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Anawim Yeshuah

Hoje estou aqui, porque queria dizer alguma coisa do que arde dentro de mim.
Até me custa a crer como a minha sede de Deus, que foi a origem primeira deste espaço, também fez com que conhecesse e estabelecesse relações de profunda comunhão com pessoas, das mais bonitas de toda a minha vida.

É bem verdade o que alguém me disse há tempos…
“Quando fazemos perguntas a Deus, as respostas são sempre pessoas”…
Cada vez mais tenho entendido que é mesmo isso, Deus dá-Se, entrega-Se, oferece-Se pelas mãos, rostos, Coração, sorriso, abraço, ouvidos de alguém. Posso ser eu, podes ser tu… é só preciso que sintamos dentro de nós a urgência do anúncio da Notícia Boa que Deus está aqui, sim aqui mesmo sentado ao lado… e não sentado numa nuvem qualquer, lá no alto bem longe, de coroa na cabeça, com uma espécie de tabuleiro de xadrez à frente, que é o mundo, a fazer e a desfazer a vida de toda a gente (era esta a imagem que eu tinha de Deus, quando era criança, e até depois… sempre que me punha a pensar nestas “coisas” de Deus)…

Respostas… era o que eu buscava… e também uma vontade de me dar, e este era o modo perfeito para mim porque tenho uma vida um pouco fora do comum.
Acho que cheguei a um momento da minha vida em que, apesar de aparentemente assente, nunca me deixa de Coração conformado, instalado… já passei por algumas aventuras e desventuras… já chorei muito, já sorri muito, já conheci gente que me quis fazer muito mal, já conheci gente linda que de todas as maneiras me quis ajudar, já conheci gente que me olhava de alto a baixo e não conseguia gostar de mim, já conheci gente que com um simples sorriso me pareceu ganhar-lhe toda a confiança em mim.

Hoje sou alguém a quem Jesus disse também: “Levanta-te!”
Jesus, que em aramaico se diz Yeshuah, é todo ele essa revelação de um Deus absolutamente inesperado que, se não pudesse ser Deus de todos, escolheria ser apenas deles: dos pobres, dos pequenos, dos sem-Deus, sem-tecto, sem-pão ou sem-pátria.
São esses que na língua de Yeshuah se chamam os Anawim…
Literalmente a palavra Anawim significa “Encurvados”. Todos os que são obrigados a viver sob um peso imposto, encurvados sob a opressão da história, do seu pecado, dos seus fracassos… Os Anawim são os que vivem abaixo de si mesmos, sem gozarem de dignidade nem terem já motivos para esperar um dia serem felizes.
A estes Jesus dizia: “Levanta-te! Põe-te de pé!”…
Eles procuravam-no, e no encontro com ele renascia a esperança, curavam-se as feridas e muitos passavam da morte à Vida!

Para os Anawim, o que Jesus dizia e fazia, a maneira como se sentava com eles à mesa ou lhes dizia que os seus pecados estavam perdoados era uma Notícia tão Boa que só podia vir de Deus mesmo…

E eu chamo-me assim, também: Anawim Yeshuah. Não preciso de ser mais…
Não preciso de outro nome aqui, nem idade, nem rosto, nem sexo, nem cultura… Só gostava de ser a Voz de qualquer coisa em que acredito profundamente: que no Yeshuah, Deus revela e realiza o Seu Carinho, um Carinho cheio de poder salvador, por todos os Anawim da história humana. Só gostava de ser a Voz deste Carinho de Deus que Se faz Companheiro e Esperança daqueles a quem roubaram o direito de sonhar, ser perdoado, ser amado e ser feliz.

Nestes dias agradeço-te a ti que também fazes parte deste espaço.

Um Abraço Grande!...

Pois quero...

Quero ser mais... e tu?...
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"Quero ser mais também...
quero continuar a aprender e sentir contigo...
quero ser sempre um pouco mais motivo do sorriso lindo que é o d'Ele."
Ni
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Dia do Fiéis Defuntos



Celebrámos, há dias, o Dia dos Fiéis Defuntos.
E sobre este dia tenho uma vontade enorme de partilhar o que senti sobre uma entrevista feita num pequeno noticiário argentino, já há alguns anos atrás, feita ao Pe. Ariel Valdes, especialista em Escritos Bíblicos.

Antes de mais coloco duas importantes citações que falam claro sobre este assunto.
Diz-nos a Boa Notícia escrita por Marcos que, numa ocasião, os saduceus, um grupo de judeus que não acreditava na ressurreição, colocaram a questão a Jesus de uma mulher que enviuvara sem dar descendência ao seu marido com um filho, e que, segundo a Lei, o irmão do falecido deveria casar com a mulher para garantir a descendência do irmão… mas este morrendo também, coube ao irmão seguinte casar com ela… e eram 7 irmãos… a questão que colocam é «“Finalmente morreu a mulher. Na ressurreição, de qual deles será ela mulher?” Disse-lhes Jesus: “Não andareis enganados por não conhecerdes as Escrituras e o poder de Deus? Quando ressuscitarem de entre os mortos, nem casarão, nem se darão em casamento, mas serão como anjos nos céus. E, acerca da ressurreição dos mortos, não leram do livro de Moisés, no episódio da sarça, como Deus lhe falou, dizendo. Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob?
Não é Deus de mortos, mas de vivos.”»
Mc 12, 22-27

Os mortos não existem!
Soa-nos estranha esta afirmação, para muitos de nós.
Existe o momento da morte, existe uma ausência daqueles que morrem… mas…
Não existem mortos!

