Pages

Como flocos de neve que fecundam a terra

.
.
.

A neve é daqueles fenómenos que sempre encanta
esse cair leve ou forte de água em flocos brancos
E se a Ruah estende os braços de vento
quando brinca com eles sorrindo
já não se conhece o destino desses flocos leves leves

Nem o olhar mais aguçado se apercebe dos preciosos tesouros que viajam assim pelo ar
São um efémero espelho da Beleza da Tua Família
Tudo na Natureza não é senão um efémero Hino à Tua Beleza
É coisa Tua, Divino Ourives
Só Tu poderias fazer reflectir assim o Rosto do Amor
na Beleza escondida de um alvo floco de neve
São Cristais delicadamente esculpidos
nenhum deles igual
nenhum deles menos belo, ainda que durem um instante

É como uma chuva de diamantes
que deixas cair assim, suavemente, naquela que fizeste Tua rainha
… a Humanidade inteira
e esses “diamantes”, neve, gelo, água, a tornam fecunda e isso gera mais vida

É incrível como a beleza pode matar ou dar vida assim…

Não há beleza que perdure
senão aquela que faz abraçar com toda a força da verdade a quem se ama



O Amor
esse, não tem cor
esse, o tempo não traz ou leva
esse, não tem pátria
esse, tem a voz da Verdade e a melodia da Paz
esse, é gratuito, totalmente dado
aí está a Beleza que não passa
que permanece
aí estás Tu, Deus Belo
Deus meu
Deus nosso
Traz-nos sempre aquele que geras Filho
Traz-nos sempre Jesus
como neve que cai, que ele se derrame na nossa vida inteira
e com a Ruah, a fecunde de Ti

Vem,
vem sempre,
tu que és o Senhor, o Jesus de Nazaré
vem e fecunda-nos sempre com o anúncio e a vivência aqui e agora do teu Reino
da tua Família

.
.
.
UM SANTO NATAL DE JESUS DE NAZARÉ QUE VEM,
para todos os que por aqui passam
Um Abraço enorme
.
.
.

8 - E agora?...

.
.
.



E agora?...
O que fazer com esta maneira nova de ler este nascimento do nosso Yeshuah?...

Em jeito de conclusão é preciso ficar claro que é muito bom continuar a viver todo o encanto da presença do presépio, com todas as imagens que o compõem… sabendo que o modo mais belo de celebrar o Natal e vivê-lo conhecendo bem todo o seu significado simbólico de que nos falam de modo especial Mateus e Lucas.
Só deste modo todo este acontecimento traz uma mensagem com sentido para nós, traz uma notícia para o nosso “agora”, tão longe no tempo do que terá realmente acontecido.

Um conjunto belíssimo de símbolos carregados de um fortíssimo significado, mas despidos de tudo o que pode ter um tom de magia ou sobrenatural… sem sentido para o nosso “agora”.

Naqueles tempos era importante mostrar que aquele nazareno era realmente o Filho de Deus.
Hoje parece tornar-se urgente entender o quanto o Filho do Abba era totalmente humano na mais profunda raiz de si próprio… tão humano que só poderia haver ali, naquela vida, o “dedo” de Deus.

Se acreditamos que Deus é o autor de toda a Criação…
Se acreditamos que toda a Criação é protagonista com o próprio Deus nesta tarefa de construir e ser caminho para Deus, ser a Família dEle…
Se acreditamos que Ele ama a obra que Ele mesmo iniciou e que a ama como um pai ama o seu filho único…
… então, Deus não precisa de acontecimentos sobrenaturais para fazer acontecer o Seu Sonho, estaria a excluir-nos dele, se assim não fosse, porque as nossas vidas nada têm de sobrenatural.
… então, só podemos acreditar que Deus é tão Pai que já nos criou tendo em vista o Dom imenso da Família que Ele nos queria oferecer.

Sem ver e contemplar o significado mais profundo de cada símbolo corremos o risco de transportar todos os Natais, com os seus meninos em seus presépios, para um Reino mágico, demasiado longe das nossas vidas, irreal de tão sobrenatural que se torna. E sem revelar a autêntica profundidade de todo esse mistério e encanto.

