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Já é DIA

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"Já é Noite
e o frio está em tudo que se vê
lá fora ninguém sabe
que por dentro há vazio
e que em todos há um espaço
que por medo não se deu
onde a ilusão se esquece
do que o medo não previu


Já é Noite
e o chão é mais Terra para Nascer
a Água vai escorrendo
entre as mãos a percorrer
todo o espaço entre a sombra
entre o espaço que restou
para refazer a Vida
no que o medo não matou


Mas onde tudo morre tudo pode Renascer


Em Ti vejo o Tempo que passou
vejo o Sangue que correu
vejo a Força que moveu
quando tudo parou em Ti
a tempestade que não há em Ti
arrastando para o Teu Lugar
e é em Ti que vou ficar


Já é Dia
e a sombra está em tudo que se vê
lá fora ninguém sabe
o que a Luz pode fazer
porque a Noite foi tão fria
que não soube acordar
a Noite foi tão dura
e difícil de sarar


Mas onde tudo morre tudo pode Renascer


Em Ti vejo o Tempo que passou
vejo o Sangue que correu
vejo a Força que moveu
quando tudo parou em Ti
a tempestade que não há em Ti
arrastando para o Teu Lugar
e é em Ti que vou ficar


Eu já descobri a Casa onde posso adormecer
eu já desvendei o mundo e o Tempo de perder
aqui tudo é mais Forte e há mais cor no céu maior
aqui tudo é tão Novo tudo pode ser Amor


E onde tudo morre tudo volta a Nascer


Em Ti vejo o Tempo que passou
vejo o Sangue que correu
vejo a Força que moveu
quando tudo parou em Ti
a tempestade que não há em Ti
arrastando para o Teu Lugar
e é em Ti que vou ficar


Já é Dia
e a Luz está em tudo que se vê
cá dentro não se ouve
o que lá fora faz chover
na Cidade que há em Ti
encontrei o meu Lugar
é em Ti que vou ficar"
Tiago Bettencourt


Entre o “Já é Noite” vazio e frio
Chega Já o Dia ainda que cheio de sombras
Enquanto a Noite se vê como o chão que é mais Terra para Nascer
nela a Água que sacia e refresca e limpa, essa que nos mares também mata
nela se pode Renascer
quando não se deixa que o medo mate
quando a Água é sinal de vida, e vida sempre a renascer
é que
“onde tudo morre tudo pode Renascer”
E quando ninguém sabe o que a Luz já presente pode fazer
há quem saiba pegar Nela, para fazer acordar da Noite
aqueles que deixam que a Noite continue a ferir e a matar

És Tu, meu Nazareno…
… é em Ti que vejo todo o Tempo que passou
todo o Teu Sangue-Vida que correu
toda a Tua Vida-Água que me lava, cura, salva
Em Ti vejo toda a Força impetuosa e serenamente suave da Ruah
que é esse outro nome do Amor
e vejo-a com o Abba, em Ti, quando Tudo parou
naquele Dia que ainda não acabou
o Dia em que o Teu e nosso Deus Te suscitou de novo
não te devolveu a vida
deu-ta de maneira tão Nova,
ainda que eu não possa entender como isso é

E essa Força-Ruah-Amor derramou-se para todos os lados do Tempo
e quem não Te conheceu antes, foi lavado por Ti, pela Tua Vida Nova
e quem Te tocou no início desse Dia
esse Dia em que rasgaste todos os tectos dos Templos onde queremos fechar o Teu Pai,
foi lavado por Ti, pela Tua Vida Nova
e quem não Te viu depois, foi lavado por Ti, pela Tua Vida Nova
O que é para Ti o Tempo senão essa Terra, esse chão para Nascer

O Dia começou
O DIA COMEÇOU
com que jubilo tenho eu vontade de o gritar!!!

O DIA COMEÇOU!

O Dia começou e até posso dizer que
ainda que não houvesse espaço na Noite para que o Dia chegasse
ainda que não houvesse lugar dentro de Jerusalém para Te crucificarem
ainda que não houvesse lugar para nasceres
o Amor rompe todos os esquemas,
todos os impossíveis,
todas as ausências de lugar
porque TU ÉS O LUGAR

É conTigo que eu fico
É em Ti que eu fico
na Tua Casa
fazendo também eu chegar esse Dia que és Tu
esse Dia que começou
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Como flocos de neve que fecundam a terra

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A neve é daqueles fenómenos que sempre encanta
esse cair leve ou forte de água em flocos brancos
E se a Ruah estende os braços de vento
quando brinca com eles sorrindo
já não se conhece o destino desses flocos leves leves

