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Ayeca... Ayeca...





Deus Bom
Deus Grande
Amor que és Deus
Amor que te fazes menos que o Coração Humano,

fazes-Te menos tanto quanto sempre se faz menos quem ama muito,
fazes-Te menos para que este outro, que somos nós, barro moldado por Ti,
sejamos mais…
sejamos nós…
é só o que Tu és…
é só o que o Amor, que és, faz…
dás espaço… esperas…
… anseias que nos aproximemos de Ti, pelo nosso próprio passo!

MoldasTe e acarinhasTe o sonho que saiu das Tuas mãos
esse sonho sou eu
e chamas pelo barro moldado por Ti
chamas… em silêncio chamas…
em silêncio chamas… e em silêncio, todo o Coração te escuta

“Ayeca… Ayeca…”
Nos chamas, nos jardins da nossa vida
“Ayeca… Ayeca…”
Nos chamas, como uma mãe hebreia chama pelos filhotes

é aí que estás, no desejo que temos de Ti, algumas vezes deturpado por nós,
nesses mais profundos anseios que levamos,
outras vezes ansiamos a Tua Respiração
desejamos ardentemente a Verdade que és Tu
queremos essa Comunhão que és… infinito Amor…

A Tua Criação inteira escuta o Teu pedido de resposta!

A mim… às vezes, custa-me chamar-Te Deus…
Às vezes entendo
entendo porque nunca na Boa Notícia de Jesus,
o escutamos a chamar-Te Deus…
porque és Pai Amante e Amado… nunca um Ídolo distante
a palavra “Deus” é uma palavra pobre, diante de Ti

Abba… Abba…
Torna forte e irresistível a Ruah que deixas circular nas nossas veias
cada vez mais viva… cada vez mais presente
Que nos contagie da Tua própria Vida

MoldasTe e acarinhasTe o sonho que saiu das Tuas mãos
esse sonho sou eu
e respiro da mesma Vida que Tu, Abba meu
Vida minha… Amor meu… Comunhão que desejo ardentemente…

Leva-me nos teus braços, Yeshuah, que és o Primeiro de mim e de tantos, comigo…

MoldasTe e acarinhasTe o sonho que saiu das Tuas mãos
esse sonho sou eu…




Toda a escuridão se desfaz, quando deixamos entrar a Luz do Amor-Deus

Já falámos então como os escritores dos relatos da Criação vêem Deus como um Oleiro a moldar o Ser Humano a partir do barro, da terra (adamah), e que lhe sopra o alento (Ruah), o Seu próprio Espírito de Vida… para que o Ser Humano viva, e viva assim da Sua própria Vida Criadora, dando ao Ser Humano dignidade para assim se “criar”, se construir a si próprio e construir relações de comunhão.

Escrevem um Deus que forma o Ser Humano (Homem e Mulher) = Adão (Adam), a partir da terra (Adamah).
Escrevem um Deus que forma a Mulher (ishah) como a outra parte do Homem (ish)… curiosamente quase dando a entender como a Mulher é mais humana, por natureza, do que o próprio Homem, porque nos relatos o Homem é criado do barro, e a Mulher é criada do Homem.

Mas, se os escritores hebreus intuíam profundamente que tudo foi criado por Deus, como se poderia entender a existência do MAL, num universo criado por um Amor-Deus que é BOM?

Desculpa-me, mas recuso-me a acreditar no que já tenho ouvido dizer várias vezes… a “teoria” das dualidades: “Se existe branco, tem que existir preto”, se existe Bem tem que existir Mal… por favor, não acredito nisto!...
Seríamos universo tão limitado, tão pequeno, tão pouco criativo se tudo se resumisse a esta lógica demasiado… lógica!
Deus e tudo o que é criado por Ele… este universo inteiro que vejo como uma explosão de Amor do nosso Deus, esta Família que Ele é, que transbordou de Amor por já não o conseguir conter somente em Si, porque nunca o Amor consegue fechar-se em si… e permanentemente cria e recria e dignifica sempre mais e mais o outro, amando-o ao ponto de sempre lhe dar espaço para que sempre seja mais, mais seja si próprio.

É impossível, acredita, que um universo criado por um Deus assim seja um mero conjunto de dualidades… NÃO PODE!...
Já ouvi até o completo absurdo de que juntamente com a existência de Deus Bom, teria que existir o “deus-mau” ao qual acabam por idolatrar, crendo na sua existência personificada, a quem atribuem a causa das nossas tentações de praticar o mal… mas disto falaremos mais tarde.
Deus e toda a Criação é muito mais… muito mais!

Como expõem então os escritores do Livro das Origens a questão da existência do Mal?

São essencialmente dois os mandatos que os escritores do Livro das Origens colocam simbolicamente Deus a propôr:
- Enchei e dominai a Terra
- Podem comer de todas as árvores do jardim, excepto de uma

O parentesco tão próximo entre Adam-adão e a Adamah-terra, de onde foi formado, torna evidente esta ligação entre o Ser Humano e todo o meio que o envolve, na comunhão com todos os outros Seres Humanos que formam parte consigo mesmo. Por isso é evidente a participação na continuação da criação da Terra, trabalhando-a e cuidando-a com respeito, num acto de comunhão.
Propondo o outro mandato (bem pequeno, aliás!) de comer do fruto de todas as árvores do jardim, excepto de uma, os escritores bíblicos simbolizam assim o modo como entendem o Deus que revela ao Ser Humano o quanto o quer livre e responsável por si próprio.
O Ser Humano é assim uma pessoa inteira diante de Deus, capacitado para lhe dar resposta, e não um objecto da vontade dEle… e não terá jamais um destino pré-determinado, pois o Ser Humano faz a sua própria história, responde por si próprio, livremente, aos apelos que traz no próprio Coração, feito à imagem de Deus, ou seja, feito para a Comunhão de Amor… é assim que se plenifica.

