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7... Yeshuah... conta-nos uma dessas parábolas





Não há outra intenção senão a de ajudar a entrar na lógica do já presente Reino do Abba a acontecer. É o que significa parábola… ajuda-nos a aproximar-nos e a mergulhar num Reino que não é uma outra vida que virá depois, mas um jeito de viver a partir do mais íntimo da vida de cada pessoa, agora…

Se fosse hoje, e na nossa cultura, talvez Yeshuah começasse assim:
- O Reino de Deus é como esta história que vou contar:
Era uma vez um dono de uma terra, que saiu, logo ao amanhecer, para contratar trabalhadores para a vindima…
(Mt 20, 1-15)



Além destas histórias terem cenários da vida que todos viviam ou conheciam bem, como a cultura deste povo tem um jeito de pensar especialmente diferente do que estamos habituados, com muita facilidade atribuem a personagem e realidades, um forte significado simbólico.
Assim, o proprietário de uma terra, ou vinha, assim como a personagem do pai ou do rei noutras parábolas, era associado espontaneamente, pelas pessoas que o escutavam, ao próprio Deus.
A imagem da vinha é associada a Israel.
Uma vindima, tal como uma colheita noutras parábolas que conta, ou também os banquetes, fazem lembrar os últimos tempos.

Um dos factos desconcertantes desta história é que o dono do terreno, como qualquer outro proprietário deste tempo, viveria em alguma grande cidade, e o costume seria de apenas visitar a vindima enquanto estivesse a decorrer. A função de procurar e contratar trabalhadores era dada a um administrador e a situação comum era, logo pela manhã e unicamente neste momento, este contratar o número já pensado de operários necessários.

Yeshuah, nesta parábola, conta como é o próprio dono que fala directamente com os que quer contratar, ao amanhecer…
… volta a sair à praça a meio da manhã, buscando mais alguém que esteja sem trabalho.
… sai novamente no início da tarde.
… novamente a meio da tarde volta a sair à praça.
… e, por incrível que pareça, no final da tarde, sai novamente e encontra ainda ali quem procura que os contrate…
“- Porque estão aqui todo o dia parados?
- É que ninguém nos contratou.
- Venham também para a vinha.”


Parece que nunca se cansa de “sair” em busca de quem busca dignidade para viver, em busca de quem lhe dê trabalho e por ele um denário para que possa levar pão para a família.
Andamos uma vida inteira sempre em busca de alguma coisa, muitas vezes sem perceber que é Alguém que buscamos e esperamos que nos busque.
Este dono da vinha busca sem se cansar por quem o busca, sai de si vezes sem conta à minha procura… à tua procura.

Durante todo o resto da parábola não se fala sobre o trabalho da vindima.

Mais parece que não procurava tanto quem nela trabalhasse… mas quem nela ENTRASSE… tal como noutras parábolas em que Yeshuah fala do banquete.

É desconcertante o final da história que vira do avesso todas as nossas lógicas.
Segundo a nossa lógica, se trabalhamos muito, merecemos uma retribuição, se trabalhamos menos, merecemos menos. Se estudamos muito, se temos umas quantas licenciaturas, mestrados doutoramentos temos direitos que outros não poderão ter… se somos mais inteligentes, ou se temos muita esperteza merecemos mais do que outros… se rezamos mais missas ou mais terços temos mais herança de céu do que outros que só sabem amar, por exemplo…
… mas as “lógicas” do Reino nada têm a ver com merecimentos ou recompensas por uma boa folha de serviços prestados…

Yeshuah continua…
“Ao entardecer, o dono da vinha diz ao seu administrador:
«Chama os trabalhadores e paga-lhes o dia de trabalho, começando pelos últimos até aos primeiros»”

É que com os primeiros contratados havia-se acordado o pagamento de 1 denário.
Os últimos, os que haviam chegado ao fim do dia, todos os vêem receber 1 denário… os primeiros calam-se e esperam pela sua vez, porque esperam agora receber mais, por mais terem trabalhado, tendo suportado o peso de todo o dia e de todo o calor. Ao chegar a sua vez é 1 denário o que recebem.
Murmuram contra o dono da vinha, ao que este responde:
“Amigo, não estou a ser injusto contigo.
Não combinámos que receberias 1 denário?
Então, leva-o e vai.
Eu quero dar ao último o mesmo que te dei a ti.
Não posso fazer o que quero com aquilo que é meu?
Ou vês-me com olhos maus só porque eu sou bom?”

É, Yeshuah. Sento-me aqui contigo enquanto nos falas… ainda agora nos contas esta parábola, ainda nos deixas a pensar…

3 comentários:

Rui disse...

..."do que outros que só sabem amar, por exemplo…"

AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH
AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH
AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH
AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH

Ai que bela risada. Obrigado, Anawim!

Anónimo disse...

Anawîm.

Como é bom ler vc.
Quero ter a certeza de que Jesus, "...dono da vinha busca sem se cansar por quem o busca..."
Como O busco e como sou falha...


Beijinhos no coração.
Uma amiga do Brasil.

Inês Monteiro disse...

Ai! ai! que bom sentir as tuas palavras! Tão sabias!
Que força (Fé) vim aqui buscar... para combater o medo que hoje estou a sentir...

Um Abraço