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7 - Dizer o nome do Novo Moisés e da sua Nova Lei

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Já vimos como Lucas descreve o nascimento e infância de Jesus, em paralelo com o nascimento de João Baptista.

Com os relatos que lemos em Mateus do mesmo modo encontramos um paralelo, mas aqui é com Moisés.
Mais uma vez volto a repetir… qual o objectivo fundamental para relatar deste modo?
Afirmar que o Yeshuah é mesmo o libertador do povo.
Yeshuah é o novo Moisés, que também ofereceu uma Lei, uma Nova Lei, na montanha… as Bem-Aventuranças… esta é a Lei que a vida do Yeshuah inaugura.

Centenas de anos antes, o povo era oprimido, escravo no Egipto… o povo clamava ao seu Deus pela libertação.
É então que surge na História de zelo constante de Deus pelo Seu povo… Moisés, alguém que foi um Suscitado por Deus.
Para Moisés, tal como para qualquer grande homem da História de Salvação do povo, foi elaborado um midrashe do seu nascimento e infância... quase sempre é um nascimento impossível. Não era suposto ter nascido num povo escravo, não era suposto ter sobrevivido depois de nascer.

Os relatos do nascimento de Moisés contam que os Magos do Egipto informam o Faraó sobre o nascimento de um libertador para o povo judeu (Moisés)… tal e qual como Mateus escreverá como os Magos do Oriente informam Herodes sobre o Libertador do fim dos tempos (Yeshuah).

No Egipto, o Faraó e todo o povo ficam cheios de medo (do nascimento de Moisés)
Em Jerusalém, Herodes e todo o povo perturbam-se com a notícia (do nascimento do Yeshuah).
Então, nos relatos, vemos tanto o Faraó como o Herodes a ordenar a matança de crianças. Moisés escapa extraordinariamente a esta sentença… assim como também Mateus escreverá acerca de Yeshuah, através de um sonho José é avisado do perigo e estes fogem para o Egipto.
Estes avisos e recomendações divinas através de um mensageiro… um anjo… são sempre feitas a José no evangelho de Mateus porque, como já foi dito anteriormente, as reflexões do evangelho de Mateus são fruto de comunidades judias, escritos para judeus seguidores de Yeshuah, numa mentalidade onde a presença e palavra da mulher não tem crédito.

Há ainda um outro paralelo muito semelhante. Depois do Faraó morrer, Deus diz a Moisés para regressar ao Egipto… De igual modo, o relato de Mateus diz como depois da morte de Herodes, são avisados em sonho que podem regressar a Israel.

Na realidade, historicamente, parece não ter havido no tempo do rei Herodes, nenhuma matança de crianças… apesar do seu reinado ter sido muito cruel.
É que, mais uma vez o repito, não se estão a relatar factos históricos, não se está a dizer como foi que aconteceu… mas sim, mostrar bem de quem se está aqui a falar a partir da experiência que viveram ao tocar o Yeshu.

Yeshuah é o Novo Moisés que conduz o povo à Libertação… à Terra Prometida por Deus… conduz o povo ao próprio Coração, ao Reino-Família-de Deus


Relatos do Nascimento e Infância de Jesus
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6 - Atrás da estrela...

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“Levanta-te e resplandece, Jerusalém,
que está a chegar a tua luz!
A glória do Senhor amanhece sobre ti! (…)
para ti afluíram as riquezas do mar,
e a ti virão os tesouros das nações.
Serás invadida por uma multidão de camelos,
pelos dromedários de Madian e de Efá.
De Sabá virão todos trazendo ouro e incenso,
proclamando os louvores do Senhor.”
Is 60,1.5-6

“Ó Deus, concede ao rei a tua rectidão
e a tua justiça ao filho do rei (…)
Diante dele se curvarão os inimigos
e os seus adversários hão-de prostrar-se por terra.
Os reis de Társis e das ilhas oferecerão tributos;
os reis de Sabá e de Seba trarão suas ofertas.
Todos os reis se prostrarão diante dele;
todas as nações o servirão.”

Sl 72(71)1.9-11

Mais um dos sinais que iriam identificar a chegada do Messias prometido por Deus ao Seu povo.
A vinda de reis e nações para Jerusalém prestar a sua adoração a Deus e ao Seu Messias.

