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Anseios e desabafos... às quatro da tarde



Disseram-me que as trevas morreram às três da tarde
e tu nasceste nos meus braços
nos braços da minha Humanidade…

Ainda assim eu não te conhecia
mas ao escutar dos teus lábios o meu nome
voltei-me para ti
voltei-me para ti
se lágrimas houve,
já não conheço os caminhos por onde correram
porque ao conhecer-te mudaram-se os vales por onde corriam esses rios
e se antes cantavam tristes
hoje serenamente correm alegres por outros caminhos

Disseram-me que passaste às quatro da tarde
Vi-te,
e nunca mais perdi de vista a orla do teu manto
Viste-me,
e desta vez foste tu que te voltaste para mim
“Que queres comigo?”

Se antes perguntavas à minha Humanidade porque chorava
Agora perguntas o que quero eu…
… que queremos
É por volta das quatro da tarde e não estou só
Então perguntamos-te: “Moreh Yeshu… de onde és?”
É que não sei bem o que quero contigo
É que só contigo o posso descobrir
“Moreh Yeshu… onde vives?”
Yeshu… onde estás?
Yeshu… para onde vais… por onde caminhas?
… como caminhas?

Yeshu… quantos eu já encontrei aqui, às quatro da tarde
com uns caminho e sou mais Humanidade, contigo

outros rejeitaram-me…
há quem escolha ir pelos caminhos dos desentendimentos teimosamente mal esclarecidos
não dizem como esses começam e por isso não acabarão
oh Yeshu!… bem sabes do que te falo,
ainda dói porque ainda me arrepia ver tanta incoerência entre o “apregoar” e o viver a sério
ainda me dói um bocado, como aqueles arranhões que se arranjam não sabemos onde
e demoram a curar, e já “chorei” a mais da medida com isso
é sempre estranho… já me cruzei demasiadas vezes com Corações que me fizeram viver isto
e cansa-me, porque é absolutamente inútil e destrói toda a possível Comunhão
Há quem lhes chame relações de comunhão fracassadas,
mas eu chamo-lhes cobardias mal resolvidas,
com encobertas intenções, pouco claras ou pouco dignas talvez
… ou talvez tudo se resuma só a uma grande imaturidade.
Sei lá...

É belíssima a nossa Humanidade… belíssima…
… mas com a capacidade absolutamente incrível de conseguir fugir de si própria
de fugir da Comunhão para a qual foi talhada
Os Corações assim… cobardes… por mais que se possam dizer felizes e livres não o são,
enganam-se a si próprios
e enganam a quem apanham na sua trama de amor próprio.
Que raio de esquemas inventam para saciar as suas “sedes” de amor egoísta!...

Acredito que a árvore se conhece pelos frutos…
… os tempos retiram todas as tintas douradas com que cobrem a verdade
e sempre se acaba por revelar toda a miséria podre que se tentou esconder
são os “sepulcros caiados de branco por fora e que dentro só levam morte”
Só temo por aqueles que verdadeiramente são teus e para ti, Yeshu…
só temo por esses
Mas eu confio em ti… pronto.
E hoje, Yeshu…
nestas quatro da tarde que vivo, isto de que te falo em particular, deixa de me magoar,
e digo-o aqui, deixo-o aqui, tu bem sabes porquê.
Deixo isso contigo, nas tuas mãos.
Acabou.

Permaneço aqui,
sempre,
de Coração disponível e aberto para o abraço realmente verdadeiro
só esse.

São quatro da tarde e eu sigo-te
Mostras-me… mostras-nos…
onde moras?
Quero permanecer contigo
Estar contigo, ser livre
deixar que o outro seja outro diferente de mim, comigo
na Comunhão sincera e verdadeira

Deixa-me aprender de cor os traços do teu andar
esses que se aprendem por te seguir
No teu rasto, às vezes, é difícil ver o teu passo
sigo também os que já passaram por aí a seguir-te
intuo que vão contigo
aprendo com eles as buscas que também fizeram de ti

Bem queria saber para onde me levas…
… e por onde me levas…
mas a tua resposta é esse
“Vem…”
O caminho é palmilhado, feito e descoberto caminhando
O teu rasto é o meu caminho
tu tornas-te o meu caminho
Yeshu… meu Jesus,
libertaste-me dos meus caminhos quando te fizeste o meu Caminho
Leva-me… sou livre
Sou livre e quero tanto libertar… contigo
Que sejamos muitos
Que sejamos… todos…

Disseram-me que as trevas morreram às três da tarde
e tu nasceste nos meus braços
nos braços da minha Humanidade…
Às quatro da tarde ensina-me a nascer contigo
revela à minha Humanidade como se nasce agora nos teus braços
como se nasce de novo
como se vive agora o que há-de ser contigo
como é ser Humanidade já ressuscitada contigo
Quero permanecer contigo… neste “dia”

Yeshu… meu Jesus… amo-te

2 comentários:

Rui Santiago disse...

É muito bonito isto...
às três da tarde é a HORA dele... e, n'Ele, a HORA de todos, a Hora de uma Nova Humanidade que começa n'Ele...

Às três da tarde é a HORA d'Ele... Às quatro da tarde é a nossa HORA, a experiência profunda que ELE PERMANECE connosco e PASSA por aqui...

É o Re-Suscitado, esse de quem o evangelista João fala... É o Re-Suscitado esse que nunca deixa de PASSAR por aqui e convidar-nos a segui-o até onde ele mora, a tal CASA do PAI em que ele mesmo nos prepara um lugar... o lugar de filhos, ainda por cima...

Muito Obrigado!
Deus é muito bom, muito bom!
Agora são as quatro da tarde... É a Hora do Re-Suscitado entre nós, a fazer-se CAMINHO para a CASA do PAI.

Obrigado!

Os olhos da alma... disse...

obrigado pelo link e pelos olhos Atentos!um abraço