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Moro perto das tuas histórias cheias de montanhas e desertos




Moro ao lado dos teus lugares com gentes, tantas
Moro perto das tuas histórias cheias de montanhas e desertos

Eu quero continuar a adivinhar dentro de mim o teu semblante
e a cor das noites que se iluminam dessa tua luz, sempre

Eu quero continuar a pressentir que vens de longe
Porque sei que é comigo o teu lugar, o teu destino final
aí, onde as estrelas se afundam e se fundem
aí, onde o sangue ressuscitado, rebenta com a mesma força do mar
e a espuma dessas ondas é como vinho inebriante que apaixona
e nos faz mergulhar mais fundo

Quero ter as mãos vazias de mim
mas muito cheias de nós…

Eu quero continuar a adivinhar dentro de mim o teu olhar vivo
na cor das coisas de gente cansada e sem esperança
no avesso da vida que não é a verdade


Yeshuah
Tu, a Luz
Eu, a Noite

abraça-me para que eu viva dentro do teu caminho
para que eu percorra, passo a passo, devagar, as marcas da tua pele
pele de um Ressuscitado com marcas de fidelidade em cada traço teu

abraça a minha noite, tu que és luz
abraça a minha noite, para que saibas de mim
abraça a minha noite, para que saibas de mim

abraça a minha noite, para que me vejas com a tua luz
só nela sou verdadeiramente o que sou
contigo
meu Amor…
meu Amor…
.
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(Mafalda… agradeço-te mais uma vez a tua música cheia de coisas bonitas de gente viva)


5 - Nascer cristão ou TORNAR-SE discípulo de Jesus



Como é que de um tempo de catecumenado, de aprofundamento da fé em Alguém, fomos passando, ao longo dos séculos, para um tempo em que só se pensa em penitência?
Sempre que se fala em quaresma, as palavras que imediatamente nos surgem na mente são… Conversão, Penitência, Jejum, Sacrifício… concretizados em gestos cada vez mais espiritualizados e simbolizados de uma realidade que muitos nem sabem qual o significado inicial.

Inicialmente, os discípulos de Jesus, para começarem a sua caminhada tinham que se TORNAR discípulos. Mas, algum tempo depois, ainda o império romano, oficializa a “religião” dos cristãos. E começa a desaparecer a lógica de encontro das pequenas comunidades nas próprias casas, em ambiente familiar, e passam a reunir-se no lugar dos antigos templos que eram antes destinados ao culto dos deuses romanos e gregos, e agora são destinados ao culto no novo Deus aprovado pelo império.
Num império em que já não é preciso TORNAR-SE discípulo de Jesus, porque nascendo dentro do império, nasce-se já cristão, já não é preciso o tempo de catecumenado, já não é preciso formar e amadurecer uma fé inicial porque todos nascem cristãos… apenas um gesto é feito para “formalizar” esta situação óbvia:
- O Baptismo de crianças.

O tempo que era de preparação intensa para a entrada nalguma das pequenas comunidades de discípulos, tem que ser preenchido com outras intensões… Começa então a viver-se nestes dias um forte tempo de penitência onde até é conveniente que todos contribuam com algum dinheiro para o culto.

São retirados os vários deuses dos nichos dos templos, e vão sendo aí colocados os novos “deuses”, os exemplos de virtude e fé… os nossos santos. Admiro profundamente as vidas de tantos que derramaram a vida e até o sangue em nome de Jesus, mas duvido que alguns deles quisessem ser depois recordados assim…

Aquele que tinha o lugar carismático, nas pequenas comunidades de discípulos de Jesus, de alguma liderança, passa a ocupar o lugar do Sacerdote destes templos, o lugar daquele que sacrificava as vítimas animais sobre o altar em troca de favores com os deuses.
Alguns se perguntam como houve na História da Igreja tantas atrocidades… Aqui está parte da resposta. Se a religião oficial é esta, os cargos de maior importância são dados a quem politica e financeiramente importa mais, ou compram-se aqueles que exercem tais cargos, porque são sempre pessoas que podem manipular as multidões.
Além dos templos existentes, foram-se construindo templos maiores ainda onde as multidões não têm nomes próprios, nem rostos únicos, são um número.
São um número, uma multidão de gente voltada para um altar.

É curioso como Jesus nunca esteve com os discípulos à volta de um altar, com roupa diferente dos demais, mas com todos, à volta de uma mesa, e sem degraus acima ou abaixo. Todos tinham lugar à mesa, TODOS.
Seria estranho, sermos convidados para uma festa de casamento, ou aniversário, e ficarmos em bancos especiais, num degrau abaixo e afastado, a assistir à festa realizada no degrau de cima, a ver uns poucos a comer, beber e festejar ao seu modo, e a falar do que só eles pensam saber muito… até que chegasse a nossa vez de ir comer uma migalha do bolo, em fila, e de boca calada que se abre somente para dizer “Amén”...
É preciso ter cuidado com aquilo que chamamos evolução, aperfeiçoamento… que às vezes é outro nome que damos à História que teimamos em levar às costas como um fardo pesado demais. E parecemos mais rigorosos em ser fiéis às normas e tradições que nós próprios fomos criando ao longo dos tempos, de acordo com as necessidades de cada momento… e colocamos em segundo lugar o pensamento de Jesus, com a mensagem boa que nos traz, numa linguagem integrada na cultura do seu tempo e do seu povo, que é preciso entender bem… uma fonte inesgotável de Verdade.

Onde ficou esquecida a alegria da verdadeira mesa da festa e do banquete de Jesus?

Eu acredito e vejo todos os dias acontecer o milagre de pequenas comunidades de discípulos encantados por Jesus, verdadeiramente comprometidos pelo Reino-Família de Deus-Abba.
Vejo acontecer o milagre de gente que se reune feliz para se aproximarem cada vez mais da Verdade que só na entrega à Ruah, Espírito de Deus, se vai descobrindo mais e mais, sempre nova, Verdade que liberta, que dá motivos válidos para viver e pelos quais vale a pena morrer em cada dia.
Vejo acontecer o milagre de gente que se prepara feliz, para a liderança de outras pequenas comunidades, não ao jeito de sacerdotes que oferecem “sacrifícios” sobre o altar, mas como gente, homens e mulheres, jovens e anciãos, comprometidos em saber dar aos outros razões para serem felizes, livres… no mesmo anúncio do Reino que Jesus fez e viveu de tantas maneiras.

É dentro da minha Igreja que este milagre está a acontecer, de que me orgulho muito.
A Igreja está a fazer nascer das “entranhas de Deus” esta Nova Humanidade.

Sabem que mais…? Sou muito feliz!... É que o nosso Deus é mesmo fiel e não desiste de nós.

Coisas de gente


Respirar fundo como quem estende os braços dançando
para Ti
Querer as melodias sussuradas ao ouvido cantadas
por Ti
Cada passo dado para o conhecido desconhecido
conTigo

Onde estás senão no ar que respiro tão misturado de coisas de gente?
Onde estás senão em todos os sons que escuto tão cheios dos ruídos de coisas de gente?
Onde estás senão no chão que piso tão pisado e trabalhado pelas coisas de gente?

Onde estás senão no meio das coisas de gente?
Onde estás senão dentro do Coração da gente? Morto ou vivo… estás…
… e mais nada sei senão desejar amar-Te e ser, conTigo.