Nem o olhar mais aguçado se apercebe dos preciosos tesouros que viajam assim pelo ar
São um efémero espelho da Beleza da Tua Família
Tudo na Natureza não é senão um efémero Hino à Tua Beleza
É coisa Tua, Divino Ourives
Só Tu poderias fazer reflectir assim o Rosto do Amor
na Beleza escondida de um alvo floco de neve
São Cristais delicadamente esculpidos
nenhum deles igual
nenhum deles menos belo, ainda que durem um instante

É como uma chuva de diamantes
que deixas cair assim, suavemente, naquela que fizeste Tua rainha
… a Humanidade inteira
e esses “diamantes”, neve, gelo, água, a tornam fecunda e isso gera mais vida

É incrível como a beleza pode matar ou dar vida assim…

Não há beleza que perdure
senão aquela que faz abraçar com toda a força da verdade a quem se ama



O Amor
esse, não tem cor
esse, o tempo não traz ou leva
esse, não tem pátria
esse, tem a voz da Verdade e a melodia da Paz
esse, é gratuito, totalmente dado
aí está a Beleza que não passa
que permanece
aí estás Tu, Deus Belo
Deus meu
Deus nosso
Traz-nos sempre aquele que geras Filho
Traz-nos sempre Jesus
como neve que cai, que ele se derrame na nossa vida inteira
e com a Ruah, a fecunde de Ti

Vem,
vem sempre,
tu que és o Senhor, o Jesus de Nazaré
vem e fecunda-nos sempre com o anúncio e a vivência aqui e agora do teu Reino
da tua Família

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UM SANTO NATAL DE JESUS DE NAZARÉ QUE VEM,
para todos os que por aqui passam
Um Abraço enorme
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8 - E agora?...

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E agora?...
O que fazer com esta maneira nova de ler este nascimento do nosso Yeshuah?...

Em jeito de conclusão é preciso ficar claro que é muito bom continuar a viver todo o encanto da presença do presépio, com todas as imagens que o compõem… sabendo que o modo mais belo de celebrar o Natal e vivê-lo conhecendo bem todo o seu significado simbólico de que nos falam de modo especial Mateus e Lucas.
Só deste modo todo este acontecimento traz uma mensagem com sentido para nós, traz uma notícia para o nosso “agora”, tão longe no tempo do que terá realmente acontecido.

Um conjunto belíssimo de símbolos carregados de um fortíssimo significado, mas despidos de tudo o que pode ter um tom de magia ou sobrenatural… sem sentido para o nosso “agora”.

Naqueles tempos era importante mostrar que aquele nazareno era realmente o Filho de Deus.
Hoje parece tornar-se urgente entender o quanto o Filho do Abba era totalmente humano na mais profunda raiz de si próprio… tão humano que só poderia haver ali, naquela vida, o “dedo” de Deus.

Se acreditamos que Deus é o autor de toda a Criação…
Se acreditamos que toda a Criação é protagonista com o próprio Deus nesta tarefa de construir e ser caminho para Deus, ser a Família dEle…
Se acreditamos que Ele ama a obra que Ele mesmo iniciou e que a ama como um pai ama o seu filho único…
… então, Deus não precisa de acontecimentos sobrenaturais para fazer acontecer o Seu Sonho, estaria a excluir-nos dele, se assim não fosse, porque as nossas vidas nada têm de sobrenatural.
… então, só podemos acreditar que Deus é tão Pai que já nos criou tendo em vista o Dom imenso da Família que Ele nos queria oferecer.

Sem ver e contemplar o significado mais profundo de cada símbolo corremos o risco de transportar todos os Natais, com os seus meninos em seus presépios, para um Reino mágico, demasiado longe das nossas vidas, irreal de tão sobrenatural que se torna. E sem revelar a autêntica profundidade de todo esse mistério e encanto.

No aconchego do mais absoluto universal anonimato, lá pela aldeia, a notícia espalhou-se pela vizinhança…
“A Maria deu à luz… é menino… é um belo rapaz… Maria deu um primogénito varão a José!...”

Mais tarde, dezenas de anos depois deste nosso Yeshu ter morrido e Deus o ter “levantado” de novo para nós, uns poucos recordarão estes primeiros instantes anónimos da sua vida… outros tentarão imaginá-los mas...
… todos irão descobrindo que, quando este homem nasceu, ele trazia dentro de si o “Olhar” e o “Rosto” do próprio Deus impresso no seu Coração. Com este homem, desta nossa Humanidade, Deus havia montado a Sua tenda entre nós… no meio de nós… dentro de nós…
… todos irão descobrindo que quando o Yeshuah nasceu,
Deus ganhava “Olhar” e “Rosto” da própria Humanidade. Com este Deus, a Humanidade havia montado a sua tosca tenda entre Ele… no meio dEle… dentro da Família dEle.


Relatos do Nascimento e Infância de Jesus
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