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|7| Porque te amamos e queremos dizer-te, Jesus, chamamos-te UNGIDO, MESSIAS, CRISTO

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Na fé hebraica do nosso Antigo Testamento só os reis e os sacerdotes eram ungidos de forma muito especial.
A unção era o ritual, o sinal marcado sobre o eleito por Deus que o nomeava para uma missão.

Para a unção era usado o óleo extraído da azeitona, o azeite.
A oliveira desde sempre foi apreciada por muitos povos, era uma árvore comum na Palestina. É incrível como chega a viver centenas, até milhares de anos.
Depois de prensado o fruto obtém-se um óleo precioso pela riqueza das suas propriedades.

O azeite é usado já pelos povos antigos para iluminar, com as lamparinas e as candeias.
É usado também para tratar das feridas, para aliviar as dores e acelerar a cicatrização.
As grandes propriedades deste óleo são as de Iluminar e de Acalmar as dores das Feridas.

Derramar este óleo como sinal sobre a cabeça de um eleito de Deus, ungir os pés de um importante hóspede ou ungir todo o corpo (por exemplo, dos defuntos) queria significar muito.

Iluminar e Sarar.

Podemos agora começar a entender melhor o alcance que tem a expressão “Ungido”.

Ao longo de toda a nossa História à procura de Luz e Cura quisemos encontrar o rosto de alguém, de um de nós, um líder que fosse capaz de nos iluminar o Caminho em direcção a uma Terra Justa, um lugar onde só a lógica de Deus reinasse.
Quisemos encontrar o rosto de alguém, de um de nós, um líder que fosse capaz de sarar as feridas que vamos umas vezes provocando, outras vezes sofrendo ao longo deste longo caminhar.
É disto que fala o Antigo Testamento… canta de tantas maneiras a procura cheia de esperança de um povo à procura de um rosto dos nossos, com uma missão da parte de Deus, que tivesse a ousadia de apontar o Caminho que sai da opressão de todos os “Egiptos”.
Um líder.
De quem se poderia esperar esta liderança senão de um rei, ou da mediação de algum sacerdote?
Depois de muito caminhar, o povo da esperança, desesperou de tantos reis e mediadores incapazes e infiéis no cumprimento da promessa sonhada, esperada, feita Aliança entre Deus e o Seu povo.
O Ungido de Deus passou a ser um rosto demasiado perfeito para ser possível, aquele que haveria de aparecer um dia, para apontar o caminho em direcção a uma utopia, um mundo demasiado perfeito para ser possível de existir.
Hoje, só as gentes que são “os restos” do mundo “civilizado”, e a grande maioria, é que sabe o que é esperar o impossível, esperar o líder que estabeleça finalmente a justiça.
O mundo que se diz “civilizado” já não precisa de um salvador, porque não sente necessidade de ser salvo, e só consegue colocar a miséria e a pobreza daquele que chamamos Terceiro Mundo, bem longe dos olhos, bem longe do Coração… sem nome e sem rosto e por isso sem compromisso da nossa parte.

Fomos, ao longo da História, fixando-nos demasiado na mão e no “dedo” do Ungido de Deus, de tal maneira que nos esquecemos já de olhar para onde aponta.
Jesus de Nazaré é uma presença estéril, vazia, na nossa vida se não deixarmos que ele aponte para fora dele próprio.
O Caminho rasgado nas entranhas do Tempo não acaba no nazareno, ele aponta e leva-nos com ele se o seguirmos. Este Jesus é o Primeiro, o já nascido no colo do Abba, ele é o Ungido, o Messias, o Cristo de Deus que aponta o Caminho.
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A pergunta NUNCA deveria ser:
“Então, vamos lá ver, quem é Jesus?”
Resposta: “Jesus é Cristo, o Filho de Deus”

MAS SIM: “Quem é o Ungido de Deus, o Messias, como é o rosto do Cristo que esperamos, o Líder que nos libertará de toda a opressão, aquele em quem temos esperança que nos mostre o Caminho da Justiça até ao mundo que iremos construir e onde só Deus-Amor pleno reina?”
Resposta: “O Ungido, esse é Jesus, o de Nazaré!”

