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Custa um bocado, mas depois passa, já passa…

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Custa um bocado, mas depois passa, já passa…
Ui! Isto vai doer, mas já passa…

Sempre que uso esta expressão, seja lá em que circunstância for, lembro-me sempre do olho negro, à terrorista, com que fiquei… depois de uma aventura em que me meti, sem mais ninguém que me pudesse amparar a queda.
Pensei na possibilidade de que poderia morrer, sim, e sorria com isso.
Até resolvi arrumar o “canto” onde costumo estar mais, para deixar mais ou menos tudo arrumado. No fundo, era exactamente aquela sensação de fazer as malas, é que podia chegar aquela tal hora de partir a sério…
É incrível como nessa etapa da minha vida já não tinha medo... e não era coisa de me pôr assim a pensar no “se”, eu acreditei MESMO nessa possibilidade, e pude constatar mesmo que não tinha medo.
Mas… ao mesmo tempo que queria estar só, e lembro-me que o queria mesmo muito,
também me lembro que estava melhor ainda, comunicando com alguém que me era muito próximo, com meia dúzia de mails que trocámos no espaço de 1h… era como que um “olá” com um “até já”.

Era de noite…
E foi tão bom sentir a força da ausência do medo, numa serenidade que não sei dizer!...
Nessa noite falei tanto com o Dono da Casa…

Amanheceu e eu pensei:
Afinal, ainda não está na hora de ir para Casa,
pronto, não tem mal, espero mais um bocadinho.

Custa um bocado, mas depois passa, já passa…
… já é quase a Páscoa
… já está quase na hora da Festa

Tantos rostos, tantas vidas, tantos abraços, tanta Comunhão conheci depois
e sei que ainda mais irei conhecer/amar
Parece que a Vida é isso de estar ela sempre a transbordar por todos os lados
só é preciso estarmos atentos,
porque é possível deixarmos que ela se escape por entre os dedos quando a tentamos agarrar só para nós

A Vida é mesmo tão bonita e ainda mal começou o melhor dela
é mesmo urgente começar a entrar nela agora, para lhe apanhar o jeito
ganhar balanço e ir
agora
é sempre agora que se começa a viver



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Sim, tem a ver com todos nós

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Reuniões, discussões, ideias "brilhantes", sugestões, especialistas, esperas, prazos, planos, decisões, realizações, culpas e fracassos…
… aqui não sei bem se é para rir ou para chorar

«A BP aceitou criar um fundo de 20 mil milhões de dólares (mais de 16 mil milhões de euros) para indemnizar as pessoas afectadas pela maré negra, desencadeada pela explosão de uma das suas plataformas no golfo do México. O anúncio foi feito após uma reunião dos responsáveis da petrolífera britânica com o Presidente norte-americano, Barack Obama. O dinheiro será gerido pelo advogado Kenneth Feinberg, que foi o responsável pelo fundo de compensação às vítimas dos atentados do 11 de Setembro de 2001.
"É um bom começo", disse Obama numa curta declaração após o encontro com o presidente da BP, Carl-Henric Svanberg, e outros responsáveis da companhia.
(…)
Desde a explosão da plataforma Deepwater Horizon, a 20 de Abril, a companhia petrolífera já gastou mil milhões de dólares (mais de 800 milhões de euros) nos trabalhos de limpeza. E esse custo irá continuar a aumentar, já que se prevê que apenas no final do Verão a fuga fique totalmente selada.
(…)
Além disso, lembrou que esta é já "a pior catástrofe ecológica vivida nos EUA", indicando que "ao contrário de um sismo ou um ciclone, não é um acontecimento pontual que provoca danos em alguns minutos ou dias". Obama comparou a maré negra a uma "epidemia", que terá de ser combatida "durante meses e até anos".
O Presidente espera que este acidente sirva ainda para avançar na nova lei de energias renováveis. "A tragédia que atinge as nossas costas é uma lembrança dolorosa e forte que chegou a hora de adoptar as energias limpas do futuro", afirmou.»

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de silêncio e de vagar

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"Quero que eles se alimentem,
semelhantes a frutos que se realizam,
de silêncio e de vagar.

Quero que eles chorem por muito tempo os seus lutos,
que prestem demoradas homenagens aos mortos,
porque a herança passa lentamente de geração para geração.

O que eu não quero é que eles derramem o seu mel pelo caminho.

Quero que eles sejam semelhantes ao ramo da oliveira,
que sabe esperar.
Quando forem semelhantes a ele,
começarão a sentir o grande balançar de Deus,
que vem como um sopro experimentar a árvore.
Ora os leva ora os traz,
da alba para o crepúsculo,
do Verão para o Inverno,
das searas que medram para as colheitas já enceleiradas,
da mocidade para a velhice,
e depois da velhice para os filhos novos.

Tal como acontece com a árvore,
não podes saber seja o que for do homem
se o desdobras pela sua duração e o distribuis pelas suas diferenças.

A árvore não é semente, depois caule, depois tronco flexível, depois madeira morta.
Para a conhecer é bom não a dividir.

A árvore é essa força que desposa a pouco e pouco o céu.

É o que acontece contigo
(…)
tu nem és aquele estudante,
nem aquele esposo,
nem aquela criança,
nem aquele velho.
Tu és aquele que se cumpre.

E, se sabes ver em ti um ramo que baloiça, bem pegado à oliveira,
hás-de nos teus movimentos gozar a eternidade.

E tudo à tua volta se tornará eterno."

Antoine Saint-Exupéry, Cidadela

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