Se o Ser Humano é capaz de desobediência, então a sua obediência é sempre uma manifestação da sua liberdade.

O mal acontece, sim!... Porque nenhum Ser Humano nasce perfeito, acabado… rematado. Seria tão indigno da parte do nosso Deus criar-nos acabados… tirar-nos-ía assim a capacidade de O escolher livremente. E o Amor é sempre livre, e sempre liberta! Deus que é inteiramente e só Amor, respeita-nos demasiado para não nos deixar escolher… Ele jamais saberia invadir a nossa vontade!...

Todos nascemos com esse potencial forte e profundo de nos tornarmos plenamente humanos, como Deus nos sonhou.
Gosto sempre da imagem da semente… um pinhão, por exemplo, maravilho-me com a capacidade que já leva dentro de si toda a força, ali, que cabe na minha mão, e se poderá tornar num pinheiro tão alto e tão forte que não caiba no meu abraço… desde que tenha as condições crescer e ser aquilo ao qual é chamado a ser.
Eu e tu somos responsáveis por estas condições que proporcionamos aos outros para crescer. ISTO É FUNDAMENTAL!...

E… há quem fale disto muito bem.
Proponho-te que passes por AQUI, o Rui Pedro já falou deste assunto com muita clareza (espero que ele não se importe deste meu abuso, eheheh)

Estou a caminho, contigo!...

Eis o Sonho!...




Os escritores do Livro das Origens colocam no centro o Ser Humano e descrevem o modo como intuem o seu lugar:
- diante da relação que estabelece com o mundo que o envolve
- diante da relação que estabelece com os outros seres humanos
- diante da relação que estabelece com Aquele que tudo criou
Tudo isto no mais profundo anseio de fazer Aliança=Comunhão com o mundo que o envolve, com os outros seres humanos, com Aquele que tudo criou
Dão a entender que parece estar sempre tudo isto interligado de modo misteriosamente belo.

E é neste tom que começam os relatos, como que a dizer:

EIS O SONHO da perfeição da Aliança e Comunhão que tanto o nosso ser inteiro deseja… o nosso Deus, um Amigo íntimo que passeia no jardim da nossa vida… onde não faz sentido esconder algo, onde nada existe que possa envergonhar…

EIS O SONHO mais profundo que temos.
Um “lugar” onde possamos ser totalmente nós, participantes, colaboradores do próprio Amor-Deus na Criação da Terra onde caminhamos, na Criação da terra que somos nós mesmos, na colaboração da Criação das “terras” que são os nossos companheiros e companheiras de caminhada, nesta crescente sintonia com o Amor-Deus.

EIS O SONHO!!!

(Confesso-te uma coisa… às vezes penso que o Livro das Origens poderia ter mesmo um nome diferente, sobretudo nesta parte dos relatos da Criação…
Eu chamá-los-ía LIVRO DO SONHO QUE TODOS LEVAMOS DENTRO DE NÓS e colocá-lo-ía no fim do conjunto dos livros da Bíblia… como a imagem de um desejo, de uma meta a atingir.
Mas até está muito bem no início do conjunto, pronto (eheheh)… porque é no início que se fazem os projectos de vida e se estabelecem metas a atingir.)

Estes relatos estão vivos e ACONTECEM HOJE E AGORA!
A Génesis da Vida acontece hoje!
A Criação permanente acontece hoje!
Adam,
Ser Humano inteiro em todas as dimensões que referi há dias, hoje, sou eu, hoje és tu.

Como entendiam então os escritores hebreus destes relatos … que símbolos usaram para escrever?

7 DIAS = número que simboliza a plenitude, para a qual o Ser Humano (criado no dia 6) está chamado a ser com Deus

TREVAS e LUZ = conhecimento, descoberta de Deus em todas as oposições que surgem na vida e nos causam divisões interiores até que aprendamos a deixar que a “luz” de Deus vença as “trevas” que são ausência de Deus.

Deus DISSE e CHAMA = a PALAVRA que é o sonho, o desejo, na convocação, no convite que Deus faz a participar na Vida

LUZEIROS PARA O DIA E PARA A NOITE = O Sol, a Lua e as Estrelas, adorados como divindades por outros povos, são pelo povo hebreu, designados apenas com meros luzeiros. Além disso simboliza também como, mesmo na escuridão, Deus garante sempre a presença da Luz. Deus que vence sempre a escuridão.

ADAMAH = terra… barro…

ADÃO ou ADAM = Ser Humano (é o Homem e a Mulher), é da “terra”, é do “barro”… é dito como criado à IMAGEM E SEMELHANÇA DE DEUS… anunciando assim a sua infinita e inquestionável dignidade e a sua vocação ao Amor, à Aliança, que é o que Deus é.

EVA = Vida/Vitalidade. Mulher com o outro lado, não por ser diferente sexualmente, mas porque é companheira, cooperante em igual dignidade com o Homem.

DESCANSO DE DEUS = é Deus visto como dando espaço ao Ser Humano para ser continuador de toda a sua Criação. É também o símbolo de Deus que, no 7º DIA espera pelo Ser Humano que criou e se começou a construir a si próprio ao 6º DIA.

Espero mesmo muito que o que acabaste de ler te dê uma grande vontade de saboreares, tu própri@ a leitura da beleza destes relatos, e neles te vejas…