Acreditando as comunidades seguidoras do Yeshuah, que é ele este Messias, o Suscitado por Deus, por terem testemunhado como Deus o havia re-sSuscitado, então tornou-se importante dizê-lo também deste modo, fazendo coincidir estes “sinais” da sua vinda, escritos tantos anos antes, colocando-os no relato do seu nascimento… com uns magos sábios e ricos, vindos do Oriente.
E pergunto-me, porque será que nos relatos do nascimento do Yeshu não aparecem os reis do Ocidente também?
Talvez porque o Ocidente estava já representado no país, com a ocupação romana.

Os Magos seguem o aparecimento de uma estrela ligada como que a uma profecia.
Os céus, nesta época, eram muito estudados e os seus acontecimentos eram associados à vida dos seres humanos, especialmente com o momento do nascimento, de um modo supersticioso.

Curiosamente, sabemos hoje com alguma exactidão histórica, que alguma coisa muito especial aconteceu no percurso das estrelas e planetas cerca do ano 7 a.C.
Uma estranha conjunção dos planetas Júpiter e Saturno com a constelação de Peixes.
Para os gregos, o planeta Júpiter representava o rei soberano do universo.
Saturno era associado aos judeus.
A constelação de Peixes representava o fim do mundo.

Lendo esse conjunto, aqueles que na é poça estavam atentos aos céus, poderiam ler neles:
Na terra dos judeus (Saturno) nasceu um rei soberano (Júpiter), o do fim dos tempos (Peixes)

Tendo em conta o objectivo principal destes relatos, que é dizer com toda a certeza quem é o Yeshuah, e não a descrição de como nasceu, então usam-se textos do Antigo Testamento sobre a vinda do Messias aliado aos fenómenos astronómicos.

Seria evidente que os Magos, no relato fossem directos a Belém… ou será que a “estrela” se enganou no caminho?...
É que nas escrituras do Antigo Testamento, além de afirmarem que o Messias heveria de ser da casa de David, nascendo em Belém… Na passagem de Isaías que referi no início vemos ao mesmo tempo como haveriam de o adorar em Jerusalém.
Assim, o seu percurso teve que incluir Jerusalém.









Relatos do Nascimento e Infância de Jesus
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5 - Em Belém...

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“O Senhor disse a Samuel: «(…) Enche o teu vaso de óleo e vai. Quero enviar-te à casa de Jessé de Belém, pois escolhi um rei entre os seus filhos.»”
1Sam16,1
“Mas tu, Belém-Efrata, tão pequena entre as famílias de Judá, é de ti que há-de sair aquele que governará Israel (…) Ele permanecerá firme e apascentará o seu rebanho (…)”
Miq5,1-3
Deus Re-sSuscitou o Yeshuah, porque já o havia Suscitado num primeiro momento.
As comunidades que se foram formando com o testemunho daqueles que tinham acompanhado mais de perto os passos do Yeshuah acreditavam que Deus já sonhava e preparava esta presença do Seu próprio Rosto, tão dentro da Humanidade, através da vida inteira do Yeshuah…
… é sempre a partir daqui que todos os relatos são criados e articulados pelas comunidades.

Era preciso dizer de alguma maneira que o Yeshu tinha nascido em Belém… apesar de ter vivido a maior parte da sua vida em Nazaré, uma aldeola que em nenhum livro das escrituras sequer aparecia, uma terra repovoada por gentes de diversos lugares… tão longe de Jerusalém e do seu Templo, longe do poder religioso e das forças políticas dominantes da época – o Império Romano.
Era preciso dizer de alguma maneira que o Yeshu tinha nascido em Belém, porque havia a certeza de que era ele o Ungido de Deus, o Prometido por Deus ao seu povo, descendente de David…

No relato de Mateus nem sequer há nenhuma preocupação de criar um enredo que explicasse a referência ao Yeshu ter nascido em Belém… “Tendo Jesus nascido em Belém da Judeia…” Mt2,1 e segue o relato, sem mais, sobre o lugar geográfico.
O evangelho de Mateus é fruto de comunidades judias, que reflectem e escrevem para comunidades judias…
Para qualquer judeu estava claro o significado desta afirmação, e qual o objectivo dela… é uma forma de dizer que o Yeshuah é aquele mesmo Messias prometido por Deus, anunciado pelos profetas e esperado por todo o povo.