No aconchego do mais absoluto universal anonimato, lá pela aldeia, a notícia espalhou-se pela vizinhança…
“A Maria deu à luz… é menino… é um belo rapaz… Maria deu um primogénito varão a José!...”

Mais tarde, dezenas de anos depois deste nosso Yeshu ter morrido e Deus o ter “levantado” de novo para nós, uns poucos recordarão estes primeiros instantes anónimos da sua vida… outros tentarão imaginá-los mas...
… todos irão descobrindo que, quando este homem nasceu, ele trazia dentro de si o “Olhar” e o “Rosto” do próprio Deus impresso no seu Coração. Com este homem, desta nossa Humanidade, Deus havia montado a Sua tenda entre nós… no meio de nós… dentro de nós…
… todos irão descobrindo que quando o Yeshuah nasceu,
Deus ganhava “Olhar” e “Rosto” da própria Humanidade. Com este Deus, a Humanidade havia montado a sua tosca tenda entre Ele… no meio dEle… dentro da Família dEle.


Relatos do Nascimento e Infância de Jesus
.
.
.

7 - Dizer o nome do Novo Moisés e da sua Nova Lei

.
.
.



Já vimos como Lucas descreve o nascimento e infância de Jesus, em paralelo com o nascimento de João Baptista.

Com os relatos que lemos em Mateus do mesmo modo encontramos um paralelo, mas aqui é com Moisés.
Mais uma vez volto a repetir… qual o objectivo fundamental para relatar deste modo?
Afirmar que o Yeshuah é mesmo o libertador do povo.
Yeshuah é o novo Moisés, que também ofereceu uma Lei, uma Nova Lei, na montanha… as Bem-Aventuranças… esta é a Lei que a vida do Yeshuah inaugura.

Centenas de anos antes, o povo era oprimido, escravo no Egipto… o povo clamava ao seu Deus pela libertação.
É então que surge na História de zelo constante de Deus pelo Seu povo… Moisés, alguém que foi um Suscitado por Deus.
Para Moisés, tal como para qualquer grande homem da História de Salvação do povo, foi elaborado um midrashe do seu nascimento e infância... quase sempre é um nascimento impossível. Não era suposto ter nascido num povo escravo, não era suposto ter sobrevivido depois de nascer.

Os relatos do nascimento de Moisés contam que os Magos do Egipto informam o Faraó sobre o nascimento de um libertador para o povo judeu (Moisés)… tal e qual como Mateus escreverá como os Magos do Oriente informam Herodes sobre o Libertador do fim dos tempos (Yeshuah).

No Egipto, o Faraó e todo o povo ficam cheios de medo (do nascimento de Moisés)
Em Jerusalém, Herodes e todo o povo perturbam-se com a notícia (do nascimento do Yeshuah).
Então, nos relatos, vemos tanto o Faraó como o Herodes a ordenar a matança de crianças. Moisés escapa extraordinariamente a esta sentença… assim como também Mateus escreverá acerca de Yeshuah, através de um sonho José é avisado do perigo e estes fogem para o Egipto.
Estes avisos e recomendações divinas através de um mensageiro… um anjo… são sempre feitas a José no evangelho de Mateus porque, como já foi dito anteriormente, as reflexões do evangelho de Mateus são fruto de comunidades judias, escritos para judeus seguidores de Yeshuah, numa mentalidade onde a presença e palavra da mulher não tem crédito.

Há ainda um outro paralelo muito semelhante. Depois do Faraó morrer, Deus diz a Moisés para regressar ao Egipto… De igual modo, o relato de Mateus diz como depois da morte de Herodes, são avisados em sonho que podem regressar a Israel.

Na realidade, historicamente, parece não ter havido no tempo do rei Herodes, nenhuma matança de crianças… apesar do seu reinado ter sido muito cruel.
É que, mais uma vez o repito, não se estão a relatar factos históricos, não se está a dizer como foi que aconteceu… mas sim, mostrar bem de quem se está aqui a falar a partir da experiência que viveram ao tocar o Yeshu.

Yeshuah é o Novo Moisés que conduz o povo à Libertação… à Terra Prometida por Deus… conduz o povo ao próprio Coração, ao Reino-Família-de Deus


Relatos do Nascimento e Infância de Jesus
.
.
.