Pages

...











Ocupa o espaço amplo e nu
esse que a música abre dentro
rompe essa capa de que a Humanidade se veste
todas as noites
em que as feridas fecham lugares
fecham amores esquecidos, apagados, feridos, outros nunca nascidos
Vem Ruah, Espírito, Sopro que passa e sempre volta
Faz mais dentro o Teu ninho de pomba mansa
Aninha-Te e sossega “até que o Amor queira”
A minha Humanidade sempre anseia ver a Tua tenda
ganhar os traços que o nosso Tempo gasta
no seu centro
Sossega e desperta
Dá à Tua Humanidade que é minha
os olhos de criança
e as mãos dos velhos
o coração dos jovens
não permitas que nela se apague o sonho de pobre
nem a esperança de quem caminha de pé, de mãos vazias
e a canção da liberdade que leva no peito o que é injustamente perseguido ou sofredor
Toca Tu dentro de mim essa melodia sempre nova
quero escutar de Ti, outra vez e outra vez a história de um homem
um de mim que nasceu, viveu e morreu
esse em quem repousavas, com quem Te encantavas
a quem o Todo-Amor, o Pródigo-Pai, levantou do chão da noite
e o fez para sempre O Coberto, Transbordante de Ti, Ungido… Messias
na minha Humanidade
esse com olhos de menino
com mãos de velhos
o coração forte e vibrante dos jovens
onde pulsam só os sonhos de pobre
e porque tem as mãos vazias estão elas repletas da esperança
caminha, de pé, e no chão dos meus dias
dentro dele murmuras alto e baixinho a canção da liberdade
porque Te deixou nele repousar e ficar





Vem Ruah, Espírito, Sopro que passa e sempre volta
Faz mais dentro o Teu ninho de pomba mansa
Aninha-Te e sossega “até que o Amor queira”
A minha Humanidade sempre anseia ver a Tua tenda
ganhar os traços que o nosso Tempo gasta
no seu centro
Sossega e desperta
Dá à Tua Humanidade que é minha
os olhos de criança
e as mãos dos velhos
o coração dos jovens
não permitas que nela se apague o sonho de pobre
nem a esperança de quem caminha de pé, de mãos vazias
e a canção da liberdade que leva no peito o que é injustamente perseguido ou sofredor
Toca Tu dentro de mim essa melodia sempre nova
quero escutá-la de Ti, outra vez e outra vez













e ser dia















Às vezes as minhas palavras cheias de letras parecem-me demais e

Calei-me para ouvir o teu choro de recém-nascido menino
E só escutei o choro escondido dos que caminham enterrados no chão
e que ainda não nasceram

Procurei a tua estrela entre as estrelas
E só escutei o ruído dos aviões e vi o dedito das crianças que para ali aponta,
sem nunca se cansarem de se encantar: “É bião!?”

Era noite
por isso inclinei-me e encostei também eu o ouvido à Terra
essa sempre grávida de ti
E ouvi o bater do Coração da minha Humanidade inteira
Em harmonia com essa batida incessante do teu caminhar para mim
Continuo a acreditar que a minha Humanidade há-de sempre caminhar por aí Dentro

para nascer

e ser dia








Quando parares de fugir, ver-Me-ás




Vi o sofrimento fazer heróis de alguns dos Meus filhos.
A força com que suportaram a dor é um exemplo luminoso para todos.
Mas por vezes, Meu filho, o sofrimento é só sofrimento.
Parece gratuito.
É um sentimento de vazio.
Não ensina nada.
Não traz recompensa.
É, apenas.
É, apenas, e tu sentes-te só.
Abandonado.
Desamparado.
Pensas que Me fui embora
Por isso foges.
A tua mente desliza para longe da angústia.
O teu corpo retrai-se com a dor:
O teu coração tenta fechar-se ao sofrimento.
Vejo-te fugir.
Não acreditas que estou contigo.
Mas estou aí.
Quando parares de fugir do sofrimento
E te voltares para o enfrentar,
Quando entrares em agonia sem lhe reagires,
Quando encarares o teu sofrimento e lhe conheceres o nome,
Então ver-Me-ás.
Ver-Me-ás no seu âmago, junto de ti.
Não importa o teu corpo devastado pela dor
Ou o teu espírito em turbilhão por entre as dores e angústias.
Quando parares de fugir, ver-Me-ás.
Eu não desistirei de ti.
Não posso abandonar-te.
Não estás sozinho.
Eu estou contigo.
Desmond Tutu e Mpho Tutu