Porque tens medo de nascer?
Bebe e come pedaços de intensa e suave luz da Verdade que é sempre nova,
que trespassa a quem lhe abre a porta,
como uma brisa fresca numa tarde de Verão…
Sacia-te à mesa das melodias que nunca acabam, hoje
Ergue o passo nessa dança que aprendes com Aquele que te ama
Corre… voa ao encontro d’Ele…
… sim, pergunta-Lhe, sem hesitar fala-Lhe…:
Quem és Tu, Deus que Te fazes meu?
Quem és Tu?
Quem és Tu que estás em mim mais do que eu saiba estar em mim?
Quem és Tu que tanto me encantas no Teu Primeiro, o nazareno Yeshuah?
Tanto me encantas…!
Quem és Tu, que és fome e saciedade de Comunhão plena?
Quem és Tu, Deus inteiro?
Quem és Tu, que Te escondes, revelando-Te,
na beleza do nosso dançar,
na frescura do nosso olhar,
na sinceridade do nosso sorriso,
na verdade sincera da nossa presença
na intensidade com que vivemos e nascemos?
Quem és Tu, Deus que montaste a tua tenda na Beleza,
cantas com as cores,
que danças em nosso redor
como um menino,
como um menino encantado e cativado pelo nosso rosto mais profundo?
Quem és Tu, Deus,
que tudo o que digo é sempre tão pouco e tão pequeno,
e no entanto não és grande nem grandioso senão no Amor
no Amor que sempre anseia que o outro seja mais?
Quem és Tu, Deus que Te fazes meu, e diz-me,
porque temos nós medo de nascer nos Teus braços?
agradeço-te...

nasceu do mais dentro de ti um mistério revelado
nasceu aquele ser que já conhecias, sem conhecer
com ansiedade o esperaste, e mais esse ser te esperou
antes de ver o seu rosto, já ele tinha aprendido o tom da tua voz
e já se havia entranhado dentro dele o ritmo da batida do teu coração
e aprendeu e decorou cada traço do teu rosto e dos teus gestos
adivinhou-te cada sorriso e cada olhar de desagrado
amou-te, se te deixaste amar
nasceu do mais interior dos teus sonhos
e ainda com tanto mais ainda o que sonhar
recebeste-o nos teus braços
aconchegou-se no teu colo,
e nunca o teu olhar se cansou de repousar nesse ser, adormecido
no teu colo sonhou o primeiro sonho
no teu colo chorou
no teu colo sorriu
no teu colo chamou por ti a primeira vez de tantas outras
do teu colo partiu…
e sem nunca ter deixado de nascer de ti
em misteriosas fecundidades outro colo se tornou
agradeço-te,
porque és mãe,
porque és pai…
… se em cada dia geras vida
.
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onde...
onde está a Tua força,
senão nas ondas do mar?
onde está o Teu poder,
senão nessa semente mergulhada nas ondas da terra,
que tocará um dia os céus, entre as nuvens,
esse pedaço de vida que hoje cabe na minha mão
será mil vezes mais alto que eu, e pode nunca caber no meu abraço…
onde está a arte das Tuas danças,
senão no vento que nunca sabemos de onde vem ou para onde vai,
esse sopro inesgotável sempre imprevisível,
que ninguém pode apanhar na sua mão, nem prender
onde está a Tua agilidade,
senão no voo rápido ou a planar de uma gaivota?
onde está o Teu encanto,
senão na pureza de todas as belezas que deliciam o nosso olhar?
onde está a Tua sedução,
senão nos ímpetos que formam o nosso Coração inteiro,
esses que sempre nos sussurram o Teu Nome,
porque somos Teus e para Ti, conTigo
onde está o Teu Silêncio,
senão na espera dos tempos cheios de anos e meses e dias,
senão nesses momentos únicos e irrepetíveis
em que podemos nós, ser mais nós,
para podermos ser conTigo
onde está a Tua fome,
senão em todos os que procuram todos os pães que mantém a vida?
onde está a Tua nudez,
senão naqueles que não têm ninguém que os vista
com todas as vestes da dignidade e a liberdade de serem felizes
com todas as vestes que os inserem como pessoas numa sociedade mais justa?
onde está a Tua presença viva, a Tua esperança, o Teu sonho,
a Tua Comunhão feliz connosco,
senão no Teu Nazareno que aqui e agora está?
onde estão os Teus discípulos e discípulas,
senão naqueles que sentem arder o Coração em Ti…
… e não conseguem conter-Te dentro de si mesmos
e não sossegam enquanto não inflamam tudo e todos dessa deliciosa inquietação
onde está a Tua voz,
senão no sossegado, e inflamadamente inquieto Coração dos profetas de todos os tempos…
… desses que não sabem senão expirar sobre todos a Tua Ruah,
porque neles provoca ânsias da Tua fecundidade amante, salvadora, libertadora,
provoca a denúncia de tudo e todos que tornam o ser humano mais pequeno do que é
onde estás, meu Amor Inteiro,
senão aqui, comigo, sempre,
em que tantas vezes Te escuto o Silêncio Fecundo?
… faz-me fiel, fiel a todos os Teus apelos dentro e fora de mim…
onde estás, meu Amor Inteiro,
meu Deus Amante,
senão aqui, comigo, sempre?
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