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Amor todo-poderoso

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«Quem ama, fala assim:
“Tu és a minha alegria”;
o que significa:
“sem ti, sou pobre de alegria”.
Ou:
“Tu és tudo para mim”;
o que exprime:
“sem ti, não sou nada”.

Amar, é querer ser pelo outro e para o outro.
Pelo outro:
Acolhimento;
para o outro:
Dom.

Aquele que mais ama é por isso o mais pobre.
Aquele que ama infinitamente – Deus –
é infinitamente pobre.

Aquele que ama, depende do outro, diz:
“quero depender de ti”.
Amor e vontade de independência não são compatíveis,
a não ser à superfície.

Aquele que mais ama é por isso o mais dependente.
Aquele que ama infinitamente – Deus –
é infinitamente dependente.

Quem ama, diz:
“não posso olhar-te de ‘cima’, sem faltar ao amor”.
Se quem ama é, de qualquer modo, superior ao amado, o seu amor não é amor senão no acto em que nega a sua superioridade e se faz igual ao amado.

Aquele que mais ama é por isso o mais humilde.
Aquele que ama infinitamente – Deus –
é infinitamente humilde.

Deus é infinitamente rico;
mas rico em amar, não em “ter”
(riqueza em amor e pobreza são sinónimos).

Deus é soberanamente livre;
mas livre de amar e de ir até ao fim do amor
(a Sua vontade, que é o Seu próprio Ser, é vontade eficaz de Se dar).

Deus é a imensidade sem limite,
a potência infinita;
mas é o amor que é imenso, amor todo-poderoso…
capaz de se abaixar até ao aniquilamento.

Deus…
não pode ser traduzido, expresso e revelado,
a não ser pela pobreza, a dependência e a humildade de Jesus de Nazaré.»

François Varillon




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O Deus dos Nómadas

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Olá Amigos!
É bom estar de volta!
Um abraço grande para todos!




















Naquele “Princípio”, em que Deus queria revelar-Se, dar-Se a conhecer, Ele já era o Deus Caminhante, o Deus desejoso de Se pôr a caminho com a Humanidade.

Diferente dos deuses dos povos fortes, este já era o Deus daqueles que não tinham tecto, dos que não tinham casas, cidades ou terras para cultivar…

Naquele “Princípio”, já era o Deus Peregrino, o Deus dos Nómadas. Era, por isso, o Deus Livre, Ele não tinha Templo, Santuários, não Lhe eram prestados cultos por sacerdotes, para este Deus os tempos não se repetiam como acontece no cultivo e colheita dos frutos da terra… Este Deus dos Nómadas era já o Senhor da História muito mais ainda do que Senhor da Natureza.
O povo que começou a amá-l’O, com quem Ele fez Aliança, nada mais possuía senão a sua história passada como domínio, sempre voltada para a esperança no futuro, totalmente empenhada na descendência que mantivesse essa história comum e que continuassem a ter pés para caminhar.

Naquele “Princípio”, Deus chamou pelo seu nome um homem que vivia “instalado” na sua civilização.
Esse homem desinstalou-se, pôs-se a caminho, ainda que não soubesse para onde caminhava. Então este Deus prometeu-lhe o que todos os povos nómadas mais anseiam… uma Descendência e uma Terra. Garantiu-lhe ainda que daí em diante Ele seria o seu Deus, ele e o povo da sua descendência seriam o Seu Povo.

Chamava-se Abraão.

Fez-se assim um homem livre, com o Deus Livre, desamarrado de qualquer “sistema”… sem casas, sem cidades, sem terras, só com uma Promessa nas mãos, uma Esperança num Futuro.
Foi cerca de 2000 antes de Jesus de Nazaré ter nascido e desde que Ele chamou Abraão, Deus foi sempre fiel à Promessa feita.

Abraão e Sara, já velhos e estéreis, deram à luz o impossível. Deram à luz a Promessa de Deus no rosto de um menino chamado Isaac para que ninguém duvidasse que ele era o Dom de Deus, era a Promessa de Deus que começava a cumprir-se.
Do mesmo modo, aquele Jesus de Nazaré que nascerá 2000 anos depois será o nascimento “impossível”, será a Promessa de Deus a realizar-se não já num “Princípio”, mas numa “explosão” de Salvação que se espalha para todos os lados da História, passada e futura, naquele dia em que Deus ressuscita Jesus, esse Jesus que nasceu, viveu e morreu como o Dom de Deus, será a Promessa de Deus a cumprir-se não num povo só, mas na Humanidade inteira de toda a História.

Na história de Abraão a provação é inevitável. Não sei quem mais foi provado, se Abraão ou Deus, quando Abraão subiu ao monte com Isaac, de cutelo na mão, para fazer o que todas as divindades que se conheciam “exigiam” naqueles tempos: o sacrifício humano, a oferenda do primeiro “fruto” da terra.

Mas…
… o Deus dos Nómadas não é igual aos outros “deuses”.

