Porquê quarenta dias, e não um outro número qualquer de dias?
Até mesmo na nossa cultura ocidental dizemos que “A vida começa aos quarenta”, com aquela sensação que muitos sentem de se ter completado um ciclo de algum amadurecimento na vida… é um momento em que se pensa nos projectos de vida ainda não realizados e como que uma urgência para os concretizar.
Numa cultura, como é a judia, em que os símbolos têm grande importância porque ajudam a significar a própria vida, o número quarenta não é escolhido ao acaso.
Segundo alguns, para que a pessoa passe de uma etapa para uma outra de maior entendimento sobre a vida, tem de haver entre elas um espaço vazio, chamam-no mesmo de princípio de “o nada no meio”, dando espaço assim para que o Outro e os outros participem da sua própria vida. É quando o próprio ego não tenta preencher e controlar tudo à sua volta, mas deixa um espaço, um lugar, para o outro.
É bonito ver como o judeu intui Deus que, ao criar o mundo, não o realiza como uma expansão ou autodefinição de Si próprio mas ao contrário, como que uma contracção de Deus que, por assim dizer, retira a Sua Luz infinita e a Sua presença primeiro, para criar um “espaço vazio” para dar lugar a que outros seres possam existir, de modo muito especial o ser humano.
Na filosofia da mística judaica, tudo está dividido em quatro partes, como são quatro os “cantos” do mundo (norte, sul, este, oeste), como são quatro as estações do ano, como eram entendidos tradicionalmente os quatro elementos do mundo (terra, água, ar, fogo). No plano espiritual eram entendidos também muitos outros “quatro”, como quatro mundos espirituais mais elevados, na perfeição de cada um deles estão dez características ou atributos criativos de Deus que se reflectem em tudo.
Ou seja… quatro vezes dez são quarenta. Algo completo possui, então, quarenta aspectos, ou seja, representa a realização de um modo de ser completo, atingindo este quarenta imediatamente se passa a uma fase seguinte na vida, como se passasse a viver uma vida nova, num outro mundo.
É deste significado que fala o número quarenta em todos os livros do antigo testamento.
Vamos ver os maiores exemplos disso.
Génesis 8,6: “Decorridos quarenta dias, Noé abriu a janela que havia feito na arca e soltou um corvo, que saiu repetidas vezes, enquanto iam secando as águas sobre a terra. Depois soltou a pomba…”
Êxodo 16,35: “Os filhos de Israel comeram o maná durante quarenta anos, até chegarem à terra habitada.”
Êxodo 24,18: “Moisés entrou pelo meio da nuvem e subiu à montanha, e ali esteve durante quarenta dias e quarenta noites.”
Números 13, 17-25: “Moisés enviou-os a explorar a terra de Canaã (…) Ao fim de quarenta dias, regressaram de explorar a terra.”
1Reis 2,11: “A duração do reinado de David sobre Israel foi de quarenta anos.”
1Reis 11,42: “A duração do reinado de Salomão em Jerusalém sobre todo o Israel, foi de quarenta anos.”
1Reis 19,8: “Elias levantou-se, comeu e bebeu, reconfortado com aquela comida, andou quarenta dias e quarenta noites, até chegar ao Horeb, o monte de Deus.”
Jonas 3,4: “Jonas entrou na cidade e andou um dia inteiro a apregoar: «Dentro de quarenta dias Nínive será destruída.»”
Parece que sim… está provado por estudos feitos pela Universidade Norte-Americana de Maryland, que ouvir música faz bem ao nosso sistema cardiovascular… mas só aquela que for agradável e da preferência do ouvinte.
Parece que as músicas seleccionadas pelos voluntários para este estudo produziam a sensação de bem-estar, ao serem ouvidas, e isso ajudava á dilatação dos vasos e aumentar o fluxo sanguíneo.
Quando escolhidas músicas menos agradáveis, “stressantes”, isso levava à contracção dos vasos e à redução do fluxo sanguíneo. Esta Universidade já havia demonstrado num outro estudo como as emoções positivas, como o riso, são boas para a saúde vascular, mas desta vez, decidiram verificar se outras emoções como as provocadas pela música, teriam efeito semelhante.
Então, segundo o estudo, o diâmetro dos vasos sanguíneos aumentou 26% depois de escutar músicas alegres e contraiu 6% depois de ouvirem músicas que provocavam ansiedade. Curiosamente, com músicas que provocavam relaxamento, os vasos sanguíneos dilatavam 11%, enquanto que, depois de assistir a vídeos que estimulavam o riso, a dilatação era de 19%.
Está tudo dito. Escutar músicas que o ouvinte considera alegres pode afectar a actividade das endomorfinas.
Vamos lá então ouvir boa música…
Certamente eram “diferentes”, aqueles que formavam pequenas comunidades de discípulos de Jesus. Isso notava-se do “lado de fora”, porque ser discípulo de Jesus é assumir atitudes concretas na vida mais comum de todos os dias, atitudes que surgem de convicções interiores verdadeiras e profundas.
Certamente era um jeito de viver que cativava a alguns, e provocava curiosidade a muitos, que se questionavam como era possível reunirem-se, entenderem-se, e partilharem os seus bens uns com os outros… pessoas que não tinham em comum os mesmos laços de sangue a organizarem-se de maneira a ajudar os desfavorecidos e a denunciar as causas de injustiça…
… e tudo isto não em nome de uma qualquer filosofia ou religião, mas porque acreditavam em alguém que era para eles muito especial, “um tal de Jesus, um judeu de Nazaré”, de quem falavam como sendo esse alguém, uma notícia boa para todos.
Conseguiremos imaginar isto?...
Para muitos de nós será difícil imaginar um primeiro e estranho contacto com grupos de discípulos de Jesus, porque hoje, pouco depois de nascer, qualquer criança aprende como primeiras palavras: “papá”… “mamã”… e “Xexus”…
… a partir daqui já sabemos tudo, sem saber de nada, atitude que faz de nós um pouco “surdos”, depois de engolir muita doutrina e moralismo e pouca explicação fundada sobre isso.
O que é certo é que, em tempos de impérios não cristãos, quem quisesse fazer parte de alguma das pequenas comunidades de discípulos de Jesus, teria que TORNAR-SE discípulo. Que é um jeito de viver que exigia uma grande e séria preparação, e depois um momento importante de iniciação que não teria mais fim.
Quem quisesse tornar-se discípulo, sê-lo-ia sempre porque o Mestre é um só, Jesus.
Como se chamava esse momento importante de iniciação que só tinha lugar depois de uma séria preparação daquele que queria TORNAR-SE discípulo de Jesus?
Baptismo que quer dizer Imersão, Mergulho.
E o dia escolhido para esse grande momento era justamente a noite e o amanhecer da maior Festa celebrada pelos discípulos de Jesus em cada ano: a Vigília da Páscoa.
Os dias de preparação para a grande Festa da Páscoa em cada ano tinham então uma forte intenção catecumenal, como já vimos, em que aqueles que desejavam ser discípulos de Jesus se preparavam para receber o Baptismo que era o momento de entrada em alguma pequena comunidade. Eram também, para as pequenas comunidades, dias de intenso aprofundar dos mistérios de Deus e do Seu Reino e o jeito encantado com que Jesus fala deles e os vive. Eram dias também para a comunidade reaprender a disponibilidade para o acolhimento daqueles que se tornavam novos discípulos de Jesus.