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Reino... Família do Abba



Não há palavras que consigam falar-me de Ti
Nem melodias que Te cantem
Nem sonhos que Te imaginem
Nem voos que Te levem nas suas asas
Nem cores que Te enquadrem
Nem pedra que nela traga esculpidos os traços do Teu rosto
e Te prenda na minha mão
no meu olhar
no meu traço desenhado ou escrito
ÉS
e amo-Te o que não Te conheço
És a Tua Casa
És a Tua Família
És o “lugar” onde habitas
e que dizes ser meu

Quero-Te
Quero a Tua Casa
Quero a Tua Família
o “lugar” onde habitas
Reino… Família do Abba

Tudo o que vive é Teu, de dentro de Ti
e tudo o que revive és Tu

Mas
dos caminhos por onde me levas
tenho medo, Tu sabes…
Vais à frente e corres tão depressa e tão devagar que assusta

Ora cá está uma excelente notícia!...


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Certamente já todos conhecemos a Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares contra a Fome, sobretudo em algumas épocas específicas em que parece uma “praga” de tanta gente que espera à porta de todos os supermercados e nos estende um saco identificando a organização.
É, felizmente, daquelas notícias que até aparece na televisão, porque tem aumentado a doação de alimentos para fazer chegar àqueles que mais precisam.
É uma acção louvável. São tantos, mas tantos, os desperdícios da nossa sociedade tão consumista. Os bens estão tão injustamente distribuídos, que muitos comem e se regalam, outros passam fome porque não há dinheiro que chegue nem para comer ou vestir, e muitos estabelecimentos comerciais deitam toneladas de comida no lixo.
É isto o que o Banco Alimentar faz: “Evitar o desperdício de alimentos fazendo-os chegar às pessoas que têm fome.”

Como?
Através de “ofertas de empresas e particulares, em muitos casos excedentes de produção da indústria agroalimentar, excedentes agrícolas e da grande distribuição, e ainda produtos de intervenção da União Europeia (…), acrescentam-se os produtos oferecidos por particulares nas campanhas de recolha efectuadas nas superfícies comerciais.”

É evidente, como se vê, que esta organização não trabalha só nestas épocas de campanha para a nossa sensibilização de recolha, mais visível aos nossos olhos, com o saco que nos estendem, na verdade esta organização trabalha TODO O ANO.

Para quem?
Os Bancos Alimentares abastecem, ao longo de todo o ano, instituições caritativas e humanitárias em Portugal. Além da entrega gratuita de alimentos, acompanham e partilham a acção das instituições no sentido de lutar contra a exclusão social.
Fazem cabazes de produtos alimentares que entregam às famílias carenciadas.
Confeccionam refeições que são servidas nos centros de acolhimento ou distribuídas na rua aos sem abrigo ou até mesmo entregues ao domicílio.

Os Bancos Alimentares, curiosamente, não estão ligadas ao Governo, não têm motivação política nem religiosa. Além disso têm contabilidade organizada para que se prove a sua absoluta transparência e idoneidade.
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Alguns números:


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(acima) Evolução do número de pessoas ajudadas
(em baixo) Evolução do número de toneladas de alimentos recolhidos e distribuídos

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Mais…
Surgem agora com um novo e interessante projecto.
Chama-se HORTA SOLIDÁRIA. Um projecto que decorrerá durante este ano 2009, com a colaboração da Direcção Geral de Serviços Prisionais.
Como?
Com a “plantação de ‘Hortas Solidárias’ nos terrenos livres dos estabelecimentos prisionais. Esta acção vai contribuir para promover mais actividades de cariz laboral por parte dos reclusos e produzir legumes para entrega a populações com dificuldades económicas".




http://www.bancoalimentar.pt/

Ora cá está uma excelente notícia!...



Uma semana muito boa para ti!

