
Nascemos e parece que todos os momentos que recordamos como felizes foram aqueles em que nascemos com alguém, ou em que ajudámos alguém a nascer, mais uma vez, e com um sabor a novo.
Saímos do conforto de um útero onde flutuávamos até que chega AQUELA HORA em que nos tornámos tão “grandes” ali, que precisamos, temos vontade mesmo, de “dar um salto”.
E depois, nascer, dói!...
É sair do que se conhece, onde parece que já não conseguimos caber, porque o que vivemos já se tornou pequeno demais para o que sonhamos…
… e saímos para entrar…
… para entrar num outro útero, que ainda não conhecemos bem, e nos há-de gerar de novo.
Nesses primeiros instantes, a fragilidade e a dependência são a música de fundo da nossa vida…
… um mundo em que nos maravilhamos, em que tudo é novidade, cada cor contemplada, cada aroma que se respira, a textura de cada toque, cada gosto saboreado, cada melodia agradável ou estranhamente diferente!
Somos como um pinheiro de 2 cm que, a partir de dentro, acabou de rasgar a terra e espreita a luz… tão frágil... e quanta seiva luminosa já lhe corre nas veias, já trás em si o que há-de ser, e se quiser crescer, será mais largo que o meu abraço, e tão alto que há-de conseguir tocar os céus… sim, estes 2 cm que agora poderiam acabar debaixo do meu pé.
É assim que a gente se começa sempre de novo, tenha 2 cm, ou 170 cm… começa sempre de novo “pequeno”, frágil, dependente.
Ninguém “nasce” crescido.
Às vezes deixamos de viver quando nos recusamos a nascer… quando nos medimos, nos contentamos com o que somos sem querer voar mais alto, e instalamo-nos tão bem neste útero, como se este colo fosse eterno, e não feito só mesmo para nos gerar de novo.
A vida é mesmo nascer e nascer e nascer, e não acabamos de entender este mistério delicioso.
E crescer é sonhar, arriscar, cair, levantar-se e sonhar de novo.
Sim!
Somos feitos de Sonho!
Somos pedaços de Ousadia e também Medos!
Somos Quedas e Falhanços!
Somos Memórias das Quedas e Falhanços que tantas vezes deixamos que nos bloqueiem!
Somos gente a fazer-se quando se entrega à Força de se erguer sempre de novo!
Somos Felicidade!
Somos Liberdade!
Somos Amor a descobrir-se e a fazer-se Amor!
Somos Coragem de fazer girar este círculo da Vida…
… para nascer de novo,
… para gerar de novo,
… para comungar com alguém com quem nascemos… de novo.
Somos Tristeza, Escuridão quando cegamos e deixamos de ver o verdadeiro lado das coisas
Somos Desilusão quando achamos que nada vale a pena
Somos Solidão quando pensamos que ser gente é coisa que se consegue “a pulso” e a saber muitas coisas, ou com muitos diplomas, ou com lugares em cadeiras importantes de onde se pode mandar em muitas pessoas, ou quando achamos que a felicidade, a máxima realização, existe no TER e não no SER… e nos fechamos à volta de nós mesmos, e colocamos o mundo a girar à nossa volta, e nos tornamos o ídolo de nós próprios, sem perceber que não há riqueza maior no mundo que o outro, aquele que está fora de nós e que nós podemos fazer feliz!
Somos tudo isto porque somos o Sonho do Abba que nos desenhou e nos beijou com a Sua própria Respiração criadora, que nos capacita a pegarmos em nós mesmos, e criarmo-nos, nascendo e renascendo sempre de novo, como partes desse esboço final e acabado que é a vida inteira do Yeshuah de Nazaré.
Únicos e irrepetíveis somos um só traço com ele.
Com ele somos o espelho onde o Abba Se delicia a contemplar-Se, vendo-Se Amor gerado, multiplicado…
Pediste-me que dissesse o que é ser gente, e nunca o acabo de descobrir e de me maravilhar com isto, porque tal como o Abba é criador, Ele quis criar-nos assim, com a capacidade de nos criarmos a nós próprios… é um mistério belíssimo que nunca se esgota nem se desvenda em mil palavras…
.
.
.
.

