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... e moldei-o


Peguei num grande amontoado de anos
e meses cheios de semanas
que tinham muitos dias... repletos de horas
Peguei em tudo isto,
com as minhas duas mãos,
Mãos que são a continuação dos meus braços,
serenos de abraços vivos, causa de renascimentos,
braços que fazem parte de mim,
braços ligados ao Coração
Coração que inexplicavelmente cresce a uma medida que eu jamais conhecera.

E de todo esse amontoado de horas de tantas cores e aromas e melodias
feito tempo a que chamamos... passado... moldei-o,
moldei-o com as minhas duas mãos,
e com olhos novos
um olhar que eu aceitei e desejei vestir,
assim, moldei-o...
... moldei um cavalo livre
... moldei um pássaro de asas tão longas que, ainda que as tentem cortar,
hão-de sempre haver ainda asas
tão grande é a envergadura que vão silenciosamente tomando

só voa para Ti
Voa conTigo e para Ti

Toma o rumo desse voo
Leva-o conTigo, e nesse voo leva quem quiseres...
Voa conTigo e para Ti
Yeshuah, Amor meu, Casa minha!...

A Casa...


Era uma Casa
cheia de uma luz muito suave e quente

Ninguém sabia, dentro dela, vestir olhos tristes,
todas as palavras estavam escritas nos sorrisos...
... e no ar pairavam os aromas das danças
umas vezes velozes, outras vezes doces...

A mesa estava sempre pronta,
jamais faltavam ali os sabores da festa cheia de cor
e os vinhos da comunhão... nos olhares que se tocam e se unem n'UM só

Nada se recorda...
Nada se espera...
porque Tudo se vive, depois de finalmente acordar do sono!...

Era uma Casa
e são os Braços que esperam por mim
e quanto mais, também eu, os esperar
mais forte será o Abraço
melhor se dançarão todas essas melodias eternas que ainda não conheço
e o Coração expandir-se-á tanto quanto é grande a Terra e o Universo inteiro
estarei aí
para sempre junto ao Teu peito Yeshuah, Amado meu,
é aí que ouço o ritmo dessas eternas melodias, sempre novas, tocadas pela Ruah,
acarinhadas pelo Abba num... eterno concerto musical

Hoje, Amado meu,
tenho saudades desta Casa
tenho saudades deste "lugar" onde nunca entrei...

"amanhã" sei que "acordarei" finalmente aí
o meu Coração diz isto o tempo todo,
e hei-de ver como são pequenas estas minhas palavras
diante do TODO que És... Casa minha, Amor meu...


"Quanto mais nos voltamos para Aquele que é desejável,
mais a ferida aumenta.
Por vezes, acontece uma tal suavidade interior que o ser, incapaz de se conter,
não sabe o que fazer ou o que ser.
É a alegria propriamente dita:
ele pergunta-se se vai morrer, de peito despedaçado.
Mas o transporte contém-se tanto que o extático está em presença de um testemunho;
porque Deus vela sobre a honra dos seus amigos.
É a embriaguez espiritual,
é a loucura três vezes sublime."



Jan Van Ruysbroeck (1293-1381)