É esta pergunta certa e fundamental à qual todo o Novo Testamento responde, como se nele ainda se escutasse o eco, o clamor da pergunta que sempre existirá no Coração de cada ser humano. E o Novo Testamento dá-nos uma resposta.
Temos um rosto, um nome, uma pessoa, um de nós… o Ungido é Jesus.

É curioso como são raras, e nada ao acaso, as expressões hebraicas que foram escritas nos Evangelhos (escritos em grego), como por exemplo, Rabi ou Abba.
Embora a expressão grega - CHRISTOS, surja inúmeras vezes ao longo de todo o Novo Testamento, ela aparece traduzida nas nossas bíblias como Messias, e a verdade é que MESSIAS - expressão hebraica, só aparece literalmente duas vezes, no Evangelho segundo João.

“André encontrou primeiro o seu irmão Simão, e disse-lhe: «Encontrámos o MESSIAS!» é o mesmo que dizer Cristo”
Jo 1,41

“Disse-lhe a mulher samaritana. «Eu sei que o MESSIAS, que é chamado Cristo, vem. E quando vier, há-de anunciar-nos todas as coisas.»”
Jo 4,25

E vejo por estes duas passagens como é fundamental reconhecer, apontar e seguir aquele que acreditamos ser o Ungido, tal como fez André.
E vejo como isto não é coisa de uns poucos que acham que sabem tudo sobre Deus… este Ungido é para todos, também para aquela samaritana, uma “excluída” do povo “eleito” e “santo”, declaradamente “ignorante” pelos povos “sábios” e “civilizados”… e ainda por cima, uma mulher. O que é certo é que esta mulher fez o mesmo que André, reconheceu, apontou, e seguiu este que acreditou ser o Ungido de Deus.
Sentiram que o Caminho era por ali, era por ele.
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E como é esse Caminho? Tem alguma coisa de mágico? É a solução milagrosa para todos os males?
Não.
Este Messias de Deus, este Ungido, este esperado desde sempre é o Crucificado, o Assassinado.
Esse crucificado é que é o Messias de Deus.
Porque é assim que se morre quando não se pactua com qualquer lógica de opressão…
Porque é assim que se morre quando se acredita no sonho da esperança:
É possível começar a construir e a viver agora o Reino Humanizado, Feliz, (A)jus(tado) a Deus-Abba-Amor Pleno.
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|6| Porque te amamos e queremos dizer-te, Jesus, chamamos-te SUMO-SACERDOTE


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Sumo-sacerdote é daquelas expressões que não fazem mesmo parte do nosso vocabulário de hoje. Mas, se as primeiras comunidades de discípulos de Jesus sentiram tanta vontade de expressar com esta expressão o jeito especial com que ele continua presente na vida de cada um, de um modo absolutamente novo, então é importante que também nós, discípulos de hoje, percebamos a profundidade desta expressão que deram ao nazareno ressuscitado.

Esta proclamação de Jesus como Sumo-sacerdote aparece na Carta aos Hebreus. Mesmo sem saber quem será o autor desta carta, sabemos certamente que será um escrito nascido no seio de uma comunidade de discípulos de Jesus, com raízes profundamente judias, cujos destinatários serão judeus que se foram tornando discípulos de Jesus.

Será bom então perceber o que é um Sumo-sacerdote segundo a fé hebraica, esta mesma fé na qual o próprio Jesus nasceu, aprendeu, que ele acolheu e viveu tão intensamente que foi esta fé do seu povo que se tornou no ponto de partida fundamental para o colocar de Coração aberto, disponível, em profunda comunhão com o Abba.

