl76
e ninguém descobriu os Teus sinais…
e ninguém descobriu os Teus sinais…
e ainda eu me pergunto:
como poderei eu ter a ousadia
de escrever os “salmos” dos dias de hoje?
deveria calar… deveria calar…
gravadas com fogo ardente
em mim vais esculpindo as Letras Santas
como poderei fugir do teu Olhar
se o Teu Olhar tocou, queimando, o meu coração
que arde sempre que Te escuta
nessas Letras Santas
gravadas com fogo ardente
que reconheço escritas… esculpidas…
em todos os corações, meus irmãos
«Passei a noite a dialogar com o meu coração,
queria meditar e o meu espírito perguntava:
Continuará o Senhor para sempre ausente (…)?
Ó Deus, santos são os Vossos caminhos (…)
Abristes o caminho através do mar…
e ninguém descobriu os Vossos vestígios…»
Sl76
e ninguém descobriu os Teus sinais…
e ninguém descobriu os Teus sinais…
e ainda eu me pergunto:
como poderei eu ter a ousadia
de escrever os “salmos” dos dias de hoje?
deveria calar… deveria calar…
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