Os relatos do Evangelho de Lucas são fruto de comunidades anteriormente pagãs (sem origem na fé judaica), e são escritos para comunidades sem esses conhecimentos básicos da fé judaica e espera do Messias.
Se pensarmos bem, vemos como seria impensável para um jovem e uma jovem recém-casados, ela já no fim do tempo de gravidez… empreenderem uma viagem de dezenas de kilómetros para, daquela insignificante aldeia de Nazaré cumprirem tão rigorosamente uma ordem de recenseamento por parte do Império Romano (que, aliás, historicamente sabemos que esse recenseamento foi pedido, mas só alguns anos mais tarde do que afirma aqui o evangelho de Lucas), colocando em perigo a saúde de Maria e do filho que trazia no ventre, prestes a nascer.
A cena é descrita por Lucas… e só mesmo por Lucas, de modo seco e directo porque a finalidade é uma só… o Yeshuah é o descendente de David.

No relato elaborado no Evangelho de Lucas vemos Maria e José a não encontrarem lugar para repousar da suposta viagem. E chega o momento de nascer.
O menino nasce, é o primogénito da jovem mulher… é o primeiro nascido da jovem mulher…
Suscitado por Deus é o Primeiro a ser gerado pela jovem mulher.
re- sSuscitado por Deus será o Primeiro a ser gerado de uma Humanidade inteira que nascerá como Corpo dele mesmo, do Primeiro… como tão bem já havia dito Paulo.

Mas ao nascer parece que não há lugar para ele neste mundo imenso.
O evangelho de João dirá exactamente o mesmo… “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.” Jo1,11
Não o receberam ao ser Suscitado, e não o acolheram ao ser re-sSuscitado por Deus.

“… e teve o seu filho primogénito, que envolveu em panos e recostou numa manjedoura, por não haver lugar para eles na sala da casa onde se recolhiam as caravanas em viagem.” Lc 2,7
Foi envolvido em panos, enfaixado ao nascer, ao ser Suscitado por Deus…
… Yeshuah será envolvido em panos, enfaixado no momento de ser re-sSuscitado por Deus.
No séc. II, curiosamente, surgirá a tradição do nascimento na gruta. Mais uma vez, igualmente uma possível alusão paralela ao túmulo escavado na rocha.

Neste relato de Lucas quem são os primeiros a acolher a notícia do Suscitado por Deus?

Este próximo cenário nada tem de bucólico, nem dos românticos quadros de pastoreio primaveril.
Os pastores eram considerados dos mais impuros, dos mais desprezíveis segundo os fariseus, porque os pastores não conheciam a Lei, e ainda que a conhecessem nunca a poderiam viver. Nunca podiam, por exemplo, cumprir o preceito do Sábado, porque todos os dias, sem excepção, era preciso garantir o alimento aos animais… e violavam assim o sagrado descanso do dia de sábado… além disso, os pastores, tinham muitas vezes que lidar com animais considerados impuros segundo a Lei.

É mesmo a estes, os “impuros”, os merecedores de desprezo por parte dos rigorosos cumpridores da Velha Lei, que a Boa e Nova Notícia é gratuitamente oferecida.
A presença de Deus, o Seu Rosto visível no olhar daquele menino, veio para ficar do lado daqueles que ninguém defende, do lado daqueles que são o resto, o lixo da sociedade, os incómodos, os despossuídos de tudo e de todos… os anawîm…


E já agora, isto não aparece nos relatos dos evangelhos, mas é nossa tradição celebrar tudo isto no dia 25 de Dezembro.
Todos gostamos de festejar o aniversário dos nossos grandes amigos… 25 de Dezembro tornou-se no dia perfeito para o fazer porque naqueles tempos os pagãos o festejavam como o dia do Natal do Sol Invicto… o momento em que o sol, a Luz, volta a reinar sobre a Noite… o momento do ano em que os dias começam a aumentar e as noites a diminuir.
Jesus começou a ser celebrado assim, como a Luz, o Sol Nascente que destrói a escuridão da noite.




Relatos do Nascimento e Infância de Jesus
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