Sabemos como é comum a todos os seres humanos a profunda necessidade de Salvação, de Libertação, de toda a opressão que adquire tantas formas.
Todo o ser humano sente uma imensa fome de HUMANIZAÇÃO.
Além disso, existe também o desejo profundo de “tocar” Deus, de encurtar essa imensa distância que nos separa d’Ele, de tal modo que até possa ser possível nos unirmos a Ele…
Todo o ser humano sente uma imensa fome de DEIFICAÇÃO. (desejo de sermos UM, de sermos uma Comunhão com Deus)

Para que aconteça esta Libertação e Salvação e este caminho de união com Deus tornou-se necessário encontrar um mediador, um Sacerdote.
Como faz ele acontecer a Libertação e aproximação a Deus?
Através de sinais, rituais, que nos coloquem em sintonia com Deus e nos purifiquem para que nos tornemos dignos da Salvação e da nossa aproximação a Deus.
O Templo é o lugar onde o Sacerdote exerce os sinais e os rituais. Dentro dele está o lugar “Santo dos Santos” e aí está a arca da aliança, Dentro da arca está o maná e as tábuas da lei dada por Moisés, sinais fortes da experiência redentora e libertadora da opressão do Egipto.
No Templo havia também o altar que, como em tantas outras religiões, servia para sacrificar animais. Era preciso oferecer o sangue de bois, cabritos, pombas, para acalmar as fúrias de um Deus que “se passa” de cada vez que nos portamos mal.
O Sacerdote fazia isto por si e por todo o povo, sacrificava animais e oferecia incenso no altar em troca da Paz, do Perdão e Bênçãos de Deus.
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Mas, ao Deus de vivos e não de mortos, sempre disseram os profetas que não Lhe agradavam o sangue de bois e cabritos, mas sim um Coração humilde, dócil, gratuito… Denunciam e anunciam os profetas de todos os tempos ser este o verdadeiro culto que Lhe agrada.

Dizer que Jesus é O Sumo-sacerdote é proclamar que, na verdade, ele é o Único e verdadeiro mediador entre Deus e os seres humanos. Pela maneira com acolheu Deus inteiro e a Sua Família, pelo modo como se foi tornando Um com Deus, pelo facto de ser autenticamente um de nós, ele é o único e verdadeiro mediador, o único e verdadeiro sacerdote.
Dizer Jesus como um mediador/sacerdote/salvador ao jeito dos “tempos antigos” é dizer pouco. É que a vida e a missão de Jesus dizem-nos também como não estamos sozinhos na procura deste Deus, enquanto Ele fica à nossa espera num trono qualquer muito divinal.
O olhar, o toque, a palavra, o silêncio, o caminhar, o sangue derramado, a vida inteira deste que se foi gerando Filho… que chama a Deus de Pai por se sentir todo saído d’Ele, tudo isto nos diz de tantos modos como o próprio Deus está também Ele a caminho, à nossa procura, ao nosso encontro, enquanto deseja tanto ir-Se dando a conhecer.

Que notícia tão boa esta de um Deus, tão amante, tão zeloso, tão pai, que “não Se aguenta”, não Se segura quieto… tem fome de justiça, tem fome de nos (a)just(ar) a Ele de maneira absolutamente gratuita, e a partir do meio, do centro de nós.

E só os olhos dos que “falam” a mesma língua deste Deus, que “sofrem” esta mesma fome de (a)just(e) é que sabem caminhar verdadeiramente ao Seu encontro, e que acolhem o Seu abraço que corre ao nosso encontro.

Ah!... E o modo como Jesus se foi gerando filho é absolutamente espantoso…
Ele dizia que não estava ali pelos que não sentiam necessidade de cura, de Salvação, mas sim por todos aqueles que precisavam de “médico” (Mc 2,17). Deus toma partido, tal como o Filho gerado também toma partido pelos que têm fome de ser salvos.

Que Deus é este que ao longo de toda a História, cheia de todas as nossas pequenas grandes Histórias que vamos construindo e destruindo, Ele derruba qualquer muro que teimemos construir para nos separar d’Ele, quando tantas vezes Ele é para nós o Puro, e nós os Sujos, indignos da Sua Presença?!
Que Deus é este que teima em caminhar ao nosso encontro, ao mesmo tempo que se coloca do nosso lado, não nos deixando sós nesta caminhada ao encontro d’Ele?!
Que Deus é este que escapa de todos o “Templos” fechados que teimamos continuar a construir, e rebenta todas as caixas douradas nas quais ainda O queremos fechar?!
Que Deus é este que, sendo o nosso Criador, sem Se impor, Se faz silenciosamente presente, ainda que não Lhe concedamos o espaço que é tão d’Ele na nossa vida de todos os dias, sim, também desses dias em que não estamos dentro de nenhum lugar sagrado a cumprir um ritual qualquer. Deus, o Pai, está.

