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Meu Rebento de Jessé…
Nascido de mim,
de mim que Humanidade inteira sou

Nascido de novo, para mim,
por Aquele que não respira para Si mesmo
mas sempre sopra essa Brisa do Amor sobre mim,
sobre mim, Humanidade inteira que sou

Rebento de Jessé…
Meu Rebento de Jessé…
nascido de mim,
nascido de novo para mim,
nascido de um modo tão novo como é sempre novo quem sabe nascer
e voltar a nascer
e voltar a nascer
porque é assim que acontece com quem ama

Meu Rebento de Jessé…
Nascido de mim, Humanidade inteira… tronco ressequido que sou, que fui
Nascido de novo, para mim
Rebento novo que me revigoras inteiramente…
… Humanidade inteira que fui, que sou e que será contigo muito mais Humanidade
… farás de mim o sonho dAquele que espera de mim a abertura para O receber inteiro
É possível?...

Diz-me,
ó Rebento de Jessé,
é possível receber o Abraço de um Deus?...
Terá a minha Humanidade inteira braços que O acolham?...
Tu, meu Rebento, foste à frente, a caminho, como ninguém
estendeste os braços…
… nunca à espera da glória que pudesses receber do Abba
porque não sabias viver de ti para ti e por ti… em nenhum momento…
atiraste-te para o Amor… amando como ninguém o soube fazer
Não mendigaste o amor e a ternura de ninguém
porque foste percebendo que não era por aí o caminho…
foste tu, inteiro, amor e ternura para quem tinha os braços abertos para te acolher

Meu Rebento de Jessé…
não te deixaste nunca enganar pelas “felicidades” sem consistência
dessas que são geradas pelo regalo que sentimos,
ao ver como outro ou outros giram à nossa volta…

Meu Rebento de Jessé…
bem te vi quando, algumas vezes, te queriam fazer rei, e tu “fugias”…
… fugias envergonhado dessas alegrias enganosas que em pouco tempo se vê como são caducas e estéreis…
é que, diante de ti, tão depressa aclamam “hossana”, como gritam “crucifica-o”…


Algumas vezes encontro nos meus caminhos gente que é como “buracos negros”
Um buraco negro é uma área do nosso universo
pequeno ou grande
que se abandona a uma força enorme, exercida pelo seu próprio centro,
o seu próprio centro de gravidade…
e isso acontece com tal força que tudo à sua volta é como que “devorado” pelo seu centro, nada consegue subsistir à sua volta e assim nada consegue existir à sua volta…
o que mais me choca é como até a luz… até a luz esta força consegue sugar e torná-la assim escuridão, escura tal como é o seu centro…

Há gente assim, que é como os “buracos negros”, que muitas vezes começam como “sol super-gigante”, e por tão grandes se terem tornado… tornam-se permanentemente sequiosos de quem possa girar à sua volta e nele apagar-se

Há gente assim… gente-“buraco negro”… que surge como “sol super-gigante” e depois acaba por se engolir a si próprio por tanto se buscar a si mesmo… e acaba infeliz e sozinha.
É duro concluir isto, mas tenho-o observado com tanta intensidade!!!… e tanto me dói ver…

O amor…
ó Rebento de Jessé,
um dia perguntaram-me o que é o amor…
… o que é amar bem
e com o que já vivi,
e com o que hei-de viver ainda,
não hei-de acabar de o descobrir
mas desconfio
desconfio que seja esse derramar-se no outro, verter-se no outro…
… é isso, afinal, o Coração que se com-verte verdadeira e genuinamente.
… é esse verter-se de tal modo no outro, que o outro encontra espaço para também se derramar no outro, sem nunca o absorver, mas dando-lhe espaço e doando-se… sempre… num absoluto respeito, sem invadir nem provocar a sua própria presença…

Meu Rebento de Jessé…
meu rebento de Jessé… agora entendo o que significa esse “esvaziar-se de si mesmo” que dizem de ti…
Foste-te descobrindo a pouco e pouco e pouco assim…
… com olhos cheios de esperança foste morrendo, à medida que te descobrias, no tronco velho e seco.
… esvazias-te dessa tua força atractiva que exerces sobre todos os que te rodeiam, e “vertes-te” em todos eles, derramas tudo o que és sobre todos…
GRATUITAMENTE…

Que coisa é isso para nós?… darmo-nos sem esperar nada do outro lado
Que coisa estranha é para nós!!!...
E parece que acabamos só por “nos darmos” com quem já contamos que dali virá alguma coisa… e isto nada tem de gratuito… nada tem de feliz…
nada tem a ver com a formação do Reino-Família de Deus

Meu Rebento de Jessé,
Rebento verde no tronco velho, seco e estéril, morto.
Tu vives para me levares, Humanidade inteira, para aqui
este “aqui” que é já,
ainda que não tenha começado para todos este País da Família de Deus
És meu, da minha Humanidade inteira
desde o primeiro momento em que começaste a descobrir o teu caminho
envolvido nesses panos novos que são a tua realidade vivente
que te é oferecida pelo Abba
Meu Rebento de Jessé…
nascido de mim,
nascido de novo para mim
nascido, por vontade do Abba, da força da Ternura da Ruah

Rebento de Jessé…
Quero ser rebento vivo, contigo, do tronco seco…
desse tronco ressequido dos que vivem sem esperança
e sem brilho no olhar
e sem alegria verdadeira
e sem a dignidade de saber como se pode voltar a nascer e ser mais, sendo pequeno

Rebento de Jessé…
Quero ser Rebento vivo, contigo, do tronco seco…
desse tronco ressequido dos que não sabem partilhar
partilhar o alimento
partilhar a esperança
partilhar a alegria
partilhar a vida

Exulto numa alegria que não consigo conter dentro de mim
ao ver como o Abba ama a minha Humanidade inteira
GRATUITAMENTE
Nada O move, para receber alguma coisa de mim
Ama-me, derrama-Se sobre mim
envolve-me no Seu Abraço Amante
não porque Ele precise do meu abraço
não à espera que eu Lhe corresponda desta ou daquela maneira

Ama-me, derrama-Se, verte-Se em mim… porque sim
porque Ele é totalmente pleno
e porque, ao mesmo tempo, é totalmente vazio de Si próprio
num movimento permanente
permanente
permanente
permanente
como uma dança…

ai…
e as palavras que são pobres para dizer o que sinto
e a felicidade que sinto que assim seja
porque posso cantar-Te sempre sempre Abba-Amor
posso cantar-te sempre meu Rebento de Jessé
posso cantar-te sempre ó Respiração Doce e Perfumada do Amor Permanente Movimento de união
posso cantar-te sempre meu Reino-Família de Deus,
Sonho meu também…

Meu Rebento de Jessé…
Até quando me “matas” assim?…
até quando?...

quero ver-te…
quero verter-me em ti















1 comentário:

figlo disse...

"...quem ama nasce e renasce"...e cresce e aprende a inventar-se em gestos, em ternura...às vezes em palavras...às vezes em silêncio...aprende a dar-se...porque o nosso reencontro com a "Árvore da Vida" é relacional e só acontece se formos capazes de viver de braços abertos...deixando que"a brisa do Amor que sopra sobre mim" possa passar livremente... gratuitamente...não a posso agarrar na sua viagem de com-versão desta Humanidade que sou...