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Diz-me o que é ser discípulo teu, tu que foste ressuscitado por Deus?


A tua presença viva não a vejo com estes olhos
porque estes olhos vêem somente a vida que vivo hoje
mas se o hoje da minha vida é, já, contigo, da tua vida
se para a minha vida olho
a ti vejo sem ver

Traços de mim pertencem ao teu Corpo
sou linhas, letras, reticências, interrogações, exclamações
e pontos sem final que falam de ti

É longínquo o tempo em que irmãos meus te viam com estes olhos?
Quem és tu que o Tempo quebras, o ultrapassas de tal modo que
é na minha vida que nasces… vives… amas… te matam em nome de Deus
e na minha vida esse mesmo Deus que te levanta do mundo das sombras da morte?

Quem és tu que começas sempre tudo de novo?
Quem és tu, o Novo?

Yeshu… Jesus, o de Nazaré…
Diz-me o que é ser discípulo teu, tu que foste ressuscitado por Deus?
Diz-me o que é ser corpo do teu corpo?
Diz-me…
Quero ser fiel pertença
. . Fiel
. . . . . . . . . .pertença

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fala-me dele, contigo, e dos lugares e gentes a quem o seu olhar pertencia e pertence


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Vivo onde descansam os meus olhos
Busco os teus para aí repousar contigo
Quero viver onde vives tu

Rede do pescador, onde habitam os teus segredos?...
fala-me dessas águas fundas onde mergulhas,
e dos que te arrastam e se sentam a recolher os peixes bons
e a devolver ao mar os que não servem
fala-me das noites em que sais para entrares nos dias cheios de mãos vazias
fala-me das mãos que te consertam com a agulha entre os dedos hábeis do pescador
dedos de mãos gastas do duro trabalho de cada noite e cada tarde
sob o seu olhar te rompes e o conserto dele esperas... porque entraste no mar
fala-me do olhar desse que te lança
e que sabe ler no horizonte os tempos que amanhã se irão fazer
fala-me da vida
fala-me dos sonhos
fala-me de ti
fala-me dele, contigo, e dos lugares e gentes a quem o seu olhar pertencia

Mulher que teces o linho… onde vagueia o teu pensamento?...
fala-me das árvores de onde colhes as tuas artes
fala-me das madrugadas em que sais e sentes ainda toda a terra adormecida
fala-me dos dias em silêncio em que o pensamento vagueia
vagueia dançando sobre a tensão dos fios tecidos
fala-me dos pedaços velhos destinados a remendar velhos tecidos
fala-me dos tecidos novos que se gastam e se rompem
e só pedaços de tecido novo o remendam
fala-me da vida
fala-me dos sonhos
fala-me de ti
fala-me dele, contigo, e dos lugares e gentes a quem o seu olhar pertencia

Ó Semeador, lançador de sementes, que as vês voar quando as atiras aos ares
e que sabes não serem tuas
fala-me desses voos que começam na tua mão e não sabes onde acabam
fala-me do teu olhar de esperança quando o pousas sobre os campos rasgados
fala-me da tua paciente espera
fala-me do teu olhar fechado e rosto erguido sentindo o aroma da chuva que chega
fala-me da vida
fala-me dos sonhos
fala-me de ti
fala-me dele, contigo, e dos lugares e gentes a quem o seu olhar pertencia

Figueira que te ergues tão alta que quase tocas os céus
está próximo o tempo de carregares os frutos que continuamente geras
fala-me do Tempo
onde se vêem os ramos tenros que anunciam a chegada do tempo?
fala-me do tempo que se repete em cada ano com cada estação
ensina-me a ler a proximidade dos tempos para ser parte deles
fala-me da vida que bebes das tuas raízes
fala-me dos sonhos do vento que sopra entre os teus ramos
fala-me da seiva que corre dentro de ti
fala-me dele, contigo, e dos lugares e gentes a quem o seu olhar pertencia