É que Jesus, aquele que foi gerado Filho, não se tornou mediador separando-se do mundo, como fazem os “fariseus” (separados) de todos os tempos, e não oferece o “sacrifício”, o sangue, de algo fora de si próprio (bois e cabritos), mas dá-se inteiro ele mesmo, com o seu próprio Sangue que, tal como sabemos da cultura judaica, falar do Sangue, é falar da vida inteira, completa, da pessoa.
E o modo como Jesus morreu e derramou o Sangue, derramou a Vida, diz como isso foi a consequência da sua fidelidade e amor à verdade do seu Pai e da Família do seu Pai.

Já que estamos no chamado Ano Sacerdotal, aproveito para dizer como é quase “pecado” chamar alguém em particular de sacerdote. Se quisermos chamar assim alguém, então chamemos assim todos aqueles e aquelas, todas as comunidades também que, unidos a Jesus, são com ele mediadores do Deus que Se faz próximo e em direcção a Quem é possível caminhar… o Deus que Salva, Ama, Consola, Cura.
Jesus é O mediador por excelência deste Deus, em primeiro lugar porque é humano, e não porque lhe tenha sido atribuído um serviço ou um cargo… nem mesmo porque lhe tenha sido atribuído um título. Sabemos bem como Jesus não tinha nenhum cargo no Templo de Jerusalém, nem em nenhuma Sinagoga… e bem sabemos como denunciava toda a lógica que estava debaixo desse culto…

Os discípulos de Jesus vêem como…
… já não há o lugar do “Santo dos Santos”, o véu que o separava do povo foi “rasgado” pelo nazareno ressuscitado.
… já não há altar, foi quebrado esse lugar onde se sacrificavam vítimas animais, nem sacerdotes para realizar esse ritual por si próprio e por todo o povo, porque o nazareno ressuscitado já entregou a sua vida inteira com todas as decisões, compromissos, anúncio, denúncias e comunhão com Deus. E com ele, o único e verdadeiro sacerdote, todos somos já salvos.

E de tantos novos símbolos possíveis, neste tempo novo, de aliança nova, Jesus escolhe
… uma mesa onde todos têm lugar
… um único pão que chega para todos porque se parte e se partilha e sacia todas as fomes
… um único copo de vinho que por todos passa como quem bebe da mesma cor, da mesma alegria da festa
… uma bacia de água, o serviço que nos faz lavar os pés uns aos outros, um serviço, um ministério de todos, para todos, com todos




Yeshuah de Nazaré… verdadeiramente és O Sacerdote, verdadeiramente és o Único Sacerdote…
Faz-nos um contigo, tu que és a Porta que queremos atravessar para nos encontrarmos com o teu Pai e nosso Pai…
Faz-nos um contigo, tu que és a Porta que Deus escolheu para atravessar, para Se encontrar verdadeiramente connosco.
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Mosheh, aquele que foi salvo das “águas”

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“Havia uma festa dos judeus e Jesus subiu a Jerusalém. Em Jerusalém, junto à Porta das Ovelhas, há uma piscina, em hebraico chamada Betzatá. Tem cinco pórticos, e neles jaziam numerosos doentes, cegos, coxos e paralíticos.
Estava ali um homem que padecia da sua doença há trinta e oito anos. Jesus, ao vê-lo prostrado e sabendo que já levava muito tempo assim, disse-lhe: «Queres ficar são?» Respondeu-lhe o doente: «Senhor, não tenho ninguém que me meta na piscina quando se agita a água, e…”
Jo 5,1-17