Na Sua Promessa, na Aliança que estabelece, a única coisa que pede a Abraão e à sua descendência é Fidelidade e Liberdade. Deixando que o Deus da Liberdade seja a sua Segurança, a sua Companhia, a sua Protecção… a sua Salvação.
Desde estes dias, a Humanidade que confia na Promessa do Deus Caminhante vive em tensão permanente em relação ao Futuro, enquanto vai caminhando e construindo a sua História… sempre de olhos cheios de Esperança.

O Deus Peregrino é o Senhor da História, Dono do Passado permanentemente a caminhar para o nosso Futuro. É neste “entretanto” da História que vamos fazendo, que o Deus Livre Se dá a conhecer.
Só quem se compromete, disponível, a levar o “Cajado” da Esperança conseguirá “persegui-l’O”.
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Já é DIA

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"Já é Noite
e o frio está em tudo que se vê
lá fora ninguém sabe
que por dentro há vazio
e que em todos há um espaço
que por medo não se deu
onde a ilusão se esquece
do que o medo não previu


Já é Noite
e o chão é mais Terra para Nascer
a Água vai escorrendo
entre as mãos a percorrer
todo o espaço entre a sombra
entre o espaço que restou
para refazer a Vida
no que o medo não matou


Mas onde tudo morre tudo pode Renascer


Em Ti vejo o Tempo que passou
vejo o Sangue que correu
vejo a Força que moveu
quando tudo parou em Ti
a tempestade que não há em Ti
arrastando para o Teu Lugar
e é em Ti que vou ficar


Já é Dia
e a sombra está em tudo que se vê
lá fora ninguém sabe
o que a Luz pode fazer
porque a Noite foi tão fria
que não soube acordar
a Noite foi tão dura
e difícil de sarar


Mas onde tudo morre tudo pode Renascer


Em Ti vejo o Tempo que passou
vejo o Sangue que correu
vejo a Força que moveu
quando tudo parou em Ti
a tempestade que não há em Ti
arrastando para o Teu Lugar
e é em Ti que vou ficar


Eu já descobri a Casa onde posso adormecer
eu já desvendei o mundo e o Tempo de perder
aqui tudo é mais Forte e há mais cor no céu maior
aqui tudo é tão Novo tudo pode ser Amor


E onde tudo morre tudo volta a Nascer


Em Ti vejo o Tempo que passou
vejo o Sangue que correu
vejo a Força que moveu
quando tudo parou em Ti
a tempestade que não há em Ti
arrastando para o Teu Lugar
e é em Ti que vou ficar


Já é Dia
e a Luz está em tudo que se vê
cá dentro não se ouve
o que lá fora faz chover
na Cidade que há em Ti
encontrei o meu Lugar
é em Ti que vou ficar"
Tiago Bettencourt


Entre o “Já é Noite” vazio e frio
Chega Já o Dia ainda que cheio de sombras
Enquanto a Noite se vê como o chão que é mais Terra para Nascer
nela a Água que sacia e refresca e limpa, essa que nos mares também mata
nela se pode Renascer
quando não se deixa que o medo mate
quando a Água é sinal de vida, e vida sempre a renascer
é que
“onde tudo morre tudo pode Renascer”
E quando ninguém sabe o que a Luz já presente pode fazer
há quem saiba pegar Nela, para fazer acordar da Noite
aqueles que deixam que a Noite continue a ferir e a matar

És Tu, meu Nazareno…
… é em Ti que vejo todo o Tempo que passou
todo o Teu Sangue-Vida que correu
toda a Tua Vida-Água que me lava, cura, salva
Em Ti vejo toda a Força impetuosa e serenamente suave da Ruah
que é esse outro nome do Amor
e vejo-a com o Abba, em Ti, quando Tudo parou
naquele Dia que ainda não acabou
o Dia em que o Teu e nosso Deus Te suscitou de novo
não te devolveu a vida
deu-ta de maneira tão Nova,
ainda que eu não possa entender como isso é

E essa Força-Ruah-Amor derramou-se para todos os lados do Tempo
e quem não Te conheceu antes, foi lavado por Ti, pela Tua Vida Nova
e quem Te tocou no início desse Dia
esse Dia em que rasgaste todos os tectos dos Templos onde queremos fechar o Teu Pai,
foi lavado por Ti, pela Tua Vida Nova
e quem não Te viu depois, foi lavado por Ti, pela Tua Vida Nova
O que é para Ti o Tempo senão essa Terra, esse chão para Nascer

O Dia começou
O DIA COMEÇOU
com que jubilo tenho eu vontade de o gritar!!!

O DIA COMEÇOU!

O Dia começou e até posso dizer que
ainda que não houvesse espaço na Noite para que o Dia chegasse
ainda que não houvesse lugar dentro de Jerusalém para Te crucificarem
ainda que não houvesse lugar para nasceres
o Amor rompe todos os esquemas,
todos os impossíveis,
todas as ausências de lugar
porque TU ÉS O LUGAR

É conTigo que eu fico
É em Ti que eu fico
na Tua Casa
fazendo também eu chegar esse Dia que és Tu
esse Dia que começou
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