Viúva… que perdeste o olhar do teu amor, que perdeste o amparo de uma segura defesa
quando te querem tirar o pouco que é teu
fala-me dos juízes a quem importunas incansavelmente
que te atendem não por vontade de exercerem justiça
mas pela tua perseverante insistência
fala-me da vida
fala-me dos sonhos
fala-me de ti
fala-me dele, contigo, e dos lugares e gentes a quem o seu olhar pertencia

Ó Tesouro que vives escondido, enterrado, guardado no ventre da terra,
quem é aquele que se alegra tanto ao encontrar-te e volta a esconder-te, enterrar-te,
guardar-te no ventre da terra só para que se despossua de tudo o que tem
a pensar em ti
a pensar em comprar esse ventre da terra que te guarda escondido, enterrado?

Fermento que és tomado pelas mãos das mulheres
elas colocam-te mesmo no meio da massa que é tantas vezes maior que tu
Tu és colocado lá dentro, no meio, como aquele que conhecemos da mão atrofiada
tão pequeno és… e misteriosamente vivo fazes a massa do pão multiplicar-se e crescer
fala-me a que sabe a vida
fala-me dos sonhos das gentes sem pão
fala-me de ti
fala-me dele, contigo, e dos lugares e gentes a quem o seu olhar pertencia
Quero viver onde descansam os seus olhos
E quando se encerrarem os meus
quero despertar sob os seus
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E quando os problemas, as perguntas, as dúvidas aparecem...?

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E quando a vida é dura... difícil... em alguns momentos mesmo impossível de suportar, qual é a diferença entre conhecer Jesus ou não?
Como é que encontro Jesus VIVO na minha vida? Estará ele no meu "centro"?
Será que já me encontrei com ele?
Jesus VIVO, hoje, é verdadeiramente uma Boa Notícia na minha vida?

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"Então, SAIU Maria Madalena anunciando aos discípulos: «VI O SENHOR!» E CONTAVA o que ele lhe dissera."
Jo 20,18

"... veio Jesus e pôs-se no meio e disse-lhes: «PAZ A TODOS!» (...) Alegraram-se os discípulos ao verem o Senhor"
Jo 20,20
Na semana seguinte Jesus estava no meio, no centro da sua atenção e das suas memórias, porque nesse momento se reuniram... mas aquelas portas trancadas dentro deles não os deixava sair de si próprios... de que vale a reunião sem o anúncio da Boa Notícia do nazareno?
É mesmo como a semente que se guarda num celeiro fechado, bem trancado...!

Os dois discípulos que íam a caminho de Emaús, ao reconhecerem-no ao partir o pão, mesmo na noite desse pouco perceber tudo o que estava a acontecer, logo se levantaram e SAIRAM para Jerusalém a relatar o que havia acontecido NO CAMINHO, como ele se deu a conhecer no partir do pão...
E de novo ele chega, nessa memória que fazem dele, estando ele no centro das suas vidas...
"«Paz a todos.» Ficaram assustados e com medo a pensar que viam um espírito. Ele perguntou-lhes: «Porque estão alarmados e porque se levantam esses pensamentos no vosso coração. Vejam pelas minhas mãos e os meus pés que sou eu mesmo; TOQUEM-ME E VEJAM-ME, porque um espírito não tem carne e ossos com podem ver que eu tenho.» E eles ainda não acreditavam por causa da alegria, estavam admirados (...)"
Lc 24,36-41
E mais uma vez, como já havia feito com aqueles discípulos a caminho de Emaús, lhes ABRE o entendimento, para que entendam bem toda essa História da esperança prometida por Deus tão desejada, tão esperada pelo povo, para que saibamos ler bem toda a História que somos nós, que sou eu e tu...


Este anúncio é verdadeiramente alguma coisa que transforma a minha vida?

Esta pessoa é verdadeiramente alguém na minha vida?

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