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Quando colocarmos o nosso nome dentro do nome de Jesus


"(...) depois da ressurreição de Jesus, Deus já não actua sem Jesus,
Deus já não pode ser pensado sem Jesus,
Deus não É sem Jesus,
Jesus pertence à realidade de Deus."
Jon Sobrino



A impensável relação entre a Humanidade e o seu Deus, Jesus a concretizou...

... porque aqueles que ao falar em nome de Deus o consideraram blasfemo, MAS Deus o disse Verdade.
... porque aqueles que ao falar em nome de Deus o declararam fracassado, MAS Deus o disse Vitória.
... porque aqueles que ao falar em nome de Deus exerceram sobre ele justiça, MAS foi Deus que o disse Justo.
... porque aqueles que ao falar em nome de Deus proclamaram a sentença da morte, MAS Deus o disse Vivo.

Aqueles que te proclamam autenticamente como a Verdade, a Vitória, o Justo, o Vivo, são perseguidos. É impossível a ausência de conflito quando o discípulo de Jesus se comporta de tal modo, vive de tal modo, fala de tal modo que toma partido pelo partido que Deus toma... o de todos os blasfemos que se dizem filhos de Deus e que O chamam de Abba, o de todos os fracassados, o de todos os que sofrem injustiça, o de todos os "crucificados".
Estar verdadeiramente "do lado" de Deus, é entrar forçosamente em conflito com tudo e todos aqueles que não estão deste lado.

Anunciar que ressuscitaste, Jesus, é dizer que Deus está do teu lado.
Anunciar que Deus está do teu lado, é dizer que Deus não está do lado dos que condenam os "blasfemos", dos que pisam os "fracassados", dos que exercem justiça injustamente, dos que declaram sentenças de qualquer espécie de morte.
Anunciar o teu Deus, Jesus... é dizer que Ele sempre toma partido por alguém.
Que notícia tão boa isto é!
Que péssima notícia será para tantos também.

Diz-me esse teu nome, ó Verdade... ó Vitória... ó Justo... tu que és Vivo...
Chama por mim
e diz-me o teu nome dentro de mim, Jesus, para que eu seja o meu nome, contigo.

Quero ser aí onde tu És.

Um Pórtico de Entrada...








É como um pórtico de entrada belíssimo, elaborado e tecido ao pormenor!

Um pórtico de entrada para algum acontecimento com o qual nunca acabamos de nos desconcertar, é um mergulho para um jeito de ver sem nada ver, um mergulho para um jeito de entender sem nada entender.
E sem nos darmos conta, no espaço de poucos minutos, celebramos as alegrias da festa com todos os encantos e desencantos que todas elas trazem neste pedaço de vida, e celebramos o silêncio de um inocente levado à morte pelos que, diante do povo, falam em nome do seu Deus.

A multidão sem nome, nem rosto que diz: “Hossana! Hossana!”… é a mesma que dirá depois: “Que ele morra! Que ele morra!” e ao mesmo tempo que imediatamente tudo isto me faz lembrar como são tão volúveis e inconstantes os Corações humanos, que tão depressa amam como depressa odeiam… apesar deste sentimento primeiro, todo este ambiente de Domingo de Ramos faz-me sentir que há no ar um ambiente sempre diferente de tudo o que conheço.
Este dia é, sem dúvida, o portal de entrada mais belo que se poderia viver para entrar na Semana mais bela de todas… a Semana Maior.

Todas as pequenas procissões que se fazem aqui e ali fazem lembrar a antiga festa dos Tabernáculos… das Tendas ou Festa das Colheitas… uma festa judia que dura sete dias. É uma festa divertida para as crianças porque, nesses dias da Celebração das Tendas, no espaço em que é possível, ao ar livre, os pais com as crianças constroem uma pequena cabana ou tenda para aí dormirem, para lembrar a fragilidade e simplicidade com que os antepassados viveram na dura caminhada pelo deserto desde o Egipto em direcção à terra prometida por Deus. Os judeus constroem a tenda em palha ou folhagem e não pode ser coberta, para se poder ver o céu.
É celebrada ao mesmo tempo como Festa das Colheitas porque coincide com o mês das colheitas em Israel. É então feito um ramo com quatro espécies de planta para simbolizar a colheita: um citríno, uma folha de palmeira, mirta e salgueiro.

As comunidades que foram reflectindo a vida do Mestre viram como Jesus, de alguma maneira, sempre palmilhou caminho em direcção a Jerusalém.
Desde o momento em que assumiu levar adiante a causa do Reino do Abba que teve a certeza que muitos iriam acolher as suas palavras como excelente Notícia e outros, com igual força, iriam desprezar as suas palavras como péssimas notícias.
Os primeiros sinais começaram lá, na Galileia dos pagãos… porque é bem verdade que “um profeta NUNCA é bem recebido na SUA terra”, em sua própria casa e pelos seus.

O Domingo de Ramos é sem dúvida a Festa das Colheitas, por excelência, porque o Fruto maduro, a Semente, o Filho da nossa Humanidade está pronto para ser lançado à terra… Está na hora e é preciso entrar…! Está na hora daquele que vem em nome do Deus-Todo-Amor montar de vez a sua “tenda”, a sua Vida plena, no meio de nós, dentro de nós.





Aquele que entra, ao som de aclamações, montado num jumentinho, lembra os solenes cortejos de conquistadores de impérios, levando adiante e atrás de si os despojos da guerra e os reis vencidos acorrentados… em douradas carruagens levadas por elegantes cavalos… “ali vai o que chamam de grande messias, montado num jumento”. “É um galileu, mais um campónio do norte a dar ares de messias.” “Nunca se sabe”… “É preciso vigiá-lo, não vá causar-nos alguma surpresa desagradável!”

A glória das folhas de palmeira e dos ramos de oliveira, serão as cinzas com as quais cobriremos a cabeça no ano seguinte, porque destas glórias nada nos resta entre as mãos.

É um pórtico de entrada belíssimo para uma Semana que deve ser séria e intensamente vivida por aqueles que se dizem discípulos de Jesus.
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(um abraço forte a quem me pediu esta reflexão)

Porquê?

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"O Senhor Deus disse: «Onde está o teu irmão?»
E ele respondeu: «Não sei dele. Sou, porventura, guarda do meu irmão?»
O Senhor Deus disse: «Que fizeste?..."

Gn 4,9

Quantas vezes e de quantas maneiras vais continuar a "matá-lo"?
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