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Mantas de fios de trapos...



Ainda me lembro de ver encostado lá por casa, na aldeia,
o tear enorme da minha bisavó.
Fazia tantas mantas assim
com fios de mil cores,
de tanta variedade de tecidos
e de tantos trapos já considerados inúteis,
de texturas tão diferentes entre si.

Lembro-me que quando as mantas eram só de fios de pano branco não tinham tanta graça.
A técnica era sempre a mesma… independentemente das cores ou texturas
depois do tear estar já preparado
os mil e um fios de trapo, tão diferentes entre si, são unidos por nós, formando um só fio
e depois, então a ponta do fio era presa na lançadeira e…
… sempre achei piada ao nome… porque aquela peça serve mesmo para lançar,
para atirar o fio de tecido por entre as linhas que o hão-de segurar, sustentar
depois, os fios de pano têm que ficar sempre muito juntos, apertados mesmo.
Sem este cuidado calmo e paciente de apertar juntando muito bem os fios, a manta que se vai tecendo ficaria mole, sem resistência,
facilmente se romperia com pouco uso.

E isto tudo tanto me faz lembrar a nossa Humanidade…

Para ti que viveste com garra!...







Lembro-me sempre de ti, como quem tem um sonho bom.

“Longa viagem”… que jeito tão especial que alguém tão bonito me confidenciou… para falar desta ausência que sinto tua, agora, sem sentir.
As pessoas bonitas são assim, podem partir para uma “longa viagem” que parece que ficam cá “dentro” para sempre.

Queria dizer-te aqui que sempre te admirei. A garra com que sempre viveste, serenamente e ao mesmo tempo com tanta força…!
Nunca viraste as costas àquilo em que verdadeiramente acreditavas, e sempre vi o jeito incrivelmente corajoso com que te entregavas inteiramente ao teu Deus e tudo o que tem a ver com Ele.

Eu, que conheço a tua história, sei que passaram na tua vida muitas pessoas que te marcaram negativamente… foram raras as que te ajudaram a “crescer” e a ser mais.
É por isso que te admiro… porque, parece que houve um momento qualquer em que, do nada, Deus entrou na tua vida, encantado contigo, e tu nunca mais O largaste. Fizeste-te d’Ele até às fibras mais profundas do teu ser.
De maneiras absolutamente incríveis lá estava Ele, sempre, contigo. Nunca permitiu que ninguém te ferisse profundamente… magoaram-te, mas não cresceste com aquelas cicatrizes que se ganham nas lutas pela própria vida.

Isso via-se… de “fora”…
Eras serenidade que pacificava, e ao mesmo tempo força que contagiava… um sorriso belíssimo e tão vivo…

Nos lugares mais inesperados havia quem se sentasse ao teu lado e depois de te ler o olhar de alguma maneira “sintonizava” contigo sem precisar de mais nada… e começava a derramar o Coração com o que tinha de maior verdade dentro dele, de alegrias e tristezas, ou triunfos de vidas tão cheias de vida…
Tinhas mesmo qualquer coisa em ti que cativava… que atraía confiança.
Ficavas sempre sem jeito… e sem saber o que dizer até que chegaste a perceber que muitas vezes não era preciso dizer nada… só estar… só escutar, como quem acolhe nas mãos um pedaço do outro e o “mima” assim…
E depois do olhar abatido viam-se, em quem se encontrava contigo, forças novas para caminhar mais um pouco com mais coragem.

Eu sei que houve muitos dias cinzentos em que não sabias lidar muito bem com as tuas próprias coisas.
Oh… mas viver é assim, não é?!
Tantas vezes te ouvi dizer: “eheh… isto vai doer… ou, está a doer… mas depois passa… depois passa!”

Parecia-te quase sempre que respiravas só metade do ar.

Parecia-te que só te davas metade da oportunidade
Sentias muitas vezes culpa por “chorar”, quando isso só significava que te preocupavas.
Sentias, muitas vezes, culpa só por sentir, quando isso era só porque vivias intensamente, com profundidade.
Sentias muitas vezes que “sangravas” demasiado por alguma coisa, mas isso só significava que te tinhas magoado em nome de coisas muito importantes.

Querias tantas coisas, sonhaste tanto… tanto… apesar dos “muros” todos que sempre existiram à tua frente…
Esses momentos aconteciam em ti sempre como uma alavanca… pareciam aqueles momentos em que o Jonas lá de dentro de ti se sentava à sombra do rícino, ou no fundo do barco… e o teu Deus te dizia:
“Levanta-te… conto contigo…
… mas, se calhar, não da maneira que esperas…”
E levantavas-te, sim, mais forte do que nunca. E com garra…!

Querias sempre ser mais. Querias “crescer” sem fazer barulho… como fazem as árvores.
Querias sempre ser mais, para que outros fossem mais.

Ainda a juventude vibrava em ti, e colocaram-te nas mãos o teu maior sonho a moldar-se… envelheceste, rejuvenescendo dentro de ti ao tornar cada vez mais vivo e real esse sonho. Nunca mais estiveste só desde este momento.
Poucas pessoas conheço que precisem de silêncio e solidão como tu precisaste… era como quem precisava de ar para respirar… de água para beber… de caminhos para correr…
Mas esta solidão que nunca mais viveste foi a da Comunhão construída entre o sonho daquilo em que acreditavas e pelo qual eras capaz de te entregar inteiramente… e a sua concretização… no anúncio da Família-Reino do Abba que já chegou para todos.
Deus, pegou nas tuas mãos e assim, nas vidas de tantos, e de infernos feridos fez muitos “Céus” felizes e verdadeiros, contagiantes da liberdade que Deus ama e deseja para todos.
Através do teu olhar, o teu Deus, ajudou a muitos a “ver” bem, com esperança, verdade… amor comungado…

Confidenciaste-me que existiu alguém muito importante na tua vida, que te amou como ninguém, com quem formaste Corpo, com tal profundidade… que antes nem sabias ser possível. Tenho a certeza que esse alguém te vai levar sempre para onde quer que vá… até se encontrar contigo, depois de um “até já” único e irrepetível.

Foi muito importante para mim o privilégio de te ter conhecido assim, tão tão de perto. És uma pessoa única rara…
Os teus muitos anos nunca te pesaram… pegaste neles e foste-te tornando cada vez mais simples, como as crianças felizes e repletas de gratuidade… de graça… encantadas com cada cor que descobrem, com cada aroma que saboreiam…

Tenho a certeza que és muito feliz agora… alguma coisa de ti vive em mim e em todos aqueles que tanto amaste e a quem entregaste o melhor de ti… aqueles que não te acolheram ou até te rejeitaram são apenas sinal de que o Reino ainda não chegou a todos os Corações… e é preciso continuar a criar laços pelas mãos da Ruah.

Quando nos encontrarmos novamente, aí na “mesa do Banquete”, aí é que vai ser festa que nunca mais acaba, como sempre falámos que iria ser, lembras-te?…
Ou não… não é nada disto, pois não? É muito muito muito muito mais… muito mais.

Morreste… porque viveste…
Vives em quem te ama apesar de já teres partido
Esta música que aqui deixo é para ti. E as “pérolas” felizes também…
Agradeço-te MUITO por teres sido quem foste.

Amei-te… amo-te…
Até já…. até já…

Uma Boa Notícia!...














“Durante todo o tempo em que o herdeiro é criança, em nada é diferente de um escravo, apesar de ser senhor de tudo. Pelo contrário, está sob o domínio de tutores e administradores, até ao dia fixado pelo seu pai. Assim também nós, quando éramos crianças, estávamos sob o domínio dos elementos do mundo, a eles sujeitos como escravos.
Mas, quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sob o domínio da Lei, para resgatar os que se encontravam sob o domínio da Lei, a fim de recebermos a adopção de filhos. E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: «Abbá! - Pai!» Deste modo, já não és escravo, mas filho; e, se és filho, és também herdeiro, por graça de Deus”

Gal 4,1-7



Esta é a Boa Notícia que deixo aqui hoje!...

Paulo foi um homem verdadeiramente encantado, apaixonado pelas coisas do Reino-Família de Deus. Dizia-se Apóstolo do mesmo modo que eram chamados aqueles que tinham vivido na intimidade do Mestre, Jesus de Nazaré… Paulo não chegou a conhecer o Nazareno antes da sua morte e antes de Deus o ter levantado da morte.
Paulo conheceu-o depois… Paulo fez a mesma experiência pascal que os Discípulos, experimentou esse mesmo re-conhecer o Nazareno. Ele é a prova mais intensa de como é possível para nós, vivermos essa experiência pascal, ainda que não tenhamos conhecido Jesus de Nazaré, antes da sua morte e ressurreição.
Paulo… um homem sábio, conhecedor de todas as Escrituras, profundamente zeloso e absolutamente sério no cumprimento das Leis da sua fé judaica deu “o salto” a partir de um momento qualquer muito especial em que percebe que é este Nazareno, aquele que o seu povo “eleito” espera desde sempre.
Em todos os escritos que hoje temos dele, cartas escritas a comunidades seguidoras do nazareno ressuscitado que se formam bem longe de Jerusalém e do seu templo, e por isso, no meio de culturas que não viveram e não experimentaram esta espera da Salvação prometida por Deus, encontramos um Paulo que de tantas maneiras nos proclama também a nós, hoje, o quanto Deus é fiel!
Deus é fiel!... Prometeu-nos e cumpriu a Sua Promessa de um jeito superabundante absolutamente inesperado e real.

Já chegou a Hora que Deus determinou!
Já terminou esse Tempo especialíssimo de Espera, de Desejo, de Preparação, de Abertura, de Caminhada progressiva e mutuamente enamorada entre Deus e a Sua Humanidade…

Chegou a Hora… e Deus faz nascer da nossa Humanidade um Filho que já nasceu… e ainda não acabou de nascer… É neste Filho que nos tornamos filhos também, gratuitamente, por puro Amor apaixonado de Deus pela Humanidade…
O Filho que nasceu de nós e é de Deus, é um Corpo connosco… é por ele que a Ruah tece ligações do “Sangue”/Vida de Deus. É por este Filho, o nazareno Jesus, que a Ruah passa a fazer parte deste Corpo que nos torna no Filho.
É a Ruah de Deus que, dentro deste Corpo que somos geme de Amor dentro de nós, de maneiras que nem entendemos… chamando a este Deus… de Abba, Paizinho, Papá.

Se antes éramos escravos… presos em teias fabricadas por nós… agora somos filhos, no Filho do Abba. LIVRES!

É esta a Boa Notícia…
Deus imprime dentro de nós os traços do Seu Rosto, pela Ruah que tece entre nós as veias por onde corre a própria Vida de Deus… e isto foi inaugurado pelo nazareno Jesus, o Primeiro.
Por ele, somos Família de Deus… por ele, somos herdeiros da Casa do Reino-Família do Abba.




Vive uma semana muito boa… em que as boas notícias sejam sempre mais fortes que as notícias menos boas.
Um abraço grande!

Actualização deste post às 14h40:

Quem passar por aqui... pode e deve ler os comentários deste post cheios de BOAS NOTÍCIAS!!! Deus é Bom! Deus é muito Bom... e acontece no mais inesperado do nosso quotidiano... bem pertinho... precisamos de estar atentos a estes "toques" de Deus, e ao partilhá-los a nossa alegria multiplica-se...

Deus é Bom... Deus é tão Abba!