Talvez ainda mais escandalosa é a afirmação de que, ao morrer o corpo, também morre a alma, se quisermos usar estes termos… e é assim o Corpo inteiro que é corpo e alma que é ressuscitado no momento da morte.

Diz Paulo:
“Todos os dias morro pela glória que de vós tenho em Jesus Cristo.” 1Cor 15,31
Faz-me pensar que é agora que continuamente morremos até nada mais restar deste Corpo. E no momento em que se der a morte, então Deus nos ressuscita para nunca mais morrermos, e viveremos fora de todos os limites do tempo que passa.
É curioso o modo como Paulo, a essas primeiras comunidades seguidoras de Cristo, longe de Jerusalém, fala da primeira Humanidade e da segunda Humanidade… o primeiro Adão, e o segundo Adão…:

“Semeia-se corpo natural e ressuscita-se corpo espiritual.
Se há corpo natural, também o há espiritual.
Por isso, está escrito: «A primeira Humanidade, Adão, foi feita corpo que recebeu de Deus o sopro da vida de Deus;
O último Adão foi feito corpo dado por Deus que dá o sopro da vida de Deus».
Mas não é o espiritual que vem primeiro, é sim o natural; o espiritual vem depois.”
1Cor15,44-45
Se quisermos usar os termos corpo e alma, então eu digo que, no momento da morte, morre a pessoa inteira que é corpo e alma… O corpo morre e a alma morre.
Inteiramente é ressuscitada por Deus no momento da morte.
Por isso, os mortos não existem, como já referi.

Durante muito tempo nos foi ensinado que o corpo morria, e a alma subia para um lugar qualquer à espera de ser julgada, e depois no fim dos tempos, no dia da ira e do juízo final, então o corpo ressuscitaria e assim se poderiam juntar o corpo e a alma, voltando a viver. Mas, com que corpo, afinal?

Esta foi a resposta que a Igreja encontrou para esta questão, há muito tempo atrás, influenciada pelo pensamento do filósofo Platão que afirmava que o corpo era a causa de todos os males e doenças, ao contrário da alma que era a causa de toda a bondade e virtude. Era preciso então desprezar, castigar este corpo por ser causa de pecado e de afastamento de Deus, que aprisionava a alma, bloqueando-a de praticar livremente o bem e a afastava da relação com Deus.

Hoje a Igreja procura dar uma resposta diferente… sempre em busca e mais de acordo com a Verdade.
Todos sabemos que é com o corpo que agimos, falamos, abraçamos, sorrimos, amamos, animamos, ajudamos… e por isso este não pode ser totalmente mau. Se quisermos usar a linguagem do corpo e alma, então que o entendamos como 2 características do ser humano que jamais se poderiam separar porque simplesmente deixaríamos de ser nós próprios e passaríamos a ser uma outra coisa qualquer.

No momento da morte é a pessoa inteira que morre!...

Com que corpo afinal, nesse instante da morte, ressuscita?
Por exemplo, no caso de transplante de órgãos, o órgão que é doado vai fazer parte do corpo ressuscitado de quem, do doador ou daquele a quem foi doado?
E se o corpo e alma morrem, e no momento da morte ressuscitam, o que está então nos cemitérios?

Os cientistas dizem que em cada minuto perdemos milhares de células que o nosso corpo renova continuamente, em quase todos os nossos órgãos.
Em cada 2 semanas renovamos metade das nossas reservas de hidrogénio, sódio, fósforo.
Em cada 2 meses renovamos toda a reserva de carbono no nosso corpo.
Em cada ano renovamos 98% cada um dos componentes de quase todo o corpo.
Em cada 5 anos, cada um de nós já não tem praticamente nada do que foi anteriormente.
Ou seja, em termos práticos, se uma pessoa morre com 10 anos, então teve 2 corpos ao longo da vida. Se morre aos 20 anos, então teve ao longo da vida 4 corpos.

Se morre aos 50 anos, então teve 10 corpos diferentes. No momento da morte, qual destes 10 corpos irá ressuscitar? Será com o último? Ou será com o penúltimo enquanto ainda tive muita saúde, ou aquele com o qual terá praticado mais boas obras, ou com aquele com o qual foi mais feliz e fez mais felizes os outros?
No caso de alguém que morre aos 50 e tal anos, não irá ressuscitar nem com o corpo nº1, nem com o corpo nº2… nem com o 10º… Irá ressuscitar com o corpo nº 11, que é o Corpo glorioso, definitivo, que não morre, que não está sujeito às leis do tempo, um Corpo transparente porque absolutamente verdadeiro, dado por Deus.
E, tal como durante a vida, a pessoa não se apercebe da renovação de todas as células do seu Corpo, também será um pouco assim no momento da morte, recebendo de Deus o Corpo final, a pessoa sentirá que é um Corpo pleno da sua própria identidade única e irrepetível. O corpo que fica no cemitério é apenas o último de todos os que tivemos ao longo da vida sujeita ao tempo.

É a pessoa completa, inteira que morre, e inteiramente é ressuscitada por Deus nesse mesmo momento.
O nosso Deus é um Deus de vivos!