… e perguntas-me o que quero e ainda hoje não te sei responder… nem sei bem o meu próprio nome, acho que deixei de ter um, há tanto tempo!...
Sou um desses velhos por dentro e criança por fora. Apodrecido por dentro com as coisas que desejo possuir, e criança por fora pela minha inconstância no agir, na irresponsabilidade das minhas palavras e dos meus gestos, sem querer nada que implique compromissos meus, qualquer coisa que exija de mim ser quem sou, e dar-me assim a alguém.
E quem sou eu?
Deixo-me estar aqui sentado à sombra de um destes cinco pórticos… estou doente, mas já nem sei de quê…
Tu, estrangeiro, que a tantos incomodas, chegas e fazes uma pergunta tão simples… e eu não te sei responder. De algum modo estranho, sinto-me seguro, aí sei com o que conto.

“Queres ficar são?”

Pois… eu sinto ser urgente explicar-te muito bem como é que funcionam as coisas por aqui, no meu mundo, à sombra do meu pórtico. É que nenhum doente, cego, coxo ou paralítico tem a vida mais complicada do que a minha.
Repara como todos se adiantam à procura de ser salvos, e se atiram à minha frente!
Estrangeiro, que vens lá do Norte, da Galileia, que sabes tu da minha vida complicada?
Já tenho ouvido falar de ti, não preciso que tu mesmo me fales de ti. Dizem-me que és o Filho de Deus… ora, ora, e que sabe Deus e o seu Filho da dureza da vida como eu sei?
E mais uma vez perguntas:

“Queres ficar são?”

Seguro mesmo é estar por aqui, mesmo que as águas estejam podres de tão paradas.
Sou um sem nome entre tantos a gemer e aqui ninguém me pede que eu seja mais do que o nada que sou.
Mas sou o que mais sofro entre todos, que não restem duvidas disso a ninguém.
Chegaste, ó estrangeiro, e não me perguntaste o meu nome, nem de onde sou… só me perguntaste se queria ser são, ser salvo, ser curado.
Eu vi-te, no outro dia, fazer a mesma pergunta a outro ali debaixo do outro pórtico… e dele, diante do pouco que dizias, só lhe ouvia o “Pois! Está bem… essa notícia é muito boa, mas não me serve para nada… precisava de ter ouvidos, olhos e pernas para a escutar e acolher na minha vida, como não tenho nada disso, nada feito”
E ainda lá está.
Vias-me distraído e voltaste a perguntar:

“Queres ficar são?”

Estou aqui de olhos tão mergulhados nas águas paradas de mim que já nem me lembro do que é viver fora daqui.
Ó estrangeiro? É mesmo comigo que falas?
Sabes… estou aqui sozinho, ninguém me ajuda a fazer o que é costume, para que eu fique curado. E assim sozinho, sei que não consigo, mas vou continuando à espera que as águas se agitem… no fundo, no fundo… estou mesmo à espera que as águas à minha volta se agitem, se mexam de tal maneira, mudem, que se moldem à minha medida. Que bom vai ser quando o meu mundo for exactamente como eu quero. Então, nesse momento entrarei nele. Pois claro!
Agora não sei viver nele, isso é coisa só dos salvos, dos curados… dos felizes…
Olha bem para mim! Achas que tenho alguma coisa que preste, para nele viver?
Estavas quase a ir embora, dizias que precisavas de continuar o teu caminho… mas ainda perguntaste mais uma vez

“Queres ficar são?”

E nem ouviste mais o que eu pensava… e foste dizendo
“Levanta-te! Pega no que és… e anda!”

Acho que precisaste de o dizer mais umas quantas vezes, até eu desistir de não escutar.
Rendi-me.
Levantei-me, sem que ninguém me tivesse dado a mão. Tu estavas comigo, e ao levantar-me pude ver atrás de ti uma multidão de gente que não me deixaria jamais voltar a dizer que estava sozinho.
Peguei no que era, no que sou… e fui
E não voltei a ser o mesmo

De vez em quando passo por ali, por aquela piscina de Bethzatá… significa “Casa da Misericórdia”… e a algum sem nome que por ali se lamenta da vida e espera a mudança de águas, também eu lhe digo

“Queres ficar são?”
“Levanta-te! Pega no que és… e anda!”

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