O nome dela

(Isto tem andado um bocado parado por aqui... É a vida!... Já agora aproveito para vos desafiar a propor temas que possamos "conversar" por aqui, se quiserem. Entretanto deixo aqui mais um "encontro imaginado". Um abraço a todos!)
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“Um fariseu convidou-o para comer consigo. Entrou em casa do fariseu, e pôs-se à mesa. Ora certa mulher, conhecida naquela cidade como pecadora, ao saber que Ele estava à mesa em casa do fariseu, trouxe um frasco de alabastro com perfume. Colocando-se por detrás dele e chorando, começou a banhar-lhe os pés com lágrimas; enxugava-os com os cabelos e beijava-os, ungindo-os com perfume.
Vendo isto, o fariseu que o convidara disse para consigo: «Se este homem fosse profeta, saberia quem é e de que espécie é a mulher que lhe está a tocar, porque é uma pecadora!»
Então, Jesus disse-lhe: «Simão, tenho uma coisa para te dizer.» «Fala, Mestre» - respondeu ele. «Um prestamista tinha dois devedores: um devia-lhe quinhentos denários e o outro, cinquenta. Não tendo eles com que pagar, perdoou aos dois. Qual deles o amará mais?» Simão respondeu: «Aquele a quem perdoou mais, creio eu.» Jesus disse-lhe: «Julgaste bem.» E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: «Vês esta mulher? Entrei em tua casa e não me deste água para os pés; ela, porém, banhou-me os pés com as suas lágrimas e enxugou-os com os seus cabelos. Não me deste um ósculo; mas ela, desde que entrou, não deixou de beijar-me os pés. Não me ungiste a cabeça com óleo, e ela ungiu-me os pés com perfume. Por isso, digo-te que lhe são perdoados os seus muitos pecados, porque muito amou; mas àquele a quem pouco se perdoa pouco ama.» Depois, disse à mulher: «Os teus pecados estão perdoados.»
Começaram, então, os convivas a dizer entre si: «Quem é este que até perdoa os pecados?» E Jesus disse à mulher: «A tua fé te salvou. Vai em paz.»

Lc 7,36-50

Cada vez que sinto o aroma de nardo, lembro-me dela, e do que aconteceu durante aquela refeição. A delicadeza com que quebrou a ponta do frasco entre os dedos e derramou o seu precioso conteúdo, sem deixar escapar uma única gota no chão da minha sala… e derramou-o sobre os pés do nazareno.
Depois daquele dia nunca mais a vi deambular pelas ruas do nosso povoado, nem de rosto abatido.
Conheço alguns que, de dia a ignoravam e até a maltratavam, mas de noite procuravam-na. Pobre mulher… Dizem que perdeu o marido numa dessas epidemias que ninguém sabe como aparecem, depois de uma vida complicada em que pelo peso dos impostos acabaram por perder o único pedaço de terra que possuíam… Depois de já ter sido casada dificilmente algum homem a quererá como esposa, encontrou naquela vida o modo de dar pão aos seus dois filhos, recusava-se a ser escrava de alguém.
O nosso Deus amaldiçoou-a, castigou-a com toda a sorte de desgraças por algum mal que ela ou algum dos seus antepassados fizeram. Deixou de ser mulher… uma pessoa e passou a ser uma espécie de gente porque toda a infelicidade lhe bateu à porta. Tocar nesta espécie de gente é tornar-se uma espécie de gente com ela. Jamais me aproximarei de alguém assim. Sou fariseu, filho de fariseu e os meus filhos seguirão o meu caminho de rectidão.
As maldições de Deus são como doença contagiosa.
Sigo tanto a rectidão que não me misturo com espécies de gente que não é tão recto como eu.

É verdade que não me lembro do nome dela… e o nazareno Yeshuah também não o mencionou, mas tenho a certeza absoluta que lho conhece. Entendi pelos olhares que trocaram, quando ela entrou, que ele a conhece bem. Como se terão conhecido? O que terão falado?
A pureza dos olhares que trocam deixam-me confuso, assim como o jeito desajeitado com que ele permite que ela lhe perfume os pés com óleo perfumado de nardo
Não era suposto ele permitir que ela o tocasse… que ousadia a dela… que raio de ousadia!... Como se atreve a tocar naquele que acreditamos ser talvez algum profeta de Deus, tantas são as multidões que o seguem.
Convidei-o a sentar-se à minha mesa, uma vez que se tornou tão conhecido, tão falado entre o povo… acreditei que poderia honrar a minha casa sentando-se à mesa comigo. Tinha esperança de talvez o motivar a seguir o nosso grupo, tal é a sua capacidade de comunicar… mas todos os meus intentos falharam.
Falharam todas as minhas intenções que levava já preparadas porque não sei quem é este homem. Não sei quem é porque, na verdade, não conheço ninguém com quem ele se associa, não conheço aqueles do lado dos quais ele toma partido… como esta mulher a quem lhe conheço os maus caminhos, mas não lhe conheço o nome.
Os que estão comigo dizem perplexos: «Quem é este que até perdoa os pecados?», mas o nazareno parece que não está “deste lado”… e parece nem ouvir. Está com ela e por isso lhe diz para ir em paz com a certeza de que está salva.
Quem é este homem, também eu pergunto… quem é este homem que dá certeza, a quem quer que seja, de que está salvo?
Quem é este homem?...



Assumiu tanto "aquele" lado que o vi mais tarde, num gesto semelhante, lavar os pés dos seus próprios amigos... como quem deixa um testamento, uma imagem para se gravar no mais íntimo e se procurar viver sempre. E não acabo de lhe entender o significado. Porque se aquela mulher muito pecou, o nazareno parece nada ter feito de condenável para que demonstre assim o reconhecimento de um grande amor, fruto de um grande perdão gratuito.
